domingo, 31 de outubro de 2010

IME

Ou "instabilidade melancólica existencialista". 5 dias de provas. Matemática, física, química, português, inglês e, ainda por cima, redação. Distribuídas das piores maneiras possíveis para o psicológico de alguém suportar. Relatório de danos: psicocinético - alto. Efeitos esperados: mudança constante e repentina de humor, tendência a praticar atos violentos a objetos, desejo incessante de dispender dezenas de horas em frente a eletroeletrônicos diversos, negação de responsabilidades morais, entre outros. Efeitos colaterais: inconsciente prazer na formulação de técnicas pseudo-científicas, súbito desejo de auto-afirmação existencial (no intuito de negar a própria noção de inexistência, ou, futilmente irrelevante existência). No mais, um desgostoso "saco". Questões absolutamente ininteligíveis, a respeito de situações altamente improváveis, sem nexo algum, ou qualquer conexão com o conceito de realidade. Persisto na interminável dúvida de que nada, absolutamente, pode ser levado adiante. Obviamente, sob a visão didática, o cunho destas questões seria o preparo para o futuro, embora eu duvide muito que o arc(cotg(sen x))=tg(arc(cos y)), ou qualquer conjunto de letras relativamente unidas a fim de deixar o leitor em prantos, tenha algo a ser considerado em uma situação real, ou mesmo, no que tange a probabilidade de uma hipótese ser verdadeira. Ou seja, esse método classifico-eliminatório consiste, em verdade, na capacidade improbabilística de se encontrar um resultado plausível. Ou, como espero, na insistência dos candidatos em realizar tais provas. Sim, ao quinto dia, 4 salas estavam inseridas em apenas uma, esta, que no início dos procedimentos, estava, sozinha, completa. E esta sala era um anfiteatro de, aprox. 150 lugares, que, também ao quinto dia, sobravam vagas. Invariavelmente, a desistência é um fator esperado, mas que, nesta ocasião, surpreende pela porcentagem real de concludentes dos exames. O grau de dificuldade curricular é, de fato, estratosférico, muito embora, minha fé cite que a prova real estar em acreditar que todas as 25 horas de stress possam significar a satisfação das exigências do concurso. O mais interessante é saber que, você não passa de um código de barras, uma mercadoria, no extenso e opressor mercado de trabalho, e, mesmo sabendo de tudo isso, esforça-se para estar inserido nesse jogo de interesses escusos que, porém, por pior que possa parecer, é absolutamente necessário.
Na espera dos resultados.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

True History - The Only Exception

Eu errei. Errei feio. Eu sempre quis ser amado, ver que o eu mesmo sentia por alguém era verdadeiro. Mas até pouco tempo atrás, ninguém havia me amado. Excluo minha parenta, é claro. Ninguém mesmo. De todas que tentei, nenhuma correspondeu. Até pouco tempo atrás. Me confundi em todos os casos. Quando não me amavam, ou só queriam brincar comigo, ou só queriam parar na amizade. Admito que meu último erro me fez enxergar a verdade. Doeu demais. Mais do que eu poderia pensar que doeria se soubesse antes. Ela só queria ser minha amiga, ter alguém para conversar, queria exclusividade. E eu achei que fosse algo mais. Não era. Me permiti pensar que aquilo fosse realmente me amar, mas também não era. Quem me amou (e ainda ama), fez tudo isso calada, esperando que eu, na minha infinita estupidez, pudesse ser sincero comigo mesmo e oferecer algo mais do que um sorriso. Ou um pedido bobo de casamento. Eu tinha todas as cartas na mão. Poderia ser sacana e simplesmente "pegar", depois largar, e fazer a coisa que deveria ter feito desde o início. Mas eu não funciono assim. Nunca funcionei. Preferi tentar ser sincero, mas no caminho errado. Não deu certo. Depois de fazê-la ler um post que achei ter dedicado a ela, ela me disse apenas: Você está confundindo as coisas.. E realmente estava, embora não quisesse ver que estava. Arrogante, não? É. Depois de conversar, agora admitindo estar confuso, ela me disse que queria ter um amigo, e eu era um amigo para ela. E mesmo ela sabia que no fundo eu não a amava, ela não me amava, eu amava outra, que também me amava, mas que só eu não queria ver, embora todo mundo na face da Terra visse. O fim desta conversa foi, em parte, trágico. Ela não me quis mais como amigo. Não me quis mais por perto. Preferiu desatar toda a conexão. No futuro, me fez bem, embora, naquele instante, eu me senti um, desculpe a expressão, merda. Algo asqueroso e podre. Me senti culpado por aquilo tudo. Ainda mais porque aquela que me amava dissera, em questão de dias, com todas as letras: Eu te amo.. Que sinuca de bica eu estava. Meu maior medo era machucar mais uma pessoa por meus atos. Quando você está certo do que faz, isso não te importa tanto. Mas quando se sabe que está errado, a coisa começa te punir de um modo muito pior do que você poderia imaginar. Desde que nos conhecemos, algo diferente havia entre nós. Podia ser qualquer coisa, e era exatamente o que ambos pensavam, qualquer coisa. Durante muito tempo, tentei muitas vezes encontrar aquilo que encontrava nela, mesmo sem perceber. O tempo passou, e eu acabei por desacreditar que poderia ser amado. Coisa triste de se ver em alguém tão jovem. Mas depois de tanta pancada agente aprende, ou tenta aprender. Eu a via como alguém normal, que nunca me daria condição de chegar mais perto do que um abraço. Consolidamos nossa amizade, depois de anos só se conhecendo por um "bom dia". Éramos já muito amigos, mas nada que ultrapassasse isso. O lance de amizade era bem confortável. Pouco a pouco, ela via que eu não iria agir incisivamente, mesmo que tivesse todas as oportunidades do mundo. Eu já pensava que ela não poderia ser minha, e aceitava a idéia. Ela merecia alguém melhor. Depois das burradas, eu entendi que era óbvio que ela merecia alguém muito melhor. Como resolver o problema? Se você acredita em Deus, sim, eu fui com tudo. Se não, então não sei explicar. Ele me fez ver que ela não era a única que precisava me perdoar, mas eu precisava. Ela sempre esteve ali, só esperando, mas quem disse que eu enxerguei. Tem coisas que só se aprende na marra. Não foi diferente comigo. Pedi perdão a ela, perdão a Deus e a mim mesmo. Consegui isso e muito mais. Finalmente, sai do buraco. Fui homem para dizer como me sentia, o que sentia, e o que esperava. Fiz tudo pensando que iria ser, mais uma vez, derrotado pelas circunstâncias. Me enganei. Fui sincero, pela primeira vez na minha vida sentimental. Consegui o perdão. Conquistei a única pessoa que fez diferente em tudo que eu já tinha visto. Eu já não era mais o mesmo eu de antes. Eu mudei. Melhorei. Evolui. Para algo muito melhor. Hoje sou mais sensível, mais sensato, mais perseverante, mais otimista. Não perfeito, nem como ela merecia (ou merece). Mas mudei de verdade, de dentro para fora. Ela sempre foi a minha única exceção. Em todos os aspectos. Em tudo. Era ela. É ela.



Essa é a verdadeira história jamais contada. Aquela que mostra a verdadeira face do post que deu início a tantas coisas. Meu amor, ela nunca me quis. Ninguém nunca me quis. Só você. E por isso, você merece que eu dê tudo de mim, sem me importar com quanto isso significa. Sou todo seu. Só seu, e de mais ninguém.


Because you are the only exception...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Descobertas aos 18

Sem trocadilhos, meu 18º aniversário foi, sem dúvida, o mais revelador. Vejamos o porquê de tal coisa:


Descobri que posso ser preso, o que não necessariamente bom
Descobri que posso dirigir, só o que ainda falta é conseguir a carteira
Descobri que, até os 18, todo mundo fala "nossa, como você tá grande",
e, depois dos 18, "nossa, como você tá velho"
Descobri que gosto mesmo de muita coisa ao mesmo tempo,
ou seja, não preciso saber tudo sobre uma coisa, mas o necessário de cada uma para ser mais feliz
Descobri que as dificuldades servem para testar nossa força,
pois se regras foram feitas para serem quebradas, obstáculos, para passarmos com uma retroescavadeira
Descobri que, com ferro fere, com ferro, será ferrado
Descobri que minhas piadas tem as mesmas chances de serem engraçadas
que eu mesmo, de jogar futebol de verdade
Descobri que não adianta, hoje em dia, precisamos estar conectados (quase) 24h
Descobri que política me interessa, me agrada, me fascina, mas que os políticos me enojam
Descobri que isso é pior para eles, porque é aí que tenho mais vontade de derrubá-los
Descobri que Deus tem sempre tudo preparado para nós, mas faltam 3 coisas:
ter fé, esperança e amor
Descobri que a humanidade é algo pouco inteligente, mas mesmo com propósitos ruins,
se meus propósitos são bons, isso basta
Descobri que não vou salvar todo mundo (se um dia eu conseguir salvar alguém, é claro),
mas não vou deixar de tentar
Descobri que sou um cara bonito e agradável, mas isso depende da distância que você me enxerga,
da luminosidade incidente, e do quanto você não me conhece
Descobri que precisa-se ter calma ao tratar coisas do coração, senão você enfia os pés pelas mãos
Descobri que posso amar alguém
Descobri que amo alguém
Descobri que alguém também me ama
Descobri que chegar a essa conclusão foi é muito difícil
Descobri que, mesmo difícil, seria pior se eu não chegasse a essa conclusão
Descobri que, cada dia que passa, amo-a mais e mais
Descobri que a vida complica mais e mais a cada dia também,
mas isso não é nada quando se ama de verdade
Descobri que os detalhes fazem muita diferença
Descobri que gosto de trabalho, só não gosto de receber atrasado
Descobri que trabalho em muita coisa, recebo mais do que mereço,
e que esse método de pagamento não é algo físico
Descobri que se a física fosse um pivete, ele me assaltaria todo o santo dia,
me deixando despido, nu em pêlo na rua
Descobri que ter uma noção espiritual da realidade faz você enxergar a verdade
Descobri que poucos tem esse pensamento
Descobri que o cinema brasileiro tem evoluído muito nesse ano que passou
Descobri muitas coisas que o cinema pode significar
Descobri como ouvir música, e que mesmo a mais vulgar porcaria tem algo a dizer
Descobri que é fácil ter idéias brilhantes, mas difícil é fazer os outros acreditarem nela
Descobri que isso aí é até mais difícil que fazer os outros votarem em você, ou trabalharem para você
Descobri que o ato de descobrir qualquer coisa é emocionante,
mesmo que a coisa em si seja um tremendo tédio
Descobri que escrever difícil faz as pessoas terem sono, ou acharem que você é mais inteligente que parece
Descobri que escrever fácil faz as pessoas não lerem nada do que eu digo
Descobri que escrever, no geral, é algo de consequências muito instáveis
Descobri que ler é um hobby que quero carregar para o resto da minha vida, ou da minha visão,
ou ainda, da minha sanidade mental
Descobri que games são coisas que quero aproveitar mesmo sendo mentalmente insano
Descobri que não há nada tão fácil para ser subestimado,
e nada tão difícil que não possa ser superado
Descobri muita coisa, e continuo sabendo muito pouco
Anos melhores virão... ou não
(Descobri que usar expressões como: ou não; não que você saiba; não que você tenha certeza do que está dizendo, fazem qualquer perder as estribeiras)
(E que "trilobita" é um baita insulto, que a maioria acha engraçado)


Au revoir!

domingo, 24 de outubro de 2010

Rosa

Ontem, dia 23 de outubro, fiz, meio sem perceber, o dia ser exatamente assim:


Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti
Pode o outono voltar
Que eu quero estar junto a ti (porque)

Eu (é primavera)
Te amo (é primavera)
Te amo (é primavera) meu amor
Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)
Meu amor...

Hoje o céu está tão lindo (vai chuva)
Hoje o céu está tão lindo (vai chuva)
(É primavera)


Foi simples, singelo, e ainda assim, um grande dia para ser lembrado.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Vai de táxi...?


Transporte público. Isso existe? A resposta é: não. O porquê? Simples, tudo foi privatizado. Rodoviário, ferroviário, metroviário, aquático, aéreo, em suma, todos os transportes atentam para meios de administração focados no lucro sem precedentes, ou seja, a não garantia dos serviços prestados com qualidade em relação ao consumidor, mas sim, ao concorrente. E como empresários não nasceram ontem, simples acordos permitem a manutenção da baixa qualidade, preços não-competitivos, somados a tributos exorbitantes, com equipamentos precários, profissionais mal-treinados, atingindo o píncaro da subversão daqueles que utilizam tais transportes. Solução? Não faço ideia, tendo em vista que não há meios de reestatizar essas falanges. Não sem muita canja para amaciar o empresariado. Talvez sanções que obrigem-os a cumprir as normas do "ir-e-vir", no mínimo agradável, o que, hoje, está longe, muito longe, disso. A saber: atrasos, superlotação, infra-estrutura precária (tanto física, quanto lojisticamente), corrupção, cartéis, e por aí vai. Um tópico importante a ser discutido.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Soneto

Por tais olhos que há tanto vejo

Sinto em mim um pleno desejo

De nunca deixar de olhá-los com ternura

E perceber que há neles sem igual candura


Poderia eu por toda a vida olhar

Como que para um grande mar

Onde homem algum pode enxergar

Como é belo seu caminhar


Todos já quiseram

Muitos tentaram

Poucos se arriscaram

Mas só à mim foi dado tal prazer

De ver em seus olhos minha razão de ser

Algo que eu jamais poderia perder, ou mesmo esquecer


Quem mais deixar-me-ia amar

Se somente junto a ti desejo habitar

Sua macia pele acariciar

De ti a todo tempo cuidar

Pois hei eu de contigo casar

E amá-la desde o sol raiar