Ou "instabilidade melancólica existencialista". 5 dias de provas. Matemática, física, química, português, inglês e, ainda por cima, redação. Distribuídas das piores maneiras possíveis para o psicológico de alguém suportar. Relatório de danos: psicocinético - alto. Efeitos esperados: mudança constante e repentina de humor, tendência a praticar atos violentos a objetos, desejo incessante de dispender dezenas de horas em frente a eletroeletrônicos diversos, negação de responsabilidades morais, entre outros. Efeitos colaterais: inconsciente prazer na formulação de técnicas pseudo-científicas, súbito desejo de auto-afirmação existencial (no intuito de negar a própria noção de inexistência, ou, futilmente irrelevante existência). No mais, um desgostoso "saco". Questões absolutamente ininteligíveis, a respeito de situações altamente improváveis, sem nexo algum, ou qualquer conexão com o conceito de realidade. Persisto na interminável dúvida de que nada, absolutamente, pode ser levado adiante. Obviamente, sob a visão didática, o cunho destas questões seria o preparo para o futuro, embora eu duvide muito que o arc(cotg(sen x))=tg(arc(cos y)), ou qualquer conjunto de letras relativamente unidas a fim de deixar o leitor em prantos, tenha algo a ser considerado em uma situação real, ou mesmo, no que tange a probabilidade de uma hipótese ser verdadeira. Ou seja, esse método classifico-eliminatório consiste, em verdade, na capacidade improbabilística de se encontrar um resultado plausível. Ou, como espero, na insistência dos candidatos em realizar tais provas. Sim, ao quinto dia, 4 salas estavam inseridas em apenas uma, esta, que no início dos procedimentos, estava, sozinha, completa. E esta sala era um anfiteatro de, aprox. 150 lugares, que, também ao quinto dia, sobravam vagas. Invariavelmente, a desistência é um fator esperado, mas que, nesta ocasião, surpreende pela porcentagem real de concludentes dos exames. O grau de dificuldade curricular é, de fato, estratosférico, muito embora, minha fé cite que a prova real estar em acreditar que todas as 25 horas de stress possam significar a satisfação das exigências do concurso. O mais interessante é saber que, você não passa de um código de barras, uma mercadoria, no extenso e opressor mercado de trabalho, e, mesmo sabendo de tudo isso, esforça-se para estar inserido nesse jogo de interesses escusos que, porém, por pior que possa parecer, é absolutamente necessário.
Na espera dos resultados.