segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Primavera

É difícil encontrar palavras que descrevam, com exatidão, o sentido pleno de felicidade. E eu não achava que poderia ver e sentir isso tanto, ou tantas vezes, em apenas um dia. É engraçado como tudo pode ser tão bom e, por vezes, nem perceber. Mas nesse dia, eu percebi. Ver o quanto as pessoas se importam com você. Saber o tipo de intimidade que elas possuem com você. Olhar, mas achar difícil acreditar que a sua existência não é algo insignificante, pelo menos para essas pessoas. Mas isso existe. Os sorrisos, abraços, afeto e carinho que fazem tudo em volta parecer melhor e muito mais interessante. A vida em sociedade pode ser dura muitas vezes,mas surpreendo-me pela necessidade tão grande que temos de estar inseridos nela. A vida é algo tão coletivo, tão condicionado a nossa relação com todo o ambiente a nossa volta, que cada momento é único e inesquecível. Sejam bons ou ruins. Mas, naquele dia, tudo foi muito bom, para ser vivido e também lembrado. Ainda que eu não pudesse retribuir da maneira como tais pessoas mereciam. Elas fizeram o melhor de si, só por minha causa. Talvez o que fosse para elas normal, ou até corriqueiro, para mim foi especial. Desde a surpresa de uma comemoração, algo mais do que comum, até o sorriso caloroso de pessoas que amamos, ainda que não falemos isso todos os dias. Mesmo não tendo riqueza em presentes, o simples fato de estar ali já conduzia a atmosfera. É melhor reunir amigos, dos quais sempre queremos ter por perto, do que objetos, que depois de velhos e usados já não tem mais valor. Embora muitos não estivessem presentes, eu sei que, se fosse possível, eles compartilhariam essa sensação comigo de forma semelhante. Acho que sei porque comemoramos aniversários: para não nos esquecermos de quanto tempo é necessário para cultivar e manter amizades, seja entre familiares ou não. Fazer 20 anos pode significar que estopu ficando velho, ou que já não tenho mais a mesma energia dos 10 anos. Mas, para mim, significa que todos esses anos, e talvez os que virão, sempre terei pessoas que me acompanham e zelam por mim, ainda que eu não as veja. Mas, o mais importante não é ver. Porque o mais importante não dá para ver. O que importa de verdade é sempre invisível aos olhos. Mas, mesmo sem ver, eu sei que está lá. E todos que fazem parte disso também. Obrigado.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Saúde está infartando...

E enhuma das autoridades competentes tem a consciência de como isso pode ser fatal. Hospitais arruinados. Equipamentos sucateados. Profissionais impotentes. Demanda fora de controle. Todos os dias, meios de comunicação noticiam a derrota do SUS em tentar prestar um serviço essencial a população. A população não consegue ser atendida, peregrinando por hospitais, UPA's e postos de saúde. Não há uma organização na triagem de pacientes, amontoando vidas em corredores, demonstrando total falta de recursos e uma gestão inconsequente. Hoje, aproximadamente, a nível federal, o país investe cerca de 80 bilhões de reais em saúde. Um valor pequeno quando comparado ao ideal de 10% do PIB, do qual o governo se nega, publicamente, a conceder. O mesmo alega que não poderia fazê-lo pois senão iria ter de desviar investimentos em educação, por exemplo. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirma que "foi uma covardia a extinção da CPMF", decretada em 2007. Para aqueles que acompanham os noticiários, mesmo antes de 2007, a saúde continua sendo motivo de vergonha para a população. Com um PIB de 3,8 trilhões de reais, seria mesmo necessário um aumento na tributação para satisfazer essa necessidade? O problema é deficit de arrecadação ou má qualidade no aporte dos recursos? Dentro de poucos anos, a população idosa, que necessita de maiores cuidados, chegará a  quase 30% do total. Se o organismo público é incapaz de socorrer essa taxa (nem a atual ela suporta), por outro lado, o setor privado não quer tomar esse partido, haja vista a burocracia implementada pelos planos para afastar esse contingente de seus consultórios. Não apenas cobram valores sádicos, como exigem avaliações inconstitucionais para adesão de seus serviços. Ao mesmo tempo, até mesmo os médicos de redes privadas entraram em greve por reajustes salariais. O governo federal deixa claro que apoia a iniciativa privada: apresenta um péssimo serviço público e queda na tributação para as empresas. A criação de um novo imposto exclusivo da saúde seria até plausível se não houvesse opção privada para o mesmo serviço, ou pelo menos o incentivo fosse a favor do setor público. Essa situação precária não é solitária as grandes metrópoles, mas a todo brasileiro em território nacional. O superfaturamento, as fraudes nas licitações, os atrasos na votações, tudo converge para uma situação de doença terminal na estrutura de saúde. Os profissionais são incapacitados, a educação é defasada, a tecnologia é cara porque os investimentos permanecem paralisados por manobras pouco éticas, desvios de dinheiro, gestões enganadoras e promessas eleitorais não-cumpridas. O país deveria se preparar não apenas para o acréscimo de idosos, mas também para uma nova diretriz patológica que surge: a obesidade, que tem origem primariamente psicológica e desencadeia outras doenças no decorrer do tempo. Diabetes, hipertensão, doenças coronárias, respiratórias, cardíacas, além de outros distúrbios hormonais compõem a nova gama de necessidades que o sistema de saúde deverá suprir. Mas a situação vigente não deixa dúvidas de que essa atualização far-se-á tão lenta quanto possível, agravendo o círculo vicioso de uma saúde doente. Para a maioria pobre da população sobra: esperar em filas por atendimentos que não aconteceram ou apelar para medicina alternativa (desde o chá a reza-forte). Tudo isso pois o que impera no Brasil não é o presidencialismo, mas sim o patrimonialismo.

Governabilidade Incoerente

Quem se lembra dos debates pré-eleições, e ve as atitudes governamentais hoje, pode se perguntar quando as mudanças de discurso começaram a ocorrer. E essa pergunta pode ser respondida com um "tão logo venceu as eleições, Dilma já não era mais a mesma". Parece que a mesma dificuldade que ela tinha em organizar ideias, ela perdura em organizar seu próprio governo. A presidente (e não "presidenta", como alguns preferem denominá-la) não cumpriu (ainda) nenhuma de suas muitas promessas. Primeiro, as que deixavam o eleitor mais feliz: casa e emprego. O PAC, que fazia juras de amor a classe C, nem foi completo e já lançaram o PAC 2(quase uma volta dos que não foram). A expectativa mais corriqueira é que nem um nem outro se resolvam e a população prefira deixar a conclusão da saga para um próximo filme (quem sabe um "Dilma, a filha da Bulgária"), vislumbrando a primeira trilogia brasileira. Já na parte de geração de empregos, o Brasil viu a segunda "marolinha" exterior virar um prenúncio de "pororoca" interna, com uma ligeira desaceleração do crescimento, um ligeiro aumento da inflação, somado a decisões nada ligeiras, algo totalmente previsível por se tratar deste país continental, no qual, não é de hoje, as coisas se resolvem mais tarde do que deveriam. Relativamente as outras nações emergentes, falta uma dose de "Toddynho" para que o Brasil possa evoluir (mantendo uma progressão) e não "digivolver" (melhorando mas depois voltando ao estado original). Sem falar no "Yakut", que ajudaria a digerir toda a bagagem corrupta e evacuar, com mais facilidade, os seres indesejáveis dos organismos políticos. Por falar em corrupção, o tal "governo de coalizão", o tal  "eu não mexo contigo, e tu não mexe comigo" (algo parecido com falta de decência ou condescendêrncia) tem dado o que falar. Simplesmente "uma faxina não é a nossa prioridade agora". Incrível seria alguém dizer quando isso vai ser prioridade. Com o dolár valorizado tinha "mensalão na cueca", mas quando o real é que está valorizado,  tem "mensalão na calcinha", o que não é nada mais adequado quando temos uma senhora presidente. O mais cômico (e/ou trágico) seria que ambos acusados foram absolvidos, mesmo desrespeitando a higiene pessoal íntima, algo imprescindível na sociedade com valores tão avançados (será mesmo?) quanto os nossos. Sem falar na já falada Emenda 29, que foi votada, mas nada de CPMF, por enquanto. Alguém lembra de que "a saúde será umas prioridades do meu governo"? É estranho saber que algo como regularização de gastos com saúde ainda deva ser um assunto tão badalado. Poderiam votar emendas assim para todas as instâncias públicas, afinal até no lanche dado aos doadores de sangue tem superfaturamento, quanto mais no gordos salários de certos deputados e parlamentares aposentados, que triplicam seu auxílio enquanto a maioria sofre reajustes sempre negativos da Previdência. O Brasil gasta menos em saúde (vide hospitais), educação (vide escolas) e infraestrutura (vide estradas) que qualquer outro emergente, mas acha lógico reajustes salariais para os integrantes do TJF, enquanto salário mínimo engatinha tentando alcançar seu propósito impossível de satisfazer as necessidades básicas. Ainda falando de gastos absurdos, que tal citar um evento de grande porte: A Copa do  Mundo. Ecos do passado diziam que "a Copa será financiada pela iniciativa privada" e "o brasileiro não pagará as contas", algo bem diferente dos bilhões de reais investidos em obras de reformas e criação de novos estádios, além de pedreiros e população insatisfeitos. E, para monotonia natural do brasileiro, a Lei Geral da Copa ainda poderá tornar as coisas mais salgadas por aqui. A FIFA não quer saber de meia-entrada, quer feriados em dias de jogos e até a alimentação vendida nos estádios quer controlar. Parlamentares já disseram que há "inconstitucionalidade" nas diretrizes, mas seria muito menos lógico e moral, ver Sarney presidindo o Senado, afinal, "constituição" é um termo ausente/inexistente para a maioria dos nossos colegas. Ouvir uma presidente formada em economia e ex-chefe de Casa Civil dizer que "o país precisa cortar gastos" e "as grandes potências sofrem pois não sabem organizar suas finanças" deixando todo esse rombo orçamentário passar em branco é, no mínimo, incoerência ou, no máximo, inocência.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A Volta Dos Que Não Foram

Agente sempre se pergunta se as coisas vão durar pra sempre:
Se a série que você assiste vai durar pra sempre...
Se seu bichinho de estimação vai durar pra sempre...
Se seus pais vão durar pra sempre...
E se o petróleo vai durar pra sempre também...

O engraçado é como tudo que perguntamos se vai durar pra sempre são exatamente as coisas que não irão durar pra sempre. Talvez, intimamente, acreditemos que o nosso ambiente não vá mudar. Ou, com certeza, não queiramos que ele mude. E, por mais que mudar seja necessário, sentimos saudade dos tempos que já passaram, das coisas que perdemos. Afinal, em algum momento aquilo fez parte do que nós somos, e moldaram aquilo que nos tornamos em seguida. De algum modo, tudo pelo que passamos compõe exatamente tudo que somos hoje, ou que seremos amanhã. Todos concordam que experiencias ruins nos ensinam, mas e as boas? E quando aquele momento de felicidade e prazer vai embora, e você nem sabe se um dia vai voltar? Aquele amor, tão bonito e sereno, que você tem que suportar estar longe, ou mesmo perto, e nada poder fazer. E quando os olhos se encontram, e o sorriso tão comum a esses momentos tem que se tornar um simples aceno de cabeça ou um cumprimento sem emoção. Será mesmo que é melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado? É intrigante como simples palavras podem mudar toda uma vida, e o modo de entendê-la. Toda nossa vida se resume, em tantos momentos, aquilo que conquistamos, que quando perdemos algo, por menor que seja ou pareça ser, passamos a viver sob esse estigma. Ainda mais quando aquilo que estava no "top 5" dos seus objetivos vai embora. Ainda mais quando não é só você que sente essa perda. E ainda mais quando você sabe que não pode continuar sem ela ao seu lado. As pessoas se separam por diversos motivos. E, por pior que sejam os erros cometidos, a situação nunca é fácil de se lidar. A solidão, o apego, o carinho, tudo que tanto felicitava, agora precisa ser deixado e, as vezes, esquecido. O que tanto se queria ser eterno acaba se descobrindo tão efêmero, curto e ínfimo, e ao mesmo tempo tão complexo de ser passado adiante. Dias passam, mas tudo que um dia foi feito em nome de um amor não se esquece. E, como no início, é nessas horas que mais aprendemos. Aprendemos tudo o que achávamos não sermos capazes de aprender. Entedemos que precisamos amadurecer, mas pra isso precisamos viver. Não é preciso ficar só, só pra se viver. E é aí, nesse instante, que voltamos ao início, e compreendemos que o invisível é eterno.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

E a Juventude Britânica volta as Ruas

Quase 40 anos depois da "Revolução Punk", os jovens voltam a lotar as ruas em revoltas violentas, com repressão ínfima das autoridades (in)competentes. Essa nova geração, insatisfeita com a falta de oportunidades, tudo tem a ver com sua antecessora. Sem educação, sem emprego, sem dinheiro, as classes menos "interessantes" do Reino Unido não viam nada em seu futuro. Pelo menos, nada que fosse melhor do que a atual situação. Bem no meio da crise cambial americana, enquanto o petróleo dava saltos absurdos de preço, a Europa vivia uma estagnação econômica e a inflação rondava os bolsos alheios. Parecido com o que já houve no Brasil antes do Plano Real: empresas fecharam, o desemprego subiu e o governo procurando uma solução imediatista que, em geral, dava muito errado. Sem perspectiva, sem oportunidade, sem futuro, as coisas tendem a ficar violentas. Nos idos de 1970, os revoltosos encontraram reforço no "sex, drugs and rock'n'roll". O punk se difundiu rapidamente com suas letras ácidas, embora seu fim tenha sido com a "modinha". De movimento revoltoso virou tendência comercial das grifes. Afinal, era aquilo que todos queriam usar. Justo o movimento que via no consumismo e na lavagem cerebral do capitalismo, o cancêr da sociedade comtemporânea. A situação se repete: os excluídos, insatisfeitos com a marginalização que o modelo econômico lhes impõe, resolvem romper em quebra-quebras, incêndios, espancamentos, todo o tipo de violência contra a propriedade publica ou privada que tanto se cultua. O "american way of life" encontra contraste com a pobreza e estagnação das minorias. Outra resposta bem característica de situações desse nível: preconceito. A xenofobia encontra lugar como as possíveis razões das más condições do país. Nada menos lógico (para eles): temos empregos, mas os estrangeiros estão roubando de nós. O boom dos neo-nazistas e neo-fascitas, com novas vertentes, novos nomes, mas mesmo objetivos: divisão. O que faz lembrar do surto assassino na Suécia por um extremista de direita há poucos meses. Bastante coincidência. Crise da moeda americana, avanço da extrema-direita, jovens ingleses revoltados. Parece que caminhamos para uma repetição, um dejá-vù. Imigração traz disputa interna, somado a crise econômica, gera desemprego. Sem emprego, sem oportunidade, a pobreza aumenta. O modo de vida não pode mais ser sustentado, o cartão de crédito já não tem tanto crédito na praça. Com a inflação, o salário real não é suficiente para o mínimo da subsistência. Aumenta a insatisfação, e esta, se torna em violência. A violência fecha negócios, aumenta o desemprego, gera menos renda, concede menos crédito, piora a qualidade de vida. A violência, alimentada pelo ódio ao pouco, politiza as relações sociais, divide opiniões, e compromete governos. Questões menores como cor se tornam estopim da bomba chamada "crise". E assim as coisas evoluem, de mal a pior. Viva a sociedade do consumo! A ideia é: quem consome quem primeiro.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Número 27

Não é cabalístico, não é conhecido por poderes místicos nem tem ligação com a demonologia tradicional. Ainda que seja apenas um número, sua infâmia tem crescido a cada década. O 27, como idade, assombra o mundo da música já há muito tempo. Nomes famosos como Brian Jones (Rolling Stones), Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison (The Doors), Kurt Cobain (Nirvana) e, recentemente, Amy Winehouse preenchem a lista das personalidades mais proeminentes. Seja por sua voz, qualidade poética, irreverência ou presença, foram quase imortais entre nós, meros mortais, fãs inveterados ou pais desconfiados. Seus trabalhos em vida demonstram como o ser humano pode ser criativo e chocante ao mesmo tempo. Destruidores de paradigmas, sabiam como e onde atingir seu público, usando e abusando de talentos musicais e personalidades fortes. Fizeram parte da geração de muitas pessoas e, até hoje, conseguem cativar novos convertidos por estilo, ou status. Suas vidas e obras se destacam pelo diferencial, pelo novo, pelo contrário do cotidiano. E o que fazia deles grandes, acabou também destruí-los parcialmente. Digo parcial pois suas vidas se foram, mas o que fizeram durante, ficou. No caso dos citados acima, drogas de diferentes tipos estão incluídas em óbitos. Muitos alegam que justamente esse uso poderia ser a fonte de tanta criatividade e vivacidade presenciada em shows e compilações. O uso do proibido sempre marcou eras de nossa história. Era um meio de indignar-se, de contrapor-se, de expressar força. Nisso, não há dúvidas. Eles são exemplos de como fatores da sociedade criam situações e elegem pessoas, dentre tantas, por serem simplesmente diferentes. Mas o fim nem sempre é tão idealista quanto sua trajetória. Talvez pelo frenesi de suas posições não houvesse muitas chances ou poderes para impedi-los de seguir em frente. Nem tudo que é proibido hoje, foi proibido ontem ou será, amanhã. Mas os seres humanos tem uma vida curta demais para esperar que as coisas aconteçam. Eles querem fazer acontecer. Um provérbio diz: o que importa é saber como morrer. Como alguém morre, por vezes, define como ele será lembrado. Suas vidas brilhantes terminam ofuscadas por suas mortes absurdas. Mas há também: os meios justificam os fins. E os extremos sempre são os que caem primeiro. Basta aos mortais tirar apenas aquilo que seja útil e saudável. Mas os humanos quase nunca conseguem fazer isso. Não querendo ser pessimista, mas é estatisticamente provado que músicos morrem mais aos exatos 27 anos que em outras idades. O que importa é o que fazer das nossas vidas segundo o tempo que nos é dado. Se cada ação tem um reação, cada escolha, uma consequência. Basta escolher. Vida longa a Música.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Fim de Tudo

O tempo passa e as coisas sempre mudam. Nada é igual para sempre. Ou quase nada. Fizemos nosso máximo. Ou quase isso. E, hoje, quem sou pra dizer que não? Ainda que as coisas tenham consequências que desagradam, o aprendizado fica, e fica pra melhor. Para melhorarmos na próxima. Ou pra fazermos diferente, cada qual com o seu. Ninguém nasce sabendo. Ninguém aprende morrendo. Mas cada dia é um dia pra ser vivido: carpe diem. Mesmo sem provar da Arcadia, agente sempre fantasia o romance clássico, bucólico. Na realidade natural, sem dó nem piedade, a modernidade anda correndo, e ficamos pra trás. Mas, desde que com um ao outro, ficar pra trás não é o cerne do problema. Os outros são os outros até que agente passa do amor pro bom dia. Por quê? Tão perto, tantas oportunidades, tanto pra fazer. Talvez sejam coisas demais pra serem feitas em conjunto. Talvez sejam sempre coisas demais. Talvez coisas de menos por demais. Dia 23 passou. E levou um bom pedaço de nós. Perdendo aqui, ganhamos acolá. Nada como um corpo esbelto e enxuto pra provar. A vida é uma perda. Seja de amores ou de elétrons, sempre contamos mais pra esquerda. Nunca somos simétricos, tirando o numéro phi, é claro. Escrevo mas não canto, cozinho mas não sou bonito, dou pitaco mas não toco instrumento. Por que defeitos são defeitos? Não poderia ser só falta de aptidão? Por que se prefere falar mais mal que bem de tudo? O homem é evoluído, ou é psicótico? Os mais loucos parecem sempre mais felizes. Acho que o tempo não passa pra eles como passa pro resto do mundo normal. Podemos matar pelos outros, mas e morrer por todos? A vida sempre espera o melhor de nós. E a morte sempre aproveita a melhor parte. A fênix precisa morrer pra ressuscitar. Podemos amar. E odiar está sempre tão perto. Tudo acaba. Mas eu prefiro falar: Sempre há um recomeço.

Falando de Futebol

O Brasil não parou pra ver a Copa América, mas eu dei o benefício da dúvida. Mesmo com uma seleção "dream team", o Brasil não passou do Paraguai. E, pior que isso, sem gols. Pior ainda, nem de pênalti. E, se não desse pra ficar pior ainda mais, foram 4 chutes. Ok, a Argentina também não passou, mesmo com "o melhor do mundo". O Paraguai chegou a final sem vencer uma partida no tempo normal. Coisas bizarras aconteceram, admito, o que diminuiu a farofa "brazuka". Contra todas as expectativas, exceto talvez a minha e Darwin, os caracteres galináceos não alçaram voo como deveriam. Com execuções apagadas e sem coordenação, o Brasil do 3-4-3 não vingou. A zaga também não agradou tanto, mas Lúcio fez diferença. Seja dentro ou fora de campo. Falando sobre o brilhantismo da seleção, Lúcio afirmou que o brasão na frente da camisa é mais valioso que o nome atrás dela. O time, recém-formado, apesar de contar com estrelas, quasares e pulsares, não tem o envolvimento que possa ser comparado a outras "seleções". Achar que por ter o melhor de cada posição, um time vai ser invicto é masoquismo. A Argentina sofreu do mesmo algoz: falta de entrosamento. A ligação meio-ataque não fluia. Parecia uma privada entupida: não desce, só volta. Julgar uma seleção apta por que treinou durante semanas é absurdo. De igual modo, satirizar Mano Menezes é estupidez generalizada. Mas, contra toda a sanidade, o técnico só se mantem quando tem vitórias. Brasil, de novo, deixa a desejar. Afinal, com Ricardo Teixeira de presidente da CBF, sanidade não é o nosso forte desde sempre. Nem preciso comentar da "janela" internacional no meio do Brasileirão, além do limite de jogos para um jogador trocar de time no mesmo campeonato. Sacanagem é apelido pra esse tipo de ordenança. E, de novo, contra todas as expectativas, menos a minha e, quem sabe, Darwin, o Japão conquistou o Mundial Feminino de Futebol. O que aquela seleção jogou, e lutou, ela fez por merecer seu título inédito. Com entrosamento, visão de jogo e garra, a atuação japonesa deixou muitos torcedores sem palavras. Um time sem purpurina, egoísmo ou austeridade, fez o que o Brasil no quesito pontaria, ficasse no chinelo. Uruguai campeão, o que não assustou, mas valeu a pena ser visto. Humildade seria a palavra do dia para a seleção, ainda que eu não ache que eles estavam tão exaltados nesse ponto. Faltou mesmo: treino e tempo. Uma seleção se faz em um dia. Uma equipe se faz em amizade, parceria e altruísmo. De praxe, quem sabe na Copa agente não "desencanta".

Universitário

Uma das coisas que, ainda, não sou. Mas agente sempre chega lá. Basta passar no vestibular. Uma missão relativamente possível. Tudo depende da concorrência e, quem sabe, da boa-vontade do Enem. Além da dureza que é entrar numa universidade pública, passar de período e conseguir sair, podemos ter uma novidade: serviço social obrigatório. Não que eu não goste de manter meu ambiente social higienizado, ou ajudar um velhinho ou outro nos seus afazeres cotidianos, mas, sinceramente, isso só pode ser sacanagem. Pensava eu que fosse dever do Estado garantir moradia, educação e saúde de qualidade aos seus "servidores". Ao que parece quem estuda em universidades públicas gasta muito dinheiro dos cofres, públicos, o que, aparentemente, lesa com pessoas, imaginem, também públicas! Então deveriamos prestar estes serviços a fim de, pasmem, recompensar o favor que o Estado nos concede de, babem, estudar! E vem a pergunta: isso é justo? Pelo que nos consta, o governo gasta muito pouco em educação. Tão pouco que qualquer um enxerga o estado caótico das escolas, digamos, públicas. Enquanto nossos "reprensentantes" nas câmaras e afins transformam o dinheiro, como é mesmo? Público, em papel higiênico. E nem parta do conceito ridículo de que  eles fazem seu trabalho de maneira ética. Se a medicina é amoral, a política no Brasil é, desde muito tempo, imoral. Não sendo generalizante, admito: alguns são diferentes da maioria. Admito também que: é mais fácil cobrar deveres de universitários que fazer o mesmo com nossos "reprensentantes". Eles sim, com seus salários astronômicos e ajudas-de-custo sem fim, poderiam ser acusados de estourar os cofres da União. Mas aí tem outra caro leitor: a arrecadação de impostos consegue, deveras, suprir tamanha voracidade. E cresce semestre após semestre. Dúvidas, caro leitor? É só ficar atento as notícias de economia no seu jornal preferido. Fico abismado com o sinismo de medidas como essa. Nada mais são que paliativos: tapam pequenos buracos, mesmo que microscópicos para dizer "estamos trabalhando nisso". Se isso é trabalho, então estudar em universidades públicas é tarefa pra super-heróis. Pelo menos meu NDS tem um adesivo do "Star Wars". Será que isso vale alguma coisa?

sábado, 25 de junho de 2011

Missão Impossível

Mulheres são seres complexos
Impossível amá-las
Ou impossível viver sem elas?
Difícil essa!


Elas  não curtem muito futebol
Nem são tão chegadas em esportes
Gostam do sossego e da tarefa
E exigem de nós um físico atlético


Elas não curtem games
Fazem agente deixar o console
Fazem agente deixar o pc
E cobram que saibamos eletrônica


Elas querem que escrevamos
Poemas, músicas, cartas, SMS
Gostam que falemos
No telefone, no ouvido e pra pedir informação


Elas querem que adivinhemos a TPM
Fiquemos mudos quando estão com raiva
Fiquemos carinhosos quando estão carentes
E fiquemos dizendo como ela está linda


Elas fazem deixarmos os pais em casa
Não olharmos outras mulheres
Aturar os abusados que olham pra elas
E, acima de tudo, ter calma


Agradá-las é quase um sonho
Por isso, só acontece de vez em quando
Fazem tudo simples parecer complexo
E o complexo... melhor esquecer


O bom de ser uma missão
Impossível, ou quase
É a seguinte:


Você é o Tom Cruise
Vai salvar o mundo
E beijar a donzela no fim


É...
Acho que dá pra fazer esse esforço
E é por isso que amamos elas...

sábado, 18 de junho de 2011

1

1 ano de descobertas mútuas
sobre fazer agradar, fazer feliz
falar sobre si, sobre nós
de frases de espanto


2 semestres de planos e metas
sobre como aproveitar o dinheiro do mês
em faculdades, cursos e horas de sono
de coisas pra conquistar


4 estações de tempos turbulentos
com sol pedindo praia durante a semana
e chuva com vontade de ficar em casa
por ambos sempre dizerem: sei lá


12 meses de tentativas sobre saudações
como dizer oi sem dar um risinho
sobre dar presente que encaixem, e agradem
em falar aquilo que o outro quer ouvir, e errar na escolha


48 fins de semana sem muito que escolher
variando uma caminhada
de cinema em cinema
shopping e lojas


336 dias de criações
escrevendo poemas
cantando ao pé do ouvido
combinações de presentes


8166 horas de espera
pela próxima, mais perto de ver você
pela chance de tirar um sorriso seu
pela oportunidade de passar um tempo com você


48996 minutos de pensamentos
de como cada hora, cada dia
cada final de semana, mês, e estação
de cada ano dizendo que esse sonho é real


E vai continuar...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dia

Não sou dado a comemorações. Não faz meu tipo, pelo menos quando se fala em meus aniversários. Quem não gosta de comer de graça em festas alheias? É claro que, geralmente, consideramos pessoas importantes os aniversariantes, ou festeiros de plantão. Afinal, a festa é deles. Mas o Dia dos Namorados tem algo diferente. Talvez porque eu faça aniversário de namoro 8 dias depois. Embora ache que o principal motivo não é esse. Obviamente, é mais uma aposta mercadológica, típica de outros "dia-de-alguém-importante-que-você-precisa-usar-seu-cartão-de-crédito-para-presentear-doze-vezes-sem-juros-e-só-começa-a-pagar-ano-que-vem-pra-você-esquecer-e-ir-parar-no-spc-e-tal". A parte mais importante de um dia assim é que ele não é só seu, ou só de outro(a). A chave desse dia é comemorar a união de ambos, aquilo que os juntou, aquilo que faz um pensar no outro todos os dias, aquilo que faz querer passar todo o tempo junto, aquilo que faz você querer beijar alguém mesmo que seja uma troca de fluidos muito anti higiênica. Embora eu concorde que não é apenas um dia no ano que devemos fazer, e pensar sobre, isso. Atenção especial para os casados, que logo adquirem uma certa "perda-de-memória" sobre coisas importantes assim. É claro que as opções de presente aumentam consideravelmente, mas continuemos o texto. Se você ama todos os dias, por que não fazer deles "dia dos namorados"?. Ainda que você não possa ver o(a) parceiro(a) todos os dias, ainda que não possa abraçar todo o tempo, ainda que não nem olhar ou conversar, fazer o esforço de pensar, se preocupar, de interagir, ainda que só no campo mental, já pode fazer de um dia comum e sem graça algo digno de comemoração. E o amor, pelo menos para mim, se constitui disso: fazer de alguém comum, um alguém especial. Imaginar que apenas um dia do ano é dia de presentear não faz muito sentido. Julgo mais importante todos os outros dias que você pode presentear, e/ou dar a si mesmo, oportunidades de amar de verdade alguém. Não acredito ser o namorado perfeito para ela. Estou muito longe disso. Gosto de pensar que não sou perfeito, assim sempre tenho em que aperfeiçoar, fazer diferente e melhor. O importante não é o presente que se dá, mas a pessoa que está presente. Não pense em "dia dos namorados" como um único dia, até porque é muita falta de sorte cair justo em um domingo. Deveria ser uma sexta-feira, mas tudo bem. Pelo menos dá pra fazer uma serenata com a música "Um Dia de Domingo", do Tim Maia. Isso é claro se você souber cantar e tocar, ou ter amigos, ou dinheiro, suficientes para isso. Mas aí já é outra história.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Time

Fazer, e esperar
Algo que tarda em chegar
Me pergunto se, de fato
Acontecerá


Cada coisa a seu tempo
Tempo que passa sem pensar
Cada coisa em seu lugar
Lugar que não pareço encontrar


Procuro agir
E depois de ir
Pareço voltar
Procurando um pouco de ar


Cada dia
Uma escolha
Para onde vou me levar
Tantos caminhos para me guiar


Olhar para trás
Estou indo para onde?
Ou voltando
De que lugar?


Se o tempo é como um rio
Onde está a foz para chegar
Ou margem parece segurar
Ou correnteza para se deixar levar


Luto
Em batalhas já vencidas
E, quem sabe, eu mesmo
Seja o vencedor


Torço
Por vitórias queridas
Sem entender
Se vê-las-ei todas


O mundo gira
Por que pareço parado,
Assistindo?
Talvez um erro referencial


Conto horas, dias
Acostumei-me a contar muito
E, a cada contagem,
É difícil reconhecer o resultado


Flechas
Palavras
E oportunidades
Não voltam atrás


Tudo na vida é tão
Passageiro, efêmero
Longínquo, distante
Até que a hora chegue

Highway to Nowhere

Vez ou outra, me pego olhando certos vazios
Lugares inóspitos, pouco atraentes
Aos shopaholics
E mesmo assim, atraentes
Aos que buscam estar longe da civilização
Considero lugares assim, serras e matas
Praias e falésias como um vazio temporário
Que logo será preenchido
Por uma sede incessante de tranquilidade
Paradoxalmente, uma tranquilidade incoerente
Uma migração ao desconhecido transforma


Infelizmente


As civilizações "novo-velhas", repetindo tudo outra vez
A epópeia trágica da humanidade
Por que tal sede de ocupação nos abate?
Por que nunca há satisfação na própria criação?
Parecemos precisar de colônias
Pensamos sempre estar faltosos em algo


Embora seja difícil crer que haja algo que não tenhamos feito


Somos varridos pelos ventos da mudança
Não há parada final, nem retorno
Apenas reinvenção de algo velho
Intenções velhas, consequências velhas
Disparidades entre filosofia e engenharia
Avançamos apostando sempre em fazer melhor
E repetimos velhos erros, com os mesmos motivos


Será falta de humildade?


Admitir um erro em prol da prevenção?
E mesmo admitir, apenas, nada basta
Se perpetuamos a construção destrutiva
E, da destruição, pouco se aprende
Para algo construtivo
Muito ocupamos,
E desocupamos logo em seguida
Pouco planejamos
E dizemos que faltou planejar
Muito falar em faltar
Pouco mesmo em pensar


Quanto, e até quando?


Nascemos, crescemos
Reproduzimos e morremos
Onde ficou a evolução?
Nessa highway sem fim
Nesse tempo sem controle
Se já aprendemos tudo
O que continuamos procurando?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sexo e Outras Drogas

Sexo! Algo que atrai a atenção da maioria dos seres humanos. Embora poucos possam compreender devidamente o que ele significa para a existência. Sim, além do significado sagrado do meio para a perpetuação de uma espécie, qualquer que seja ela, a procriação é algo de suma importância tanto no sentido físico quanto no que poderiamos denominar espiritual. Por que dizemos que um casamento só está consumado depois da noite de núpcias? Por que, quando um casal não-casado oficialmente vive em união, ou coabita, em termos mais arcaicos, dizemos que já são casados? O vocábulo "coabitar" literalmente se refere a convivência, a coexistência entre seres, se referindo ainda ao que chamamos de ato, ou relação, sexual, ligando a intimidade ao que entendemos pela convivência dos mesmos. Em tempos remotos, a coabitação já poderia designar a constituição da família: pessoas que vivem em união, compartilhando bens, prezando pela continuidade da união por meio tanto do sexo procriático, como para o prazer. Muitos cabeças de família poderiam oferecer os "serviços" de sua companheira como hospitalidade a um estrangeiro ou visitante. O simples ato do pai da noiva levá-la ao altar representa a união não só dos cônjuges mas, inclusive de ambas famílias. Já ouvimos a expressão que quem namora ou casa com alguém, não o faz apenas a esta, mas a família inteira. Até o termo "casar" deriva de "casa", moradia ou habitação, tão logo, quando alguém se casa, é compreensivo que residam no mesmo lugar, partilhando uma vida a dois mais exclusiva. A eternidade citada nos votos do casamento faz referência também a aliança entre as famílias dos noivos, pois sendo eterna, captamos que o interesse na união seria uma durabilidade estável aos objetivos familiares que torna-se-ião comuns. Fugindo da etimologia das palavras, o fato decisivo do "casamento" é a consumação sexual, em termos físico e espiritual, dos seres envolvidos. Na Bíblia, Jesus afirma que o ato sexual é uma união poderosamente espiritual, em que os envolvidos estariam eternamente ligados, chegando ao ponto de o simples ato de pensar pode consumar esse ato. Nos moldes da fé cristã, pensar encontra-se extremamente perto de obter, segundo os Evangelhos, o que justifica a advertência feita acima. Hoje em dia, com a banalização dos relacionamentos, e até mesmo da sexualidade, o sexo tornou-se vulgar, embora seu poder não tenha sido perdido, apenas esquecido. Ainda em consulta a Bíblia, esta afirma que o casamento é a união do homem e mulher, de modo a tornarem-se um apenas, remontando a Criação. Claramente, essa conotação, no sentido físico, só ocorre durante o coito, mais precisamente na penetração vaginal, permitindo tanto a procriação quanto o prazer. O resultado desta união traz a luz uma nova vida, o produto dos fatores envolvidos, assim como a descoberta de uma maior intimidade entre os parceiros. Percebe-se aí o sentido de eternidade mais uma vez denotado, agora na genitura. É óbvio que o sexo não se restringe a procriação, como prega a Igreja Católica, pois então a femêa seria absolutamente fértil toda uma vida; nem compete a um ato totalmente pecaminoso, mas que deve ser realizado obedecendo os devidos cuidados, assim como tudo que fazemos, pecado ou não. O prazer, em sua total extensão, absorve valores mais espirituais se analisada propriamente. Praticante do sexo tântrico, modalidade que julga desnecessária a penetração para o obtenção do prazer, afirmam que atingem o "nirvana", estado de esclarecimento espiritual total, uma aproximação do divino, durante os orgasmos, que são múltiplos e intermitentes. Esse tipo de atividade admite que a exploração do corpo do parceiro gerando estímulos sensoriais orgásmicos que transcendem o espaço físico, transportando os parceiros a um estado elevado de conhecimento mútuo, característico pela espiritualidade, ainda que o procriação não seja possível. Fugindo do sentido sexual machista da sociedade machista que vivemos, em que a satisfação mútua é dificultada, o conhecimento da relação em suas raízes permite uma nova perspectiva. Aqui se encontra a fundamentação do casamento: o sexo. Não apenas um instante de fricção corporal, mas a instalação de uma cooperatividade ainda não atingida. Quando as palavras materializam-se no ato íntimo. Em cultos antigos, o sacrifício da virgem caracteriza a união da divindade a humanidade. O Minotauro representa bem isso. A união da rainha de Creta ao deus em forma de touro, e o consequente nascimento da fera incorrem na natureza deste ato. Partindo a um lado mais científico, o rompimento do imên tem significado semelhante. Uma barreira pré-formada pelo próprio corpo é rompida durante a invasão do corpo do parceiro, sob a permissão da parceira. É sabido que a musculatura vaginal é tão poderosa que pode paralisar a passagem do pênis ao colo do útero. Somente um ato de disposição total, um sacrifício completo, pode compreender o poder do sexo. Por isso, atualmente, o orgasmo feminino requer a desenvoltura exata do parceiro em relação a mesma, enquanto o orgasmo masculino chega a ser ridiculamente mais rápido de se alcançar e ao mesmo tempo tão curto. No sexo pelo sexo, o prazer é apenas um fator/consequência. No sexo total, em que a mente, o corpo e o espírito encontram-se ligados firmemente no sentido da intimidade e do conhecimento, o prazer é aflorado de modo natural e completa. Ai há o verdadeiro casamento, a sintonia inteiriça dos indivíduos. O casamento não é uma cerimônia coletiva, uma troca de alianças, ou um comprometimento assinado em papel. O casamento não é um contrato formal. O que compreendemos como casamento se trata da estabilidade da união social. É uma consequência da frivolidade humana pela sensualidade exagerada. É um tratado contra a infidelidade, pois esta não interfere apenas no praticante, mas na união formada de homem-mulher. É um voto de segurança entre os participantes. Todo o simbolismo da cerimônia formal representa o encontro sexual futuro. As vestiduras brancas (a pureza virginal), o véu (o imên), os juramentos (a ligação homem-mulher), a aliança (pois o homem não utilizava aliança, apenas a mulher, representando a sua penetração em relação ao homem). Até mesmo a dança dos noivos (dança do acasalamento) remonta o ritualismo do sacramento. O sexo é sagrado, por isso chamamos de sacramento nupcial. A dança do ventre, hoje considerada até mesmo um esporte, era a preparação tanto da noiva (uma amostra corporal do poder feminino) quanto do noivo (no sentido da excitação) para o sexo. Se o sexo fosse praticado seguindo tais prenúncias, tanto a infidelidade quanto a "rotina" não seriam constantes no casamento, pois cada relação, tanto do sexo físico quanto do mental (sentimental) e espiritual compreenderiam a novidade da descoberta e ainda cumpriria a meta de elevação do homem ao divino, seu desejo mais íntimo que qualquer outro. O sexo não deve ser tratado com trivialidade, mas com respeito. O sexo não é uma relação de mão-única, mas uma entrega mútua. O sexo é eterno, por isso, cuide bem dele. Praticar o sexo não é errado, porém é inaceitável fazer dele algo vulgar, corriqueiro e fugaz. Se a sociedade entedesse o sexo dessa maneira não haveriam tantas intransigências não-naturais. Eu mesmo nunca pratiquei o sexo mútuo, e espero que esses conhecimentos que aprensento hoje se expandam exponencialmente quando puder fazê-lo. Pois o sexo exige preparação e conhecimento mútuo. Assim como o amor, o sexo requer a entrega de ambas partes num objetivo comum: a interação. Toda a união requer sacrifícios dos envolvidos. É absurdo a sociedade diferenciar, em uma mesma atividade, o sexo do amor. Ambos representam a união, e como foi dito, o sexo não deve ser tratado apenas no sentido físico, mas em sentido completo. O casamento é uma preliminar do conhecimento íntimo, e se faz necessário para representar a tamanha importância da decisão que será tomada a seguir, devido a uma evolução social que não analisa o devido peso de um encontro sexual. E mesmo sob tantos aspectos impactantes do casamento formal, ainda há aqueles que o derespeitam. Decididamente nem todos estão prontos para assumir uma responsabilidade desta gravidade. O sexo é o ato máximo de amor, em que a entrega física supera qualquer contrato ou acordo, devido ser sagrado em todas as suas instâncias. Como vemos na história, sacrifícios corporais são os de maior consequência em um meio social, haja vista o próprio Jesus, em que sua crucificação significou para os cristãos a libertação, o sacrifício máximo em favor do ideal da salvação da humanidade. Mesmo que alguém não acredite na Bíblia sabe que este sacrifício é o maior que pode ser feito por um homem: entregar a própria humanidade em favor de um propósito. Isso torna o homem santo: o sacríficio (de sacrum = sagrado e ficius = fazer, tornar). Isso faz do sexo santo. Para os leitores: biscoito!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Golem

O conto místico do judaísmo relata a criação de um monstro a partir do barro por um homem. Com o passar do tempo o monstro se rebela e ataca seu criador, cabendo a ele decidir se destrói ou não aquilo que criou. Osama bin Laden, ex-número-um da lista dos mais procurados, é, aliás, era um exemplo vivo desse conto. Durante a Guerra Fria, final da década de 70, no processo de democratização do Afeganistão, as forças soviéticas apoiavam o novo governo, enquanto Osama participava de um grupo rebelde separatista. O Taliban, regime conservador radical, já existia e criara uma nova jihad (guerra santa islâmica). Financiado pelos Estados Unidos da América (do Norte) e pela Arábia Saudita, e recebendo treinamento tático especial da CIA, os soviéticos são expulsos da região. Essa atitude já é velha conhecida do caráter estado-unidense de se meter em tudo que não lhe é de direito, além do característico furor pelo autoritarismo em países que lhe são servos. Nasce a Al-Qaeda, chefiada por Osama, e a desordem se instala no Afeganistão. O rompimento da amizade árabe-americana ocorre no Guerra do Kuwait, anos 90, quando Osama ataca sua ex-chefia, interessada em impedir a dominação das áreas petrolíferas pelos iraquianos de Saddam Hussein. Daí em diante, todos sabem quem foi Osama bin Laden, o algoz das Torres Gêmeas. Muito embora a família bin Laden, de origem saudita seja, por incrível que pareça, uma das mais respeitadas pelos estado-unidenses. Nova Iorque, atacada por Osama, é reduto de vários de seus próprios familiares. O pai dele, originalmente camponês, hoje um magnata do ramo imobiliário. Obviamente, tanto a fortuna particular da família bin Laden, quanto a ação conjunta das forças estado-unidenses na região árabe provém, nada mais, nada menos, que do petróleo. Detentora das maiores e melhores jazidas de petróleo do mundo, a Arábia Saudita é, além do país mais ultra-conservador e totalitário islâmico, o escritório tanto de forças terroristas quanto de conglomerados empresariais de origem árabe. O sistema é simples: com a venda do petróleo, centenas de bilhões de dólares americanos entram em solo árabe, gerando empresas diversas, e financiando as jihads, eventos comuns ao Islã, que prezam pelo controle das atividades de diversos países. Uma região onde Estado e Religião misturam-se de maneira tão ávida, não faltam desculpas para genocídios. Nos últimos dias, recebemos a notícia da morte de Osama bin Laden, o ex-líder da Al-Qaeda. Sim, Osama já estava velho, com saúde frágil, não podendo permanecer em plena atividade. Mas, para os estado-unidenses, a promessa de Bush, ex-presidente, ex-diretor da CIA, e ex-acionista de uma empresa de exploração de petróleo, da guerra contra o terror, deveria ser cumprida. Nada melhor que Obama, primeiro presidente negro, de sobre-nome Hussein, com apenas 10 meses para uma nova eleição, para cumprir o papel de justiceiro-americano. A localização de Osama já era conhecida há meses. Sua afiliação com o governo paquistanês é mais antiga ainda. Se, e somente se, sua morte for verdadeira, dadas as condições extremamente duvidosas sobre o finado terrorista, das quais: o ato de utilizar uma mulher como escudo-humano; ter seu corpo sido jogado ao mar, sem necrópsia ou qualquer procedimento legal; a preservação de uma suposta prova de DNA, sem a participação de organismos internacionais, etc. Osama era apenas um ícone, uma representatividade do terrorismo ao redor do mundo. Não tinha mais nenhum papel em atividades militares ou políticos. Era, por assim dizer, um aposentado. Eu, ferrenho opositor dos Estados Unidos e crente a respeito de teoria de conspiração, pergunto: quem é o terrorista aqui? Pelo menos Osama teria uma fundamentação religiosa, ainda que equivocada, sobre seus modos de vida, que são, no meio árabe, extremamente normais. Mas e os estado-unidenses? E suas políticas internacionais? E suas metodologias de ação militar? Estão interessados na paz ou na guerra? Eles protegem cidadãos ou assassinam estrangeiros? Preservam a justiça ou seus próprios interesses? Invadem países como o Iraque a procura de armamento de destruição em massa, ou usam esse álibi para fantasiar sua intenção autoritária? Se querem a democracia, por que financiam governos monárquicos e se aliançam com líderes fanático-religiosos? Quem criou Osama bin Laden, o terrorista internacional? Já dizia Cazuza, "eu vejo o futuro repetir o passado ... eu vejo um museu de grandes novidades ... suas ideias não correspondem aos fatos". Enquanto cidadãos estado-unidenses festejam aos brados de "USA!", na verdade eles apoiam e veneram os maiores terroristas que o mundo e a história já tiveram notícia. Eles mesmos. Seus líderes. Toda uma nação envolta em um véu de falsas verdades. "The history is written by the victors".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Counter-Strike Strikes Back!

"De novo! De novo!" Quem viu Teletubbies, conhece essa. E uma vez mais, se você procurar no Google "games", ele vai dizer: você quis dizer "matador, psicopata ou assassino em série com distúrbios mentais". É, jogador sofre. Não importa se é Atari, PS2 ou Wii, já virou coisa normal quando um louco, jovem e feio, dá uma de "Exterminador do Futuro" e mata criancinhas, os games sempre vão levar a culpa. Nunca é o lar desestruturado, ou o histórico de distúrbio psicológico, ou ainda o passado violento, ou as drogas, se o "elemento" tem um pc ou video-game em casa, ele é um viciado maníaco com dificuldades de delimitar realidade de fantasia. Tudo bem, podem me chamar de sociopata. Nunca é a sociedade de valores banalizados a culpada pelos erros de suas próprias criações insanas. E pra consertar, começam a proibir jogos de tiro, degeneram jogos de RPG, etc. Nem os "Sim's" escapam ao desejo incessante de se fazer "justiça". Parece até que o Beira-Mar foi criado jogando GTA, ou o Maníaco do Parque conheceu Playboy: The Mansion. O que se falar de Collor, que deve ter jogado muito Bonanza Bros. quando jovem. Coitados dos RPG's, esses sim sofrem. É ligação com Satanás, Baal, e todo o tipo de simbologia herética que se pode achar. Parando pra pensar: quem cria os jogos? Cidadãos como eu e você, caro leitor. O que os jogos representam? Assim como os livros, são embasados no cotidiano vigente da sociedade, e tem representado as ambições e desejos de todo o tipo de pessoa. Quem consome os jogos? Todos nós, jogadores compulsivos ou não, que veem neles, nossos ideais materializados. Seja matando monstros e derrotando deuses de modo inacreditavelmente sangrento e compulsivamente instigante em God of War, seja plantando desde capim até maconha na Mini Fazenda (ou Mini Favela). Todo mundo quer cumprir objetivos, realizar missões, enfim, se sentir útil, com um propósito, uma meta a atingir e, obvialmente, gabar-se dele na frente dos outros com quem ela convive. Por que você acha que suas atualizações aparecem no orkut, ora essa? Essa "Caça aos Games" se fundamentaliza no fato de que o usuário pode ser deslocado da realidade e perder o controle. Por favor, isso é ridículo! Parece que os games são como drogas injetáveis, ou bebidas alcoólicas, ou cheiro de comida feita na hora pela avó! Admito que durante as horas que alguns se encontram zerando algum jogo, podemos perder a fome, o sono (ainda que o nervosismo dê muita vontade de urinar), mas isso é absurdo! Então posso dizer que os casos de assassinatos banais que vemos todos os dias são motivados por games, o que é uma inverdade absoluta. Se games criassem monstros, meus amigos, eu seria um mix de Kratos (God of War), CJ (GTA), Prince (of Persia), Samanosuke (Onimusha), Arthas (WarCraft), Yuna (Final Fantasy) e Tom Clancy's (homônimo), o que, para ser absolutamente sincero, é assustador. Mas chega a ser óbvio esse tipo de atitude. É totalmente mais fácil acusar games do que família, medicina, religião, sociedade e passado. Causa menos dor de cabeça, o que é fato. Querendo ou não, os games são o espelho da sociedade em que vivemos. Eles imitam atitudes, pensamentos, emoções e ações do passado, simulam as presentes e preveem as do futuro. A fantasia copia a realidade, e possibilita alcançar coisas impensáveis no meio de toda a cultura ao nosso redor. Basta um botão. As drogas não são porque alucinam ou confundem, mas sim porque transcendem os limites e nosso consevadorismo é totalmente avesso a isso. Pregamos liberdade mas somos escravos. Somos mais facilmente manipuláveis. Extremamente mais. Para mudar nossos modos, precisamos reinventar a sociedade. E os games são apenas espectadores nessa história. Se queremos mudar os games, façamos o seguinte: mudem-se a si mesmos.  A hipocrisia está em alta. Pense em mudá-la.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Bem-vindo ao Planeta dos Macacos

Meu Deus! Aonde nós chegamos? Ou melhor, onde ainda estamos, porque acho que não saímos muito do início. O homem nunca foi muito bom em fazer as coisas mesmo, a saber nossa própria história denota momentos de pura preguiça e desprezo por fazer algo, mas sim deixar acontecer, seguindo os conhecimentos de "Murphy", ou seja, da pior forma possível. Colocando os pingos nos is agora: em que momento funesto da existência humana passamos a discutir o destino de um primata? Pior ainda: o juiz, o ente judiciário de tamanha demência que diz que o símio não precisa ser transferido devido a ausência de civilidade por parte do mesmo, a um local onde viverá em grupo. Talvez demência maior seja a necessidade do necessitado tratador em expor uma situação dessas ao "Ministério Público". Ou ainda maior da administração do zoológico que não permitiu a transferência. Ou mais ainda do ser abestado que está escrevendo um post sobre essa insanidade. Irracionalidades a parte, o que ser civilizado tem a ver com macacos que vivem em grupos? A criatura, digo, o juiz, quase chamou Darwin de volta a terra, quase reescreve a "Evolução das Espécies", só para classificar o macaco como não-evoluído, só por causa da má vontade em dizer sim, e obrigar ao zoologíco adversário aceitar o conterrâneo sr. Tião, o legítimo governante deste estado chamado Rio de Janeiro (que Deus o tenha, ámem). O que evolução tem a ver com toda essa bagunça? Afinal, tem sim, pois só alguém não-evoluído como o "Meritíssimo" juiz, desembargador, sejá lá que raio ele for, dá preferência a questões de macacos, a assuntos de interesse da população em geral. Só uma população alienada como a nossa para dar crédito a esse tipo de informação estapafúrdia ao invés de, perdoem o termo, "descer a porrada" nessas repugnâncias chamadas "pessoas públicas" que espalham a pestilência da morosidade e abstinência moral no seio daquilo que deveria ser chamado "Justiça". Torço fielmente para que a obra-prima do cinema que faço referência seja uma realidade um dia. Aliás, uma metáfora sobre o ciclo da humanidade, onde as classes escravas tomariam o poder a força, fundando uma sociedade particularmente parecida, perdendo os valores reais do início, perpetuando a desgraça humana, mas mesmo assim, demonstrando um ínfimo desejo de derrubar a autoridade vigente, apenas para fundas uma semelhante, com nomes diferentes. Na História, isso já ocorreu em diferentes momentos, e permanece ocorrendo, perfazendo a "dança de Shiva", da construção e destruição do universo. Mas quando os macacos, que não somos nós exatamente, tomarem o poder, de fato, é o declínio, a queda suprema de nós, seres estúpidos e ignorantes, altivos que acham que são racionais. Particularmente, pela atenção que os primatas recebem em assuntos torpes eu preferia ser um babuíno, pois além da óbvia liberdade da nudez indiscriminada, teria uma sociedade assistindo minhas idas e vindas. Quase pereço o "Beira-Mar", o que chega a ser cômico pois só um elemento de tal destrutibilidade recebe tal atenção alheia. Ser racional é valorizar o destrutivo ao invés do construtivo? Lendo os jornais, percebemos que sim. Viva a irracionalidade então. No fim, quem é o irracional? O pobre símio, ou toda esse cancêr representado por entidades do nosso círculo social dominante? Façam suas apostas. No fim, todos perdem. Se isso é evolução, prefiro a revolução, mesmo que seja dos bichos! Esse é o admirável lixo/mundo velho/novo que você quer compartilhar? Racional mesmo, quem sabe o Mano Brown seja. Até quando este estado de espírito vai permancer? Nos vemos no Apocalipse!

[Este post foi escrito enquanto ouvia "System Of A Down"]

terça-feira, 22 de março de 2011

Moda adiposamente polêmica

Ultimamente, percebi o seguinte fato: gordo é normal. Perguntam-me: por quê? A assertiva provém da situação corriqueira dos bebês que, ao nascerem, são categorizados por seus índices de gordura. Em outras palavras, se o bebê é magro, é feio e doente, o que nem sempre é verdade. Por outro lado, bebês rechonchudos são considerados saudáveis e comumente chamados de "gostosos", o que também nem sempre é uma afirmativa de bases sólidas. O contraste é assombroso com as noções de beleza, e ainda "gostosura", na fase adolescente-adulta, quando a magreza e silhuetas mais distantes do formato "bujão" são muito mais bem-vindas. O conceito arcaico favorável as camadas adiposas advém da época renascentista, na qual obras de arte representavam, exclusivamente, figuras femininas mais esféricas, enfaticamente, na região do ventre. A atualidade "fashion" advoga pelo extremo contrário, em que bulimia e anorexia são transtornos alimentares quase idolatrados pelas massas. De um lado obesidade, do outro "esqueletices". No Brasil, há algo ainda mais singular: o exagero na região dos glúteos femininos é idolatrado de tal forma que outros atributos chegam a ser omitidos. Ainda que volumes maiores nas nádegas terminem, quando idosas, na forma de "tanajuras". A magreza exarcebada, ou ínfima adiposidade, encaixa-se, de fato, a indústria têxtil, pois, para uma mesma peça, utiliza-se menos material em relação aos tamanhos XGG, ou 52, podendo salinizar o valor com a adição da marca da grife, sua identidade monetária, ou seja, uma melhor relação custo/benefício; ao passo que, no conceito de atrativo sexual, grandes porções de gordura podem significar: (1) maiores chances de sobrevivência, dada a maior resistência corporal, (2) maior fertilidade, segundo o conhecido ditado "ancas (quadris) largos, boa parideira", (3) maior desejo pela parceira, segundo a presença das chamadas "carnes", boçalmente descritas como maiores áreas erógenas (o lance de "apalpar" e até mesmo dar "tapinhas", entra aqui), quando comparadas. Lembrando que o Renascentismo é ulterior a Peste Negra, ou seja o apelo reprodutor era mais enfático, absolutamente contrário atualmente, segundo os mesmos argumentos. Talvez a superpopulação mundial deva-se ao descontrole do libido, conflitável entre ambas vertentes. Particularmente, sou adepto do conceito tradicional de beleza: o equilíbrio. Mas mesmo este é relativo, pois afinal o que não é relativo? A interpretação é chave da consciência. E, esta interpretação permanece, na maioria, uma característica manipulável em larga escala. Exemplo disso: a mídia internacional anoréxica é o alvo primário da população psicologicamente afável as tendências, geralmente aqueles de maior poder aquisitivo; e nacionalmente, a "bunda" voluptuosamente avantajada é preferível as massas, pois estas não podem comprar tanto, logo preferem o coito, fruto de um apelo sexual mais facilmente tangível. Ambas diferem da minha noção particular de beleza, rigorosa em demasia, buscando, geralmente, traços sutis no contorno corporal feminino. Não cito a falange masculina de beleza, pois esta permanece intangível através dos séculos: a chamada "barriga-de-tanquinho" é preferência de 8 em 10 fêmeas. Uma minoria acha a "pançinha", um atrativo tão sexy quanto a dita cuja. E, embora a maioria não defina, exatamente, os "parrudos" como satisfatórios, não há divergência quanto ao tipo físico dos símbolos sexuais masculinos, brasileiros ou não. Estonteantemente difuso em se tratando do sexo feminino como um todo. Fatores como tamanho ou design de genitálias não se inserem neste artigo, ainda.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Nippon-koku

Ironicamente, tudo que ocorre no Japão, a despeito de sua área territorial, é bastante, digamos, exagerado. Bem como sua grande fama em diversos ramos, como: informática, música, engenharia, alimentos, política, cultura, religião. 1923, Kanto. Terremoto de 8,0 na escala Richter. 1929. Crise econômica devido ao "crash" em Nova Iorque.  1945, Hiroshima, Nagasaki. 2 bombardeios nucleares. 1995, Kobe. Terremoto de 7,0. Exemplos da "dança de Shiva", ou "dança do universo". Destruição e reconstrução. 2011. Terremoto de 9,0. Tsunami. Acidente nuclear. Dificuldades econômicas. Um "ippon" no Japão. Digamos que eles estão relativamente acostumados a problemas de grande porte. De fato, a tão falada preparação do país para estes tipos de desastres pode ter salvado muitas vidas. Sim, poderia ter sido pior. Mas só um sistema de previsão quase cristalino poderia denunciar a tempo de algo mais que um grito a consumação da anomalia em grande escala vista. E o movimento tectônico não é algo muito previsível. Não é como uma TPM, que mensalmente, atinge as mulheres. Comparação cabível seria um surto psicótico em um cidadão pacato do interior de qualquer lugar do mundo. Ao ouvir terremoto, lembra-se de Los Angeles, 1857, na falha de San Andreas. Sobre tsunami, Indonésia,  2004. Acidente nucleares, Chernobyl, 1986. São os piores eventos da História para cada tipo de desastre. Murphy: "Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível" . O número de mortos ultrapassará, sem dúvida, a casa dos 20 mil. O rombo energético já se inicia com o racionamento de combustíveis. Crise econômica é uma questão de tempo, com a óbvia alta da inflação devido a injeção de moeda. Falta de alimentos já é uma realidade. Êxodo populacional devido a destruição de cidades inteiras, sem contar a ameaça radioativa. Ainda que em um celeiro de falências, é incomum a ausência da severidade japonesa. Podem-se ver habitantes desabrigados, solitários, e muito embora, o desespero real ocorreu nos instantes iniciais dos eventos catastróficos. Em seguida, aparente tranquilidade. Para os crentes, 2012 é um sinal. Para os céticos, só mais um ano. Francamente, o Japão sofreu um grande golpe das próprias condições naturais. Sua localização sempre periculosa na crosta terrestre. A vulnerabilidade estrutural do território. Presença de vulcões, ainda que fora de atividade. Testumunham-se eventos de ordem natural ao planeta, ainda que anti-natural a manutenção da existência humana no mesmo. Mas, como pode-se observar, e corroborar, que esta espécie é duradoura e adaptável a condições extremas de convivência e civilização. Quanto mais ao próprios japoneses, exemplos de sustentabilidade existencial. Como a "terra do sol nascente", não resta dúvidas que ainda não findou o tempo do Japão. Mesmo se seu arquipélago fosse engolido, um país pode deixa de existir, ainda que a nação permaneça enquanto houver resquícios de sua cultura. Itte irashai!

terça-feira, 1 de março de 2011

Diferenças

Sou homem, ela mulher
Ambos de outubro

Sou irônico, ela direta
Falo demais
Ela guarda mais para si

Sou bobo, ela sensata
Danço sozinho
Ela dança bem melhor

Sou extenso, ela concisa
Entendo de games
Ela de como se vestir

Sou chato, ela sabe medir as palavras
Gosto do ortodoxo
Ela de ousadia

Sou tranquilo, ela agitada
Curto grupos
Ela prefere individual

Sou crítico, ela relax
Sobrenome timidez
Ela simpática

Sou dado a antiguidades
Ela ao novo e moderno

Sou concentrado, ela dilui as vezes
Como tudo ao mesmo tempo
Ela uma refeição por período

Sou aberto, ela fechada seletiva
Torço pelo Flamengo
Ela pelo Internacional

Sou escandaloso, ela comportada
Faço piada com tudo
Ela sabe dosar a comédia

Falo com o rosto, ela com os olhos
Gosto de abusar dos limites
Ela conhece bem os seus

Sou socialista, ela militar
Odeio estado-unidenses
Ela gosta do ar europeu

Homens não são iguais as mulheres
E não devem tentar entendê-las
Nem impor algo não-natural a elas
Ou julgá-las

Homens devem amar mulheres
Seja quais forem os defeitos
E até qualidades
Tudo é um questão de perspectiva

E a minha perspectiva é:
Eu amo Você

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Forja do Espírito

Esse é um post diferente. Quem achar que não entendeu bem, ou deseja saber mais sobre o assunto, entre em contato.

A ação do Espírito Santo pode ser comparada com a obra de um ferreiro. Tomemos o caso da espada, símbolo de força. Primeiro, ele seleciona, dentre muitas rochas de tamanhos, tipos e formas diferentes, aquela que se adequa ao seu serviço, aquilo que ele deseja construir. Você foi escolhido a dedo, no meio de um mundo em que poderiam haver pessoas mais capacitadas que você, mais bonitas e até mesmo de um padrão social mais elevado. Mas há algo em você que Deus quer usar. Depois, o ferreiro limpa superficialmente a pedra, livrando de poeiras, terra, restos de qualquer impureza externa que atrapalhará o trabalho futuro. Assim foi com cada um de nós. Ele nos tomou e retirou todos os costumes do mundo, nosso modo de falar, de se vestir, nosso modo de agir. Isso para que a obra dele fosse completa e desejássemos menos aquilo que o mundo tem a cada dia que passasse. Em seguida, é acendida a fornalha, para que a rocha, que contém o metal, seja liquefeita (derretida), e a escória saia. Escória é a impureza presa ao interior da rocha, ou metal. São partes que não compõem sua a natureza e que, se deixadas ali, enfraquecem a peça a ser feita. O calor do fogo serve para provar a qualidade da rocha. Deus também usa o fogo para provar seus escolhidos. Logo assim que entramos na igreja, todas as dificuldades aparecem. Os antigos desejos mundanos lutam contra o espírito. É nessa fase que muitos não suportam e saem, enquanto aqueles que permanecem na luta, são limpos dos costumes mais presos dentro deles. O modo de pensar é purificado, ela tem maiores forças para resistir as tentações. Tudo isso pois ela aceitou definitivamente que só Deus pode salvá-la. Quando a escória sai, o metal se torna puro, e pronto para ser manuseado. Nesta fase, o líquido é posto em um forma e deixado para esfriar brevemente. Depois do fogo, a pessoa percebe que as lutas já não são mais tão difíceis quanto no início da caminhada. Ela está tomando uma nova forma, um novo contorno, perfeito para que Deus possa trabalhar, para moldar. Ela está nascendo de novo. O metal, agora em brasa, é levado a bigorna e o martelo. Ali, o ferreiro irá preparar a estrutura da peça, achatando, dobrando, reaquecendo o metal diversas vezes, para fortalecê-lo e assegurar seu uso. Aqui entra o batismo. Daqui em diante, a pessoa deve aceitar Deus agindo sobre ela. É o último estágio antes do Espírito Santo. Se ela não quiser continuar é como se o metal se quebrasse, ao invés de fortalecer, e ele é simplesmente posto de lado. É substituído. O esforço do ferreiro neste estágio do trabalho é árduo, e até mesmo violento para aqueles que veem de fora. Mas, sem isso, há muitas chances do metal não resistir mais tarde. É a etapa dos jejuns, das orações, da leitura da Palavra, como nunca antes foi feito. É difícil, mas a cada passo ela está mais pronta para o futuro, para o Espírito Santo. Ao terminar o manuseio bruto, o metal é aquecido mais uma vez, agora com os contornos determinados. Não há arranhões, cicatrizes ou rachaduras. O martelo e a bigorna se encarregaram de eliminar tudo isso. Em brasa, o metal é mergulhado na água fria, não durante muito tempo, mas apenas o suficiente, cerca de 2 segundos, para que a temperatura deixe o metal inteiramente sólido. Agora sim. Depois de ser minuciosamente preparado, eliminando impurezas externas e internas, fortalecendo sua estrutura, provando sua natureza, a pessoa pode receber o Espírito Santo. Ela está inteiramente pronta para essa fase. Se fosse antes, ela não resistiria. O metal, mesmo depois de eliminadas suas impurezas, se fosse diretamente lançado na água, sairia torto e frágil. No primeiro momento estaria perfeito, mas qualquer choque certamente o partiria em pedaços. Por esse mesmo motivo Deus diz que cada um é tentado pela sua própria cobiça, algo que ele pode suportar. Deus sempre tem o tempo certo para você. Perceba que Deus tem diversos métodos para provar um coração, uma pessoa mas cabe exclusivamente a esse coração desejar ser moldado por Ele. Um bom ferreiro não erra na escolha da rocha a ser preparada. Quanto mais Deus! Se você está aqui é porque Deus conhece sua natureza, e cabe somente a você escolher: ser útil aos propósitos de Deus ou permanecer mais um neste mundo?