terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Saúde está infartando...

E enhuma das autoridades competentes tem a consciência de como isso pode ser fatal. Hospitais arruinados. Equipamentos sucateados. Profissionais impotentes. Demanda fora de controle. Todos os dias, meios de comunicação noticiam a derrota do SUS em tentar prestar um serviço essencial a população. A população não consegue ser atendida, peregrinando por hospitais, UPA's e postos de saúde. Não há uma organização na triagem de pacientes, amontoando vidas em corredores, demonstrando total falta de recursos e uma gestão inconsequente. Hoje, aproximadamente, a nível federal, o país investe cerca de 80 bilhões de reais em saúde. Um valor pequeno quando comparado ao ideal de 10% do PIB, do qual o governo se nega, publicamente, a conceder. O mesmo alega que não poderia fazê-lo pois senão iria ter de desviar investimentos em educação, por exemplo. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirma que "foi uma covardia a extinção da CPMF", decretada em 2007. Para aqueles que acompanham os noticiários, mesmo antes de 2007, a saúde continua sendo motivo de vergonha para a população. Com um PIB de 3,8 trilhões de reais, seria mesmo necessário um aumento na tributação para satisfazer essa necessidade? O problema é deficit de arrecadação ou má qualidade no aporte dos recursos? Dentro de poucos anos, a população idosa, que necessita de maiores cuidados, chegará a  quase 30% do total. Se o organismo público é incapaz de socorrer essa taxa (nem a atual ela suporta), por outro lado, o setor privado não quer tomar esse partido, haja vista a burocracia implementada pelos planos para afastar esse contingente de seus consultórios. Não apenas cobram valores sádicos, como exigem avaliações inconstitucionais para adesão de seus serviços. Ao mesmo tempo, até mesmo os médicos de redes privadas entraram em greve por reajustes salariais. O governo federal deixa claro que apoia a iniciativa privada: apresenta um péssimo serviço público e queda na tributação para as empresas. A criação de um novo imposto exclusivo da saúde seria até plausível se não houvesse opção privada para o mesmo serviço, ou pelo menos o incentivo fosse a favor do setor público. Essa situação precária não é solitária as grandes metrópoles, mas a todo brasileiro em território nacional. O superfaturamento, as fraudes nas licitações, os atrasos na votações, tudo converge para uma situação de doença terminal na estrutura de saúde. Os profissionais são incapacitados, a educação é defasada, a tecnologia é cara porque os investimentos permanecem paralisados por manobras pouco éticas, desvios de dinheiro, gestões enganadoras e promessas eleitorais não-cumpridas. O país deveria se preparar não apenas para o acréscimo de idosos, mas também para uma nova diretriz patológica que surge: a obesidade, que tem origem primariamente psicológica e desencadeia outras doenças no decorrer do tempo. Diabetes, hipertensão, doenças coronárias, respiratórias, cardíacas, além de outros distúrbios hormonais compõem a nova gama de necessidades que o sistema de saúde deverá suprir. Mas a situação vigente não deixa dúvidas de que essa atualização far-se-á tão lenta quanto possível, agravendo o círculo vicioso de uma saúde doente. Para a maioria pobre da população sobra: esperar em filas por atendimentos que não aconteceram ou apelar para medicina alternativa (desde o chá a reza-forte). Tudo isso pois o que impera no Brasil não é o presidencialismo, mas sim o patrimonialismo.

Governabilidade Incoerente

Quem se lembra dos debates pré-eleições, e ve as atitudes governamentais hoje, pode se perguntar quando as mudanças de discurso começaram a ocorrer. E essa pergunta pode ser respondida com um "tão logo venceu as eleições, Dilma já não era mais a mesma". Parece que a mesma dificuldade que ela tinha em organizar ideias, ela perdura em organizar seu próprio governo. A presidente (e não "presidenta", como alguns preferem denominá-la) não cumpriu (ainda) nenhuma de suas muitas promessas. Primeiro, as que deixavam o eleitor mais feliz: casa e emprego. O PAC, que fazia juras de amor a classe C, nem foi completo e já lançaram o PAC 2(quase uma volta dos que não foram). A expectativa mais corriqueira é que nem um nem outro se resolvam e a população prefira deixar a conclusão da saga para um próximo filme (quem sabe um "Dilma, a filha da Bulgária"), vislumbrando a primeira trilogia brasileira. Já na parte de geração de empregos, o Brasil viu a segunda "marolinha" exterior virar um prenúncio de "pororoca" interna, com uma ligeira desaceleração do crescimento, um ligeiro aumento da inflação, somado a decisões nada ligeiras, algo totalmente previsível por se tratar deste país continental, no qual, não é de hoje, as coisas se resolvem mais tarde do que deveriam. Relativamente as outras nações emergentes, falta uma dose de "Toddynho" para que o Brasil possa evoluir (mantendo uma progressão) e não "digivolver" (melhorando mas depois voltando ao estado original). Sem falar no "Yakut", que ajudaria a digerir toda a bagagem corrupta e evacuar, com mais facilidade, os seres indesejáveis dos organismos políticos. Por falar em corrupção, o tal "governo de coalizão", o tal  "eu não mexo contigo, e tu não mexe comigo" (algo parecido com falta de decência ou condescendêrncia) tem dado o que falar. Simplesmente "uma faxina não é a nossa prioridade agora". Incrível seria alguém dizer quando isso vai ser prioridade. Com o dolár valorizado tinha "mensalão na cueca", mas quando o real é que está valorizado,  tem "mensalão na calcinha", o que não é nada mais adequado quando temos uma senhora presidente. O mais cômico (e/ou trágico) seria que ambos acusados foram absolvidos, mesmo desrespeitando a higiene pessoal íntima, algo imprescindível na sociedade com valores tão avançados (será mesmo?) quanto os nossos. Sem falar na já falada Emenda 29, que foi votada, mas nada de CPMF, por enquanto. Alguém lembra de que "a saúde será umas prioridades do meu governo"? É estranho saber que algo como regularização de gastos com saúde ainda deva ser um assunto tão badalado. Poderiam votar emendas assim para todas as instâncias públicas, afinal até no lanche dado aos doadores de sangue tem superfaturamento, quanto mais no gordos salários de certos deputados e parlamentares aposentados, que triplicam seu auxílio enquanto a maioria sofre reajustes sempre negativos da Previdência. O Brasil gasta menos em saúde (vide hospitais), educação (vide escolas) e infraestrutura (vide estradas) que qualquer outro emergente, mas acha lógico reajustes salariais para os integrantes do TJF, enquanto salário mínimo engatinha tentando alcançar seu propósito impossível de satisfazer as necessidades básicas. Ainda falando de gastos absurdos, que tal citar um evento de grande porte: A Copa do  Mundo. Ecos do passado diziam que "a Copa será financiada pela iniciativa privada" e "o brasileiro não pagará as contas", algo bem diferente dos bilhões de reais investidos em obras de reformas e criação de novos estádios, além de pedreiros e população insatisfeitos. E, para monotonia natural do brasileiro, a Lei Geral da Copa ainda poderá tornar as coisas mais salgadas por aqui. A FIFA não quer saber de meia-entrada, quer feriados em dias de jogos e até a alimentação vendida nos estádios quer controlar. Parlamentares já disseram que há "inconstitucionalidade" nas diretrizes, mas seria muito menos lógico e moral, ver Sarney presidindo o Senado, afinal, "constituição" é um termo ausente/inexistente para a maioria dos nossos colegas. Ouvir uma presidente formada em economia e ex-chefe de Casa Civil dizer que "o país precisa cortar gastos" e "as grandes potências sofrem pois não sabem organizar suas finanças" deixando todo esse rombo orçamentário passar em branco é, no mínimo, incoerência ou, no máximo, inocência.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A Volta Dos Que Não Foram

Agente sempre se pergunta se as coisas vão durar pra sempre:
Se a série que você assiste vai durar pra sempre...
Se seu bichinho de estimação vai durar pra sempre...
Se seus pais vão durar pra sempre...
E se o petróleo vai durar pra sempre também...

O engraçado é como tudo que perguntamos se vai durar pra sempre são exatamente as coisas que não irão durar pra sempre. Talvez, intimamente, acreditemos que o nosso ambiente não vá mudar. Ou, com certeza, não queiramos que ele mude. E, por mais que mudar seja necessário, sentimos saudade dos tempos que já passaram, das coisas que perdemos. Afinal, em algum momento aquilo fez parte do que nós somos, e moldaram aquilo que nos tornamos em seguida. De algum modo, tudo pelo que passamos compõe exatamente tudo que somos hoje, ou que seremos amanhã. Todos concordam que experiencias ruins nos ensinam, mas e as boas? E quando aquele momento de felicidade e prazer vai embora, e você nem sabe se um dia vai voltar? Aquele amor, tão bonito e sereno, que você tem que suportar estar longe, ou mesmo perto, e nada poder fazer. E quando os olhos se encontram, e o sorriso tão comum a esses momentos tem que se tornar um simples aceno de cabeça ou um cumprimento sem emoção. Será mesmo que é melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado? É intrigante como simples palavras podem mudar toda uma vida, e o modo de entendê-la. Toda nossa vida se resume, em tantos momentos, aquilo que conquistamos, que quando perdemos algo, por menor que seja ou pareça ser, passamos a viver sob esse estigma. Ainda mais quando aquilo que estava no "top 5" dos seus objetivos vai embora. Ainda mais quando não é só você que sente essa perda. E ainda mais quando você sabe que não pode continuar sem ela ao seu lado. As pessoas se separam por diversos motivos. E, por pior que sejam os erros cometidos, a situação nunca é fácil de se lidar. A solidão, o apego, o carinho, tudo que tanto felicitava, agora precisa ser deixado e, as vezes, esquecido. O que tanto se queria ser eterno acaba se descobrindo tão efêmero, curto e ínfimo, e ao mesmo tempo tão complexo de ser passado adiante. Dias passam, mas tudo que um dia foi feito em nome de um amor não se esquece. E, como no início, é nessas horas que mais aprendemos. Aprendemos tudo o que achávamos não sermos capazes de aprender. Entedemos que precisamos amadurecer, mas pra isso precisamos viver. Não é preciso ficar só, só pra se viver. E é aí, nesse instante, que voltamos ao início, e compreendemos que o invisível é eterno.