Sexo! Algo que atrai a atenção da maioria dos seres humanos. Embora poucos possam compreender devidamente o que ele significa para a existência. Sim, além do significado sagrado do meio para a perpetuação de uma espécie, qualquer que seja ela, a procriação é algo de suma importância tanto no sentido físico quanto no que poderiamos denominar espiritual. Por que dizemos que um casamento só está consumado depois da noite de núpcias? Por que, quando um casal não-casado oficialmente vive em união, ou coabita, em termos mais arcaicos, dizemos que já são casados? O vocábulo "coabitar" literalmente se refere a convivência, a coexistência entre seres, se referindo ainda ao que chamamos de ato, ou relação, sexual, ligando a intimidade ao que entendemos pela convivência dos mesmos. Em tempos remotos, a coabitação já poderia designar a constituição da família: pessoas que vivem em união, compartilhando bens, prezando pela continuidade da união por meio tanto do sexo procriático, como para o prazer. Muitos cabeças de família poderiam oferecer os "serviços" de sua companheira como hospitalidade a um estrangeiro ou visitante. O simples ato do pai da noiva levá-la ao altar representa a união não só dos cônjuges mas, inclusive de ambas famílias. Já ouvimos a expressão que quem namora ou casa com alguém, não o faz apenas a esta, mas a família inteira. Até o termo "casar" deriva de "casa", moradia ou habitação, tão logo, quando alguém se casa, é compreensivo que residam no mesmo lugar, partilhando uma vida a dois mais exclusiva. A eternidade citada nos votos do casamento faz referência também a aliança entre as famílias dos noivos, pois sendo eterna, captamos que o interesse na união seria uma durabilidade estável aos objetivos familiares que torna-se-ião comuns. Fugindo da etimologia das palavras, o fato decisivo do "casamento" é a consumação sexual, em termos físico e espiritual, dos seres envolvidos. Na Bíblia, Jesus afirma que o ato sexual é uma união poderosamente espiritual, em que os envolvidos estariam eternamente ligados, chegando ao ponto de o simples ato de pensar pode consumar esse ato. Nos moldes da fé cristã, pensar encontra-se extremamente perto de obter, segundo os Evangelhos, o que justifica a advertência feita acima. Hoje em dia, com a banalização dos relacionamentos, e até mesmo da sexualidade, o sexo tornou-se vulgar, embora seu poder não tenha sido perdido, apenas esquecido. Ainda em consulta a Bíblia, esta afirma que o casamento é a união do homem e mulher, de modo a tornarem-se um apenas, remontando a Criação. Claramente, essa conotação, no sentido físico, só ocorre durante o coito, mais precisamente na penetração vaginal, permitindo tanto a procriação quanto o prazer. O resultado desta união traz a luz uma nova vida, o produto dos fatores envolvidos, assim como a descoberta de uma maior intimidade entre os parceiros. Percebe-se aí o sentido de eternidade mais uma vez denotado, agora na genitura. É óbvio que o sexo não se restringe a procriação, como prega a Igreja Católica, pois então a femêa seria absolutamente fértil toda uma vida; nem compete a um ato totalmente pecaminoso, mas que deve ser realizado obedecendo os devidos cuidados, assim como tudo que fazemos, pecado ou não. O prazer, em sua total extensão, absorve valores mais espirituais se analisada propriamente. Praticante do sexo tântrico, modalidade que julga desnecessária a penetração para o obtenção do prazer, afirmam que atingem o "nirvana", estado de esclarecimento espiritual total, uma aproximação do divino, durante os orgasmos, que são múltiplos e intermitentes. Esse tipo de atividade admite que a exploração do corpo do parceiro gerando estímulos sensoriais orgásmicos que transcendem o espaço físico, transportando os parceiros a um estado elevado de conhecimento mútuo, característico pela espiritualidade, ainda que o procriação não seja possível. Fugindo do sentido sexual machista da sociedade machista que vivemos, em que a satisfação mútua é dificultada, o conhecimento da relação em suas raízes permite uma nova perspectiva. Aqui se encontra a fundamentação do casamento: o sexo. Não apenas um instante de fricção corporal, mas a instalação de uma cooperatividade ainda não atingida. Quando as palavras materializam-se no ato íntimo. Em cultos antigos, o sacrifício da virgem caracteriza a união da divindade a humanidade. O Minotauro representa bem isso. A união da rainha de Creta ao deus em forma de touro, e o consequente nascimento da fera incorrem na natureza deste ato. Partindo a um lado mais científico, o rompimento do imên tem significado semelhante. Uma barreira pré-formada pelo próprio corpo é rompida durante a invasão do corpo do parceiro, sob a permissão da parceira. É sabido que a musculatura vaginal é tão poderosa que pode paralisar a passagem do pênis ao colo do útero. Somente um ato de disposição total, um sacrifício completo, pode compreender o poder do sexo. Por isso, atualmente, o orgasmo feminino requer a desenvoltura exata do parceiro em relação a mesma, enquanto o orgasmo masculino chega a ser ridiculamente mais rápido de se alcançar e ao mesmo tempo tão curto. No sexo pelo sexo, o prazer é apenas um fator/consequência. No sexo total, em que a mente, o corpo e o espírito encontram-se ligados firmemente no sentido da intimidade e do conhecimento, o prazer é aflorado de modo natural e completa. Ai há o verdadeiro casamento, a sintonia inteiriça dos indivíduos. O casamento não é uma cerimônia coletiva, uma troca de alianças, ou um comprometimento assinado em papel. O casamento não é um contrato formal. O que compreendemos como casamento se trata da estabilidade da união social. É uma consequência da frivolidade humana pela sensualidade exagerada. É um tratado contra a infidelidade, pois esta não interfere apenas no praticante, mas na união formada de homem-mulher. É um voto de segurança entre os participantes. Todo o simbolismo da cerimônia formal representa o encontro sexual futuro. As vestiduras brancas (a pureza virginal), o véu (o imên), os juramentos (a ligação homem-mulher), a aliança (pois o homem não utilizava aliança, apenas a mulher, representando a sua penetração em relação ao homem). Até mesmo a dança dos noivos (dança do acasalamento) remonta o ritualismo do sacramento. O sexo é sagrado, por isso chamamos de sacramento nupcial. A dança do ventre, hoje considerada até mesmo um esporte, era a preparação tanto da noiva (uma amostra corporal do poder feminino) quanto do noivo (no sentido da excitação) para o sexo. Se o sexo fosse praticado seguindo tais prenúncias, tanto a infidelidade quanto a "rotina" não seriam constantes no casamento, pois cada relação, tanto do sexo físico quanto do mental (sentimental) e espiritual compreenderiam a novidade da descoberta e ainda cumpriria a meta de elevação do homem ao divino, seu desejo mais íntimo que qualquer outro. O sexo não deve ser tratado com trivialidade, mas com respeito. O sexo não é uma relação de mão-única, mas uma entrega mútua. O sexo é eterno, por isso, cuide bem dele. Praticar o sexo não é errado, porém é inaceitável fazer dele algo vulgar, corriqueiro e fugaz. Se a sociedade entedesse o sexo dessa maneira não haveriam tantas intransigências não-naturais. Eu mesmo nunca pratiquei o sexo mútuo, e espero que esses conhecimentos que aprensento hoje se expandam exponencialmente quando puder fazê-lo. Pois o sexo exige preparação e conhecimento mútuo. Assim como o amor, o sexo requer a entrega de ambas partes num objetivo comum: a interação. Toda a união requer sacrifícios dos envolvidos. É absurdo a sociedade diferenciar, em uma mesma atividade, o sexo do amor. Ambos representam a união, e como foi dito, o sexo não deve ser tratado apenas no sentido físico, mas em sentido completo. O casamento é uma preliminar do conhecimento íntimo, e se faz necessário para representar a tamanha importância da decisão que será tomada a seguir, devido a uma evolução social que não analisa o devido peso de um encontro sexual. E mesmo sob tantos aspectos impactantes do casamento formal, ainda há aqueles que o derespeitam. Decididamente nem todos estão prontos para assumir uma responsabilidade desta gravidade. O sexo é o ato máximo de amor, em que a entrega física supera qualquer contrato ou acordo, devido ser sagrado em todas as suas instâncias. Como vemos na história, sacrifícios corporais são os de maior consequência em um meio social, haja vista o próprio Jesus, em que sua crucificação significou para os cristãos a libertação, o sacrifício máximo em favor do ideal da salvação da humanidade. Mesmo que alguém não acredite na Bíblia sabe que este sacrifício é o maior que pode ser feito por um homem: entregar a própria humanidade em favor de um propósito. Isso torna o homem santo: o sacríficio (de sacrum = sagrado e ficius = fazer, tornar). Isso faz do sexo santo. Para os leitores: biscoito!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Golem
O conto místico do judaísmo relata a criação de um monstro a partir do barro por um homem. Com o passar do tempo o monstro se rebela e ataca seu criador, cabendo a ele decidir se destrói ou não aquilo que criou. Osama bin Laden, ex-número-um da lista dos mais procurados, é, aliás, era um exemplo vivo desse conto. Durante a Guerra Fria, final da década de 70, no processo de democratização do Afeganistão, as forças soviéticas apoiavam o novo governo, enquanto Osama participava de um grupo rebelde separatista. O Taliban, regime conservador radical, já existia e criara uma nova jihad (guerra santa islâmica). Financiado pelos Estados Unidos da América (do Norte) e pela Arábia Saudita, e recebendo treinamento tático especial da CIA, os soviéticos são expulsos da região. Essa atitude já é velha conhecida do caráter estado-unidense de se meter em tudo que não lhe é de direito, além do característico furor pelo autoritarismo em países que lhe são servos. Nasce a Al-Qaeda, chefiada por Osama, e a desordem se instala no Afeganistão. O rompimento da amizade árabe-americana ocorre no Guerra do Kuwait, anos 90, quando Osama ataca sua ex-chefia, interessada em impedir a dominação das áreas petrolíferas pelos iraquianos de Saddam Hussein. Daí em diante, todos sabem quem foi Osama bin Laden, o algoz das Torres Gêmeas. Muito embora a família bin Laden, de origem saudita seja, por incrível que pareça, uma das mais respeitadas pelos estado-unidenses. Nova Iorque, atacada por Osama, é reduto de vários de seus próprios familiares. O pai dele, originalmente camponês, hoje um magnata do ramo imobiliário. Obviamente, tanto a fortuna particular da família bin Laden, quanto a ação conjunta das forças estado-unidenses na região árabe provém, nada mais, nada menos, que do petróleo. Detentora das maiores e melhores jazidas de petróleo do mundo, a Arábia Saudita é, além do país mais ultra-conservador e totalitário islâmico, o escritório tanto de forças terroristas quanto de conglomerados empresariais de origem árabe. O sistema é simples: com a venda do petróleo, centenas de bilhões de dólares americanos entram em solo árabe, gerando empresas diversas, e financiando as jihads, eventos comuns ao Islã, que prezam pelo controle das atividades de diversos países. Uma região onde Estado e Religião misturam-se de maneira tão ávida, não faltam desculpas para genocídios. Nos últimos dias, recebemos a notícia da morte de Osama bin Laden, o ex-líder da Al-Qaeda. Sim, Osama já estava velho, com saúde frágil, não podendo permanecer em plena atividade. Mas, para os estado-unidenses, a promessa de Bush, ex-presidente, ex-diretor da CIA, e ex-acionista de uma empresa de exploração de petróleo, da guerra contra o terror, deveria ser cumprida. Nada melhor que Obama, primeiro presidente negro, de sobre-nome Hussein, com apenas 10 meses para uma nova eleição, para cumprir o papel de justiceiro-americano. A localização de Osama já era conhecida há meses. Sua afiliação com o governo paquistanês é mais antiga ainda. Se, e somente se, sua morte for verdadeira, dadas as condições extremamente duvidosas sobre o finado terrorista, das quais: o ato de utilizar uma mulher como escudo-humano; ter seu corpo sido jogado ao mar, sem necrópsia ou qualquer procedimento legal; a preservação de uma suposta prova de DNA, sem a participação de organismos internacionais, etc. Osama era apenas um ícone, uma representatividade do terrorismo ao redor do mundo. Não tinha mais nenhum papel em atividades militares ou políticos. Era, por assim dizer, um aposentado. Eu, ferrenho opositor dos Estados Unidos e crente a respeito de teoria de conspiração, pergunto: quem é o terrorista aqui? Pelo menos Osama teria uma fundamentação religiosa, ainda que equivocada, sobre seus modos de vida, que são, no meio árabe, extremamente normais. Mas e os estado-unidenses? E suas políticas internacionais? E suas metodologias de ação militar? Estão interessados na paz ou na guerra? Eles protegem cidadãos ou assassinam estrangeiros? Preservam a justiça ou seus próprios interesses? Invadem países como o Iraque a procura de armamento de destruição em massa, ou usam esse álibi para fantasiar sua intenção autoritária? Se querem a democracia, por que financiam governos monárquicos e se aliançam com líderes fanático-religiosos? Quem criou Osama bin Laden, o terrorista internacional? Já dizia Cazuza, "eu vejo o futuro repetir o passado ... eu vejo um museu de grandes novidades ... suas ideias não correspondem aos fatos". Enquanto cidadãos estado-unidenses festejam aos brados de "USA!", na verdade eles apoiam e veneram os maiores terroristas que o mundo e a história já tiveram notícia. Eles mesmos. Seus líderes. Toda uma nação envolta em um véu de falsas verdades. "The history is written by the victors".
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Counter-Strike Strikes Back!
"De novo! De novo!" Quem viu Teletubbies, conhece essa. E uma vez mais, se você procurar no Google "games", ele vai dizer: você quis dizer "matador, psicopata ou assassino em série com distúrbios mentais". É, jogador sofre. Não importa se é Atari, PS2 ou Wii, já virou coisa normal quando um louco, jovem e feio, dá uma de "Exterminador do Futuro" e mata criancinhas, os games sempre vão levar a culpa. Nunca é o lar desestruturado, ou o histórico de distúrbio psicológico, ou ainda o passado violento, ou as drogas, se o "elemento" tem um pc ou video-game em casa, ele é um viciado maníaco com dificuldades de delimitar realidade de fantasia. Tudo bem, podem me chamar de sociopata. Nunca é a sociedade de valores banalizados a culpada pelos erros de suas próprias criações insanas. E pra consertar, começam a proibir jogos de tiro, degeneram jogos de RPG, etc. Nem os "Sim's" escapam ao desejo incessante de se fazer "justiça". Parece até que o Beira-Mar foi criado jogando GTA, ou o Maníaco do Parque conheceu Playboy: The Mansion. O que se falar de Collor, que deve ter jogado muito Bonanza Bros. quando jovem. Coitados dos RPG's, esses sim sofrem. É ligação com Satanás, Baal, e todo o tipo de simbologia herética que se pode achar. Parando pra pensar: quem cria os jogos? Cidadãos como eu e você, caro leitor. O que os jogos representam? Assim como os livros, são embasados no cotidiano vigente da sociedade, e tem representado as ambições e desejos de todo o tipo de pessoa. Quem consome os jogos? Todos nós, jogadores compulsivos ou não, que veem neles, nossos ideais materializados. Seja matando monstros e derrotando deuses de modo inacreditavelmente sangrento e compulsivamente instigante em God of War, seja plantando desde capim até maconha na Mini Fazenda (ou Mini Favela). Todo mundo quer cumprir objetivos, realizar missões, enfim, se sentir útil, com um propósito, uma meta a atingir e, obvialmente, gabar-se dele na frente dos outros com quem ela convive. Por que você acha que suas atualizações aparecem no orkut, ora essa? Essa "Caça aos Games" se fundamentaliza no fato de que o usuário pode ser deslocado da realidade e perder o controle. Por favor, isso é ridículo! Parece que os games são como drogas injetáveis, ou bebidas alcoólicas, ou cheiro de comida feita na hora pela avó! Admito que durante as horas que alguns se encontram zerando algum jogo, podemos perder a fome, o sono (ainda que o nervosismo dê muita vontade de urinar), mas isso é absurdo! Então posso dizer que os casos de assassinatos banais que vemos todos os dias são motivados por games, o que é uma inverdade absoluta. Se games criassem monstros, meus amigos, eu seria um mix de Kratos (God of War), CJ (GTA), Prince (of Persia), Samanosuke (Onimusha), Arthas (WarCraft), Yuna (Final Fantasy) e Tom Clancy's (homônimo), o que, para ser absolutamente sincero, é assustador. Mas chega a ser óbvio esse tipo de atitude. É totalmente mais fácil acusar games do que família, medicina, religião, sociedade e passado. Causa menos dor de cabeça, o que é fato. Querendo ou não, os games são o espelho da sociedade em que vivemos. Eles imitam atitudes, pensamentos, emoções e ações do passado, simulam as presentes e preveem as do futuro. A fantasia copia a realidade, e possibilita alcançar coisas impensáveis no meio de toda a cultura ao nosso redor. Basta um botão. As drogas não são porque alucinam ou confundem, mas sim porque transcendem os limites e nosso consevadorismo é totalmente avesso a isso. Pregamos liberdade mas somos escravos. Somos mais facilmente manipuláveis. Extremamente mais. Para mudar nossos modos, precisamos reinventar a sociedade. E os games são apenas espectadores nessa história. Se queremos mudar os games, façamos o seguinte: mudem-se a si mesmos. A hipocrisia está em alta. Pense em mudá-la.
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