sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sexo e Outras Drogas

Sexo! Algo que atrai a atenção da maioria dos seres humanos. Embora poucos possam compreender devidamente o que ele significa para a existência. Sim, além do significado sagrado do meio para a perpetuação de uma espécie, qualquer que seja ela, a procriação é algo de suma importância tanto no sentido físico quanto no que poderiamos denominar espiritual. Por que dizemos que um casamento só está consumado depois da noite de núpcias? Por que, quando um casal não-casado oficialmente vive em união, ou coabita, em termos mais arcaicos, dizemos que já são casados? O vocábulo "coabitar" literalmente se refere a convivência, a coexistência entre seres, se referindo ainda ao que chamamos de ato, ou relação, sexual, ligando a intimidade ao que entendemos pela convivência dos mesmos. Em tempos remotos, a coabitação já poderia designar a constituição da família: pessoas que vivem em união, compartilhando bens, prezando pela continuidade da união por meio tanto do sexo procriático, como para o prazer. Muitos cabeças de família poderiam oferecer os "serviços" de sua companheira como hospitalidade a um estrangeiro ou visitante. O simples ato do pai da noiva levá-la ao altar representa a união não só dos cônjuges mas, inclusive de ambas famílias. Já ouvimos a expressão que quem namora ou casa com alguém, não o faz apenas a esta, mas a família inteira. Até o termo "casar" deriva de "casa", moradia ou habitação, tão logo, quando alguém se casa, é compreensivo que residam no mesmo lugar, partilhando uma vida a dois mais exclusiva. A eternidade citada nos votos do casamento faz referência também a aliança entre as famílias dos noivos, pois sendo eterna, captamos que o interesse na união seria uma durabilidade estável aos objetivos familiares que torna-se-ião comuns. Fugindo da etimologia das palavras, o fato decisivo do "casamento" é a consumação sexual, em termos físico e espiritual, dos seres envolvidos. Na Bíblia, Jesus afirma que o ato sexual é uma união poderosamente espiritual, em que os envolvidos estariam eternamente ligados, chegando ao ponto de o simples ato de pensar pode consumar esse ato. Nos moldes da fé cristã, pensar encontra-se extremamente perto de obter, segundo os Evangelhos, o que justifica a advertência feita acima. Hoje em dia, com a banalização dos relacionamentos, e até mesmo da sexualidade, o sexo tornou-se vulgar, embora seu poder não tenha sido perdido, apenas esquecido. Ainda em consulta a Bíblia, esta afirma que o casamento é a união do homem e mulher, de modo a tornarem-se um apenas, remontando a Criação. Claramente, essa conotação, no sentido físico, só ocorre durante o coito, mais precisamente na penetração vaginal, permitindo tanto a procriação quanto o prazer. O resultado desta união traz a luz uma nova vida, o produto dos fatores envolvidos, assim como a descoberta de uma maior intimidade entre os parceiros. Percebe-se aí o sentido de eternidade mais uma vez denotado, agora na genitura. É óbvio que o sexo não se restringe a procriação, como prega a Igreja Católica, pois então a femêa seria absolutamente fértil toda uma vida; nem compete a um ato totalmente pecaminoso, mas que deve ser realizado obedecendo os devidos cuidados, assim como tudo que fazemos, pecado ou não. O prazer, em sua total extensão, absorve valores mais espirituais se analisada propriamente. Praticante do sexo tântrico, modalidade que julga desnecessária a penetração para o obtenção do prazer, afirmam que atingem o "nirvana", estado de esclarecimento espiritual total, uma aproximação do divino, durante os orgasmos, que são múltiplos e intermitentes. Esse tipo de atividade admite que a exploração do corpo do parceiro gerando estímulos sensoriais orgásmicos que transcendem o espaço físico, transportando os parceiros a um estado elevado de conhecimento mútuo, característico pela espiritualidade, ainda que o procriação não seja possível. Fugindo do sentido sexual machista da sociedade machista que vivemos, em que a satisfação mútua é dificultada, o conhecimento da relação em suas raízes permite uma nova perspectiva. Aqui se encontra a fundamentação do casamento: o sexo. Não apenas um instante de fricção corporal, mas a instalação de uma cooperatividade ainda não atingida. Quando as palavras materializam-se no ato íntimo. Em cultos antigos, o sacrifício da virgem caracteriza a união da divindade a humanidade. O Minotauro representa bem isso. A união da rainha de Creta ao deus em forma de touro, e o consequente nascimento da fera incorrem na natureza deste ato. Partindo a um lado mais científico, o rompimento do imên tem significado semelhante. Uma barreira pré-formada pelo próprio corpo é rompida durante a invasão do corpo do parceiro, sob a permissão da parceira. É sabido que a musculatura vaginal é tão poderosa que pode paralisar a passagem do pênis ao colo do útero. Somente um ato de disposição total, um sacrifício completo, pode compreender o poder do sexo. Por isso, atualmente, o orgasmo feminino requer a desenvoltura exata do parceiro em relação a mesma, enquanto o orgasmo masculino chega a ser ridiculamente mais rápido de se alcançar e ao mesmo tempo tão curto. No sexo pelo sexo, o prazer é apenas um fator/consequência. No sexo total, em que a mente, o corpo e o espírito encontram-se ligados firmemente no sentido da intimidade e do conhecimento, o prazer é aflorado de modo natural e completa. Ai há o verdadeiro casamento, a sintonia inteiriça dos indivíduos. O casamento não é uma cerimônia coletiva, uma troca de alianças, ou um comprometimento assinado em papel. O casamento não é um contrato formal. O que compreendemos como casamento se trata da estabilidade da união social. É uma consequência da frivolidade humana pela sensualidade exagerada. É um tratado contra a infidelidade, pois esta não interfere apenas no praticante, mas na união formada de homem-mulher. É um voto de segurança entre os participantes. Todo o simbolismo da cerimônia formal representa o encontro sexual futuro. As vestiduras brancas (a pureza virginal), o véu (o imên), os juramentos (a ligação homem-mulher), a aliança (pois o homem não utilizava aliança, apenas a mulher, representando a sua penetração em relação ao homem). Até mesmo a dança dos noivos (dança do acasalamento) remonta o ritualismo do sacramento. O sexo é sagrado, por isso chamamos de sacramento nupcial. A dança do ventre, hoje considerada até mesmo um esporte, era a preparação tanto da noiva (uma amostra corporal do poder feminino) quanto do noivo (no sentido da excitação) para o sexo. Se o sexo fosse praticado seguindo tais prenúncias, tanto a infidelidade quanto a "rotina" não seriam constantes no casamento, pois cada relação, tanto do sexo físico quanto do mental (sentimental) e espiritual compreenderiam a novidade da descoberta e ainda cumpriria a meta de elevação do homem ao divino, seu desejo mais íntimo que qualquer outro. O sexo não deve ser tratado com trivialidade, mas com respeito. O sexo não é uma relação de mão-única, mas uma entrega mútua. O sexo é eterno, por isso, cuide bem dele. Praticar o sexo não é errado, porém é inaceitável fazer dele algo vulgar, corriqueiro e fugaz. Se a sociedade entedesse o sexo dessa maneira não haveriam tantas intransigências não-naturais. Eu mesmo nunca pratiquei o sexo mútuo, e espero que esses conhecimentos que aprensento hoje se expandam exponencialmente quando puder fazê-lo. Pois o sexo exige preparação e conhecimento mútuo. Assim como o amor, o sexo requer a entrega de ambas partes num objetivo comum: a interação. Toda a união requer sacrifícios dos envolvidos. É absurdo a sociedade diferenciar, em uma mesma atividade, o sexo do amor. Ambos representam a união, e como foi dito, o sexo não deve ser tratado apenas no sentido físico, mas em sentido completo. O casamento é uma preliminar do conhecimento íntimo, e se faz necessário para representar a tamanha importância da decisão que será tomada a seguir, devido a uma evolução social que não analisa o devido peso de um encontro sexual. E mesmo sob tantos aspectos impactantes do casamento formal, ainda há aqueles que o derespeitam. Decididamente nem todos estão prontos para assumir uma responsabilidade desta gravidade. O sexo é o ato máximo de amor, em que a entrega física supera qualquer contrato ou acordo, devido ser sagrado em todas as suas instâncias. Como vemos na história, sacrifícios corporais são os de maior consequência em um meio social, haja vista o próprio Jesus, em que sua crucificação significou para os cristãos a libertação, o sacrifício máximo em favor do ideal da salvação da humanidade. Mesmo que alguém não acredite na Bíblia sabe que este sacrifício é o maior que pode ser feito por um homem: entregar a própria humanidade em favor de um propósito. Isso torna o homem santo: o sacríficio (de sacrum = sagrado e ficius = fazer, tornar). Isso faz do sexo santo. Para os leitores: biscoito!

Nenhum comentário:

Postar um comentário