terça-feira, 3 de maio de 2011

Golem

O conto místico do judaísmo relata a criação de um monstro a partir do barro por um homem. Com o passar do tempo o monstro se rebela e ataca seu criador, cabendo a ele decidir se destrói ou não aquilo que criou. Osama bin Laden, ex-número-um da lista dos mais procurados, é, aliás, era um exemplo vivo desse conto. Durante a Guerra Fria, final da década de 70, no processo de democratização do Afeganistão, as forças soviéticas apoiavam o novo governo, enquanto Osama participava de um grupo rebelde separatista. O Taliban, regime conservador radical, já existia e criara uma nova jihad (guerra santa islâmica). Financiado pelos Estados Unidos da América (do Norte) e pela Arábia Saudita, e recebendo treinamento tático especial da CIA, os soviéticos são expulsos da região. Essa atitude já é velha conhecida do caráter estado-unidense de se meter em tudo que não lhe é de direito, além do característico furor pelo autoritarismo em países que lhe são servos. Nasce a Al-Qaeda, chefiada por Osama, e a desordem se instala no Afeganistão. O rompimento da amizade árabe-americana ocorre no Guerra do Kuwait, anos 90, quando Osama ataca sua ex-chefia, interessada em impedir a dominação das áreas petrolíferas pelos iraquianos de Saddam Hussein. Daí em diante, todos sabem quem foi Osama bin Laden, o algoz das Torres Gêmeas. Muito embora a família bin Laden, de origem saudita seja, por incrível que pareça, uma das mais respeitadas pelos estado-unidenses. Nova Iorque, atacada por Osama, é reduto de vários de seus próprios familiares. O pai dele, originalmente camponês, hoje um magnata do ramo imobiliário. Obviamente, tanto a fortuna particular da família bin Laden, quanto a ação conjunta das forças estado-unidenses na região árabe provém, nada mais, nada menos, que do petróleo. Detentora das maiores e melhores jazidas de petróleo do mundo, a Arábia Saudita é, além do país mais ultra-conservador e totalitário islâmico, o escritório tanto de forças terroristas quanto de conglomerados empresariais de origem árabe. O sistema é simples: com a venda do petróleo, centenas de bilhões de dólares americanos entram em solo árabe, gerando empresas diversas, e financiando as jihads, eventos comuns ao Islã, que prezam pelo controle das atividades de diversos países. Uma região onde Estado e Religião misturam-se de maneira tão ávida, não faltam desculpas para genocídios. Nos últimos dias, recebemos a notícia da morte de Osama bin Laden, o ex-líder da Al-Qaeda. Sim, Osama já estava velho, com saúde frágil, não podendo permanecer em plena atividade. Mas, para os estado-unidenses, a promessa de Bush, ex-presidente, ex-diretor da CIA, e ex-acionista de uma empresa de exploração de petróleo, da guerra contra o terror, deveria ser cumprida. Nada melhor que Obama, primeiro presidente negro, de sobre-nome Hussein, com apenas 10 meses para uma nova eleição, para cumprir o papel de justiceiro-americano. A localização de Osama já era conhecida há meses. Sua afiliação com o governo paquistanês é mais antiga ainda. Se, e somente se, sua morte for verdadeira, dadas as condições extremamente duvidosas sobre o finado terrorista, das quais: o ato de utilizar uma mulher como escudo-humano; ter seu corpo sido jogado ao mar, sem necrópsia ou qualquer procedimento legal; a preservação de uma suposta prova de DNA, sem a participação de organismos internacionais, etc. Osama era apenas um ícone, uma representatividade do terrorismo ao redor do mundo. Não tinha mais nenhum papel em atividades militares ou políticos. Era, por assim dizer, um aposentado. Eu, ferrenho opositor dos Estados Unidos e crente a respeito de teoria de conspiração, pergunto: quem é o terrorista aqui? Pelo menos Osama teria uma fundamentação religiosa, ainda que equivocada, sobre seus modos de vida, que são, no meio árabe, extremamente normais. Mas e os estado-unidenses? E suas políticas internacionais? E suas metodologias de ação militar? Estão interessados na paz ou na guerra? Eles protegem cidadãos ou assassinam estrangeiros? Preservam a justiça ou seus próprios interesses? Invadem países como o Iraque a procura de armamento de destruição em massa, ou usam esse álibi para fantasiar sua intenção autoritária? Se querem a democracia, por que financiam governos monárquicos e se aliançam com líderes fanático-religiosos? Quem criou Osama bin Laden, o terrorista internacional? Já dizia Cazuza, "eu vejo o futuro repetir o passado ... eu vejo um museu de grandes novidades ... suas ideias não correspondem aos fatos". Enquanto cidadãos estado-unidenses festejam aos brados de "USA!", na verdade eles apoiam e veneram os maiores terroristas que o mundo e a história já tiveram notícia. Eles mesmos. Seus líderes. Toda uma nação envolta em um véu de falsas verdades. "The history is written by the victors".

Nenhum comentário:

Postar um comentário