terça-feira, 30 de novembro de 2010

Como Amar? - O Ser Perfeito

Já escrevi um post a esse respeito, porém me faz necessário retornar a pauta. Expressão corriqueira no cotidiano de um indivíduo apaixonado: Você é perfeito(a)... Motivação para tal: Desejo incondicional em ter aquele alguém próximo, feliz e satisfeito. Consequências comuns: processo de formação da pseudo-divindade, ou ainda, canonização do(a) companheiro(a). Pós-consequência, relativo ao engano quanto ao ser amado: Dor da separação e não-satisfação dos desejos, projetos e planos orquestrados anterioreante. Pós-consequência, relativo a escolha acertada do ser amado: concretização dos projetos e anulação das ansiedades relativas a escolha. Probabilidade das pós-consequências satisfatórias de ambas partes: relativamente baixa. Como pode-se ver hoje em dia, muitas relações terminam em tragédias, físicas ou emocionais, pois (1) as escolhas são feitas de modo incorreto, ansiosamente (2) falta de compromisso de alguma das partes (3) incoerência quanto a fatos concretos (4) entre muitos outros. No início da maioria dos relacionamentos, ambas partes tem o que se poderia chamar de "surto", na incessante tentativa de entronizar o(a) companheiro(a), no popular, "endeusar". Mas, quando se tem alguém ao lado, que te satisfaz todo o tempo, que ajuda, que orienta, que vê suas qualidades, que percebe seus erros, que se importa com a situação que você, que cuida de você, que faz você rir, que faz você se sentir bem em estar com ele(a), que te vê como ninguém vê, todas as coisas que só quem ama sabe, é muito difícil não dizer que aquela pessoa é linda, maravilhosa, é tudo pra você, por que, de fato, antes, tudo era diferente. Não que aquela pessoa tenha se tornado na fonte da sua vida, mas você tenta demonstrar tudo que está em você como retribuição. É bom optar, claro, pela moderação, pois o exagero leva a dependência, dependência ao vício, e nenhum vício é sadio para qualquer pessoa. Se eu amo alguém, quero que aquela pessoa esteja bem todo o tempo, não só no caso de namoro ou casamento, mas na família, e até os amigos mais próximos. O diferencial é a liberdade que cada relacionamento tem, No caso do namoro, você sente saudades o tempo todo, pois quer estar com ele(a) sempre, pelo que ele(a) representa em você, você sabe que há algo nela que você não encontra em nenhum lugar, você quer gritar para o mundo o quanto tudo nele(a) faz você feliz. Na minha vida, Deus está acima de todas as coisas, e nunca, se você acredita em Deus, você diminuir o Criador por qualquer pessoa, ou coisa. Afinal, crer n'Ele confere a crença de que tudo vem por intermédio d'Ele, e se você tem alguém tão bom por perto, é claro que você terá muita gratidão por tudo isso. Costumamos dizer que a pessoa amada é tudo para nós, e, na verdade, faz parte disso. Você pode compreender aquela pessoa como a síntese do cuidado que Deus tem para você, e, no meu caso, é assim que enxergo ela para mim. Minha família também representa isso, mas alguém que não tem seu sangue, que não viveu com você desde que nasceu, tem algo diferente. E você não vai deixar, nem por um instante, de dizer o quanto se importa. "Endeusar" se torna ruim, pois você subestima certos valores, dos quais não se deve subestimar, até pelo fato de que esse amor pode não ser uma constante na sua vida, e pode, na pior das hipóteses, machucar muito. Mas quando se tem certeza de que aquela pessoa é certa para você, é difícil parar de dizer "Eu te amo". Em verdade digo, não existe ninguém perfeito. Não no caso geral. Mas existe aquilo que se encaixa perfeitamente em você, que também não é perfeito, e nem vai ser, mas quando está perto de você, quando fala com você, quando é aquilo que você precisa ser, então isso é perfeito para você. Você passa a considerar tudo nele(a) perfeito, por que em você, completa aquilo que antes era incompleto, vazio e sem forma. Ele(a) é "O Imperfeito que é Perfeito". Ele(a) não precisa ser perfeito para que você possa amar, pois também, se você crê na Bíblia, sabe que Deus amou o homem, amou o mundo, permitindo que Seu Filho sofresse em favor de nós, embora fôssemos totalmente imperfeitos e errôneos, justamente por isso Ele nos amou. Nos amou para nos salvar, justo por que estávamos condenados, e assim, também tivéssemos o amor d'Ele dentro de nós. E hoje, depois de um longo tempo, esse amor está inteiramente em mim, e espero que nunca mais deixe de estar.


Eu te amo... 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Silêncio que Precede o Esporro

Ruas vazias
Não há crianças, não há pessoas
Não há ninguém
Nenhum carro, nenhum automóvel
Nenhum engarrafamento
Nenhuma buzina


Dias escaldantes de fervor
Noites gélidas de solidão
Uma cena de faroeste
Poeira pelas vielas, becos


Militares aqui e acolá
Policiais a torto e a direita
Camburões, "picapes", blindados
Armas
Fuzis, pistolas, miras telescópicas
Munição, muita munição


Homens cumprindo o dever
Proteger, buscar e destruir
Bandidos
Muitos bandidos
Escondidos
Covardes
Não há fuga digna
Só projéteis para serem disparados
Corpos serem carregados
E bandeiras serem hasteadas
Nada muito agradável aos olhos
Mas, no momento
Algo necessário


Medo estampando rostos
Rostos inocentes
Dúvida estampando corações
Corações frágeis
Ansiedade estampando fardas
Fardas engastadas


Tudo parece calmo
Uma calma estressante
Estressante por ser calma
Tudo parece a beira de um colapso


Colapso nervoso
Colapso explosivo
Colapso institucional
Colapso por deixar tudo isso acontecer
Colapso por tentar consertar tudo agora
Colapso por ter um colapso ainda maior
Se não fizer esse colapso acontecer de uma vez


Então que seja
Derrubem barricadas
Invadam favelas
Prendam bandidos
Mas façam


Se a guerra deve ser a última opção
Para ser tomada a fim de ter paz
Acho que já não temos mais opções


War!
What is it good for?
Absolutely nothing(?)
Oh no...


The history is written by the victors
This is the meaning of war...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

When you look me in the eyes

Olhos que há tanto tempo persigo
Olhos que hoje são meu lar, meu abrigo
Olhos de atenção, cuidado e candura
Olhos de amor, de ternura

Quando via seus olhos, poderia sentir vergonha
Hoje, quando os contemplo, sou como alguém que sonha
Pois dentro desses olhos não há nada que homem algum entenda
Pois as mais belas obras apenas o criador compreenda

Eu, mero mortal, pequeno ser
Antes não deixava ver
Como tais olhos poderiam mudar
Os fundamentos até de como respiro o ar

Você, em sua magnífica existência
Se deixava perceber
O que nem mesmo a ciência
Conseguiria um dia fazer entender

Pois jamais fui eu digno de seus olhos ver
Antes, cheio de erros, falhas e medos
Farto de enganos ledos
Pude enfim compreender

Em teus olhos
Estando perdido
Encontro
Estando aturdido
Acalmo
Estando adormecido
Desperto
Em teus olhos

Um dia, você me disse que seus olhos brilhavam quando me viam... A verdade é que eles refletem todo o brilho, beleza e luz que existe em você. Mesmo no dia mais claro, na noite mais escura, posso perceber a sua serena, alva e pura presença. Talvez um dia meus olhos se fechem, mas eles não são os responsáveis para que eu te enxergue... É o meu coração...

Se teu olhar
Me deixa sem ação
Quem pode saber o que meu coração
Sente quando encontra esse olhar

Eu te amo...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Oração

Eu oro, todos os dias, seja manhã, tarde ou noite
Eu oro, querendo o bem, querendo ajudar, querendo mais
Eu oro, embora não saiba me expressar, embora não mereça ser ouvido
Eu oro, por muitos, tantos que não posso contar, e nem tanto por mim
Eu oro, pelos que amo, e pelos que não, e ainda pelos que ainda não
E quando oro, penso em muitas coisas, coisas que vivo, coisas que vejo
Penso em coisas que ainda não vi, e que espero nunca ver
Oro por famílias, parentes, amigos, por todos, e, as vezes, por ninguém
Oro, tentando ser sincero, ainda que nem sempre o seja
Oro, ainda que não seja ouvido, permaneço orando e pedindo
Oro, sendo respondido, por novas coisas que desejo acontecer
Oro, nem sempre por mim mesmo, mesmo precisando
Oro, e quando por mim não cesso de orar por outros, dos quais não me esqueço
Temo por não orar, sendo por vezes parcial, ainda que sem querer
Temo por me esquecer, não só de pessoas, mas do meu eu
Temo por tantas coisas, querendo satisfazer todas, ainda que não seja possível
Oro para curar, para levantar, para salvar, oro, oro e oro
Oro, mesmo que muitos não entendam, e, por vezes, nem eu mesmo
Oro, mas não o suficiente, não o máximo, nem o melhor
Oro, mesmo inconsciente, sacrificando
Oro, ainda que não faça diferença alguma, mas pelo menos a procura
Queria poder orar mais, orar melhor, ser melhor
Queria ser mais, ter mais, pensar mais
Queria tudo, e nada, ao mesmo tempo
Poderia eu querer tudo para todos?
Poderia eu querer nada para mim?
Ou tudo para mim, e nada aos outros?
Ou nada em lugar algum?
Nada sei, mas tento algo saber, ainda que nada seja
Pois no nada, nada sou, deixando de ser, o ser a outros
Nada posso reservar, nada tendo, mesmo oferecendo, ou pedindo
Pois não posso nada dar, dar de mim mesmo, se nada sou
Eu oro, permaneço a orar, continuo a orar
Eu oro, esquecendo sobre ser, dar ou ter
Apenas oro
Apenas peço
Eu oro
Eu oro

Neosaldina, zumbis e chumbo grosso

Algo que reparei, recentemente, ao divagar pelo universo de Resident Evil, a conhecida saga que mescla zumbis carentes, armas automáticas e puzzles meia-boca, é o quanto tudo isso parece se confundir com a farmacêutica. Incrível, não? Nem tanto assim. Não que eu não perceba que o estado putrefato dos inimigos, que obviamente necessitam de um tratamento de pele apropriado, além de um banho-de-loja, a fim de substituir aquele estilo punk-grunge que tanto eles “curtem”. Não exatamente relacionando indústrias têxteis e cremes anti-idade, que até valeriam a pena se eu estivesse discutindo sobre a longevidade das boy-bands de happy-rock, ou new-emo, shemale’s party, ou ainda qualquer outra junção de termos musicais que não sintetizam a realidade do estilo dessas criaturas, aparentemente, extra-terrenas. Voltando a intensidade da cultura RE, a farmácia é um ramo obscuro, analítico e pseudo-solidário. Basta reparar em como os antibióticos agem, sem comentar as armas biológicas, que são, em suma, bactérias geneticamente modificadas com intuito de destruir populações pobres de continentes abarrotados de gente, ou também, armas de destruição em massa dos menos afortunados economicamente (vide Ebola). Comprimidos e mais comprimidos, nem tão comprimidos assim, que tem, no mínimo, o ideal de restaurar a homeostase corpórea de indivíduos enfermos. Sem contar os muitos efeitos colaterais, que, quando em postos em longa cadeia, fazem do malfadado ser adoentado retornar ao “princípio das dores”. Por exemplo, um certo fármaco contra diabetes causa problemáticas cardiovasculares, que, quando tratado por outros fármacos, agora contra o referido problema, causam úlceras gástricas que, quando tratados pelo mesmo ramo medicinal, geram déficit de cálcio nas estruturas ósseas, e assim seguindo infinamente, na inveterada manutenção da sub-vida da população. População essa que, com o avanço da medicina na cura, ou quase isso, de doenças, fica cada vez mais doente. Dores nas costas são tratadas como falhas genéticas graves, e nunca, como aquela pelada de profissional-amador-de-fim-de-semana, ou aquele Viagra mal-tomado por um adolescente na flor do desejo de expelir, em um invólucro apropriado, sua inerte abundância de células sexuais. Segundo “Gattaca”, todos os seres estão fadados ao destino genético das doenças graves, medianas e de pequeno porte, enquanto as igrejas neo-pentecostais desmitificam essa assertiva. Em principio, qual o primordial objetivo dos fármacos? Curar ou manter vivo o enfermo infeliz? O que é mais prático, em questões financeiras, isentar indivíduos da obrigação psicológica de comprar remédios, ou perdurar o caos biológico, fantasiosamente mascarado por uma sensação de anestesia, digna de Michael Jackson? Perguntas retóricas, é claro. Uma sociedade que tende a enfermizar até uma erupção cutânea é um prato cheio para os produtores de pseudo-soluções psico-biológicas. A ideia principal de RE situa-se na tentativa das Corporações Guarda-chuva-de-papelão-radioativo-que-a-Rihanna-adora-usar-sob-chuva-ácida-paulistana ou Umbrella Corporation, como é mais conhecida, de ressuscitar indivíduos, e não uma cura para qualquer doença, e que, tecnicamente, permitiria que esses indivíduos permanecessem dependentes desta grande empresa farmacêutica. Esse é o sonho de qualquer uma destas empresas, conglomerados ou cartéis: manter a população viva, no limiar da possibilidade de morte, sob medicação, e nunca eterna, ou mesmo momentaneamente, saudável. Ou seja, manutenção do monopólio sobre as vidas dos indivíduos dependentes. Outros fatores influem na questão capitalista: a detenção de novas matérias-primas, capazes de aumentar a aplicabilidade dos fármacos, ou, como pode-se dizer, assaulto-a-mão-armada-em-território-amazônico-brasileiro-de-preferência, a chamada biopirataria, que, como os narcóticos, são fantasiosamente proibidos e inveridicamente fiscalizados, pois carregam tanto peso monetário quanto a carga tributária de nossa Pátria amada, o que é, factivelmente interessante para órgãos públicos e privados, além de pessoas físicas. O enredo envolvente, história corriqueira, mas convincente, personagens carismáticos, armas automáticas com munição limitada, inimigos absurdamente burros e numerosos, cenário repugnante, e absolutamente escuros a fim de deixar o jogador sensível a qualquer grunhido gutural de inimigos não-silenciosos, são fatores que fazem da franquia um sucesso, não só nos consoles, mas no cinema, com adaptações bizarras e desfechos interminavelmente imprecisos. Os episódios mostram, em si, como grandes idéias dão tremendamente errado, principalmente em se tratando de espionagem industrial. Tais grandes idéias, incrivelmente fictícias, que resultam em uma massa ensandecida, e particularmente faminta, de fregueses insatisfeitos que só querem, e só, se alimentarem das vísceras, órgãos vitais e até genitais dos seus propangandistas, o que faz pensar que perturbar os mortos nunca é uma ideia tão grande assim. Enfim, mesmo com todas as controvérsias cronológicas, é um grande jogo que sintetiza o desejo menos moralista da medicina. Continua sendo incrível como as pessoas não enxergam esse tipo de informação simples, o que nos faz pensar que aquele chazinho de boldo da vovó faz um bem danado, ou uma tremenda vontade de urinar a cada cinco minutos, que também faz bem, mas como os vegetais, as pessoas preferem fatias gordurosas de insumos animais e quantidades inebriantes de cloreto de sódio, como principal condimento nas iguarias, fechando o ciclo da doença e pseudo-cura com os sádicos antibióticos. Parafraseando com o próprio RE, “YOU LIVE”, ou quase isso.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Último Samurai da Alquimia

Ontem, dia 12 de novembro de 2010, durante o encerramento daquela que seria minha primeira e única Semana de Química, a 30° a propósito, permaneci atônito ao contemplar a derrota de um homem. Do homem que, ao entrar para antiga CEFET-Q, antes ETFQ, hoje IFRJ, mostrou uma visão totalmente diferente daquela que, tanto eu quanto meus companheiros, tinham de uma escola. Uma escola, uma instituição diferenciada. Durante os primeiros meses, eu, particularmente, não percebi essa visão de todo. Mas as mudanças vieram rápido até nós. Ele, que havia sido aluno, voltava para aquele que considerava como seu lar, e mesmo ai, já não era mais o mesmo. O espírito etefequiano, como ele prefere se referir, já não era mais tão presente. O declínio batia à porta. Durante seu último discurso, ele deixou bastante claro que aquela escola estava longe daquele na qual ele havia crescido e desejava tanto voltar, participando do apogeu das vidas de muitos jovens, que como ele, foram em dias distantes. Segundo suas palavras, ele não reconhecia aqueles corredores, aqueles professores, aqueles alunos, aquele lugar. Salvo alguns, mas que a maioria cumpria em esconder. Pessoas que não tinham a mesma visão, os mesmos objetivos, as mesmas aspirações. Nada era igual, e tudo tendia a piorar. Participei de uma de suas primeiras turmas, cresci nela, e dela fiz grandes amigos e parceiros, pessoas que não esquecerei tão cedo, pessoas que passaram muitas coisas juntas, embora eu mesmo não fosse tão sociável assim. Ali eu vi um homem com sonhos, com vontade de fazer aquilo que fazia melhor: ensinar. Um professor de verdade, não apenas alguém que cumpre seus horários e cospe o conhecimento que tem. Um homem ávido para dar o máximo por aqueles que tanto queriam receber. Ontem, já não era o mesmo homem. Nesses 4 anos e meio que se passaram, convivi esbarrando com ele, seja nas aulas, seja pelos corredores, seja tentando ser sociável com um sorriso e um “bom dia”. Nesses 4 anos e meio, vi não só alunos inteligentes, alunos empenhados, mas alunos revolucionários, alunos que não eram a maioria, alunos que eram diferentes. Pude ver o quão fortes poderíamos ser, com uma direção bem definida. Pude ver um grêmio forte e atuante, e pude ver esse mesmo grêmio acabar. Pude ver professores, que como ele, faziam da escola uma vida. Mas ontem, pude ver que aquilo havia mudado, gradativa e silenciosamente, mudado para um semblante descaído, sem vigor, sem paixão. Os etefequianos talvez estivessem extintos, ou talvez estavam escondidos, ou ainda poderiam estar dormindo. Eu mesmo, que tive o prazer de presenciar o apogeu desse homem, não me considerava um etefequiano. Mas, com o passar do tempo, culminando nesses últimos 12 meses, estive muito perto disso. E nessa última semana, havia feito mais do que poderia imaginar ser possível: sentir-me feliz e realizado em estar passando adiante algo que eu também havia testemunhado. Não era só um projeto. Era uma ideia, uma razão além da profissional, de estar ali, passando horas a fio repetindo e repetindo frases, parágrafos, textos, monografias, tudo, só para que cerca de 400 pessoas vissem. Uma luta que valeu a pena ser lutado, com sentimento de do dever cumprido, da tarefa executada com louvor, embora não reconhecida, ou mesmo vencida. Ontem, eu vi um homem sem lutas, sem desejo de lutar por qualquer uma delas, se estas estivessem ao alcance. Nesses 4 anos e meio, eu só queria terminar os estudos e sair daquele lugar para sempre. Mas agora já não era mais assim. Eu queria ficar, queria voltar, queria estar ali, fosse como fosse, para rever o lugar que havia me mudado em tantos aspectos, para rever amigos, parceiros ou desconhecidos, que como eu, passaram ou estariam passando por ali também. Agora eu entendia o quanto professores e alunos se pareciam, pelo desejo de permanecerem naquele lugar, sem nenhum atrativo físico, mas que carregava uma grande ideia. Uma ideia que era à prova de balas, como ele mesmo citou. Mas parece que a ideia que ele tinha no início não era à prova de todo o resto. Uma ideia que parecia ser manter o espírito etefequiano aceso, mas talvez esse mesmo espírito já estivesse nas últimas da sua combustão. Faíscas ainda permaneceriam, mas o fogo do passado não voltaria, pelo menos não tão cedo. E aquele homem não queria esperar mais pelo seu retorno, por isso tentou ressuscitá-lo, mas isso já não parecia mais possível, e ele deixou de tentar. Seus esforços não eram respondidos como ele queria. E eu vi esse homem despedir-se se seu sonho. Despedir-se de um sonho, de uma ideia, de uma vida. Deixou órfãos alguns dos que o admiravam, deixou boquiabertos todos que o assistiam que, gostando ou não dele, percebiam nele um homem de princípios mais fortes que a maioria. Mas o que sobra de princípios se o homem não tem sonhos, sem ter pelo que basear seus princípios, sem ter objetivos que se possam alcançar? Ontem pode ter sido um dos dias mais tristes da vida de muitas vidas que estavam, e que não estavam, presentes. Foi uma pena, e uma grande perda, não só pelo profissional, mas pelo pessoal. Eu mesmo, com a voz embargada, cumprimentei esse homem, dizendo: Que a Força esteja com o senhor, professor. E ele, mesmo naquele instante respondeu: Só depende de você. Concordo com ele. Meus sonhos dependem de mim, e mesmo ele, que já não tinha mais o mesmo sonho da juventude, pode dizer isso. Um grande líder deve tirar lições de toda situação que passa, lições que lhe sirvam para crescer, e evoluir. Um grande líder sabe a hora de parar seus esforços. Depois de 4 anos e meio, percebo que consegui cumprir esta missão. Mesmo em meio à tristeza e desolação de muitos, pude captar uma coisa: não posso desistir de meus sonhos, meus objetivos, e ainda que tudo esteja contra mim, não fiz nada em vão, e ainda que pareça infrutífero, sem resultados, sem saída, nada volta vazio, nada é perdido, nada é tão pequeno que não possa ser considerado. Podemos perder um homem, mas suas idéias e seus sonhos vivem em outros, e permanecem eternamente. Não é só um jaleco branco, ou um químico qualquer. Agora, e ainda agora, somos diferentes da maioria, não somente no quesito conhecimento, mas como seres humanos, seres que pensam, e farão do futuro algo que possamos nos orgulhar. Mesmo que extintos, fizemos a nossa parte. E continuaremos fazendo. Ontem, vi um homem fazer como o mestre jedi Obi-Wan Kenobi, deixando se ser assassinado por seu ex-pupilo, Anakin Skywalker, cognominado Darth Vader, para tornar-se conselheiro espiritual de Luke Skywalker, último dos jedi, com exceção do aposentado mestre Yoda. Último jedi, que tinha a missão solitária de trazer a paz mais uma vez. Ontem vi esse homem morrer, e no mesmo dia, muitos homens nascerem e em breve, evoluírem.

Porque quem salva um, salva o mundo inteiro.
Se orgânica é a química dos vivos, a inorgânica é a química dos imortais.
Salve o primeiro e último monstro sagrado da química dos meus tempos, Professor Rodrigo Ribeiro, Federal de Química.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Improbabilidade

1°) Sair da escola às 21h
2°) Encontrar uma mulher friccionando concupsiosamente sobre o capô de um automóvel, empoeirado, com um homem dentro
3°) Na passarela, em frente à escola, um casal se acariciando abrasivamente
4°) Uma freia, beneditina talvez (ou franciscana; não importa o mosteiro de onde ela saiu), passar pela cena da mulher no automóvel e subir a passarela
5°) Um mendigo seguindo essa freia

Analisando individualmente, pode não parecer tão difícil que tais fatos ocorram. Mas, todos os 5 eventos simultaneamente, no mesmo lugar é algo bem mais complexo e, admito, improbabilístico. Sequências desse tipo bizarro de eventos, geralmente, causam uma catastrófica, eclipsante e insolúvel consequência nos rumos da história. Tal que nem mesmo o emblemático craque de futebol Dadá Maravilha poderia, com toda sua "solucionática", resolver. Segundo dados fidedignos, uma improbabilidade infinita significa, na realidade, algo com alta probabilidade que ocorrer instantaneamente. E, segundo os meios sociais torpemente vulgares que convivemos, algo nesse nível de exposição não demoraria tanto tempo para de conseguir, mesmo em condições não-favoráveis.