Como um legítimo game(quase)maníaco, venho defender a posição dessa falange. O MMO-RPG (Massive Multiple Online - Role Playing Game) citado acima, conhecido no cotidiano apenas por "WoW", vem sendo mui criticado pelo público feminino em geral, tendo ressalvas, e alguns integrantes masculinos também, embora um uma escala bem diminuta. A alegação da oposição é de que o game destroi a "vida social" dos gamers, tornando-os alienados, distantes de suas famílias, desinteressados por assuntos como escola, companheiros(as), saúde, etc Porém, tenho muitos outros veículos que comprometem ao mesmo patamar (quando não, mais), dependendo é claro, do quão inseridos estes participantes estão. Não preciso citar nomes. Todos sabem do que estou falando. E advogo: será que estes também não são riscos iminentes a uma sociedade já desgastada pela ausência de neurônios funiconais..? No caso dos games, muitos afirmam que nada lhes é aproveitado, quando na verdade, a maioria dos títulos existentes carrega um absurdo montante de informação útil para o entendimento da sociedade vigente. Estão incrédulos, não..? Proponho que experimentem títulos como Resident Evil, Metal Gear, God of War, Final Fantasy, Dragon Quest, Gran Theft Auto, Mortal Kombat, The Sims, entre tanto outros. A príncipio, o grande objetivo de todos eles é chegar do ponto A ao ponto B, passando por obstáculos X, num determinado tempo Y, e consequentemente, quando todas essas condições são satisfeitas, você vence o jogo. Mas, como sempre, há mais coisas entre os games e gamers do que se pode enumerar. Usarei o exemplo de WoW, para minimamente explicar esta assertiva. Já começando pelo gênero, RPG, que consiste no sistema evolutivo de um certo personagem, no qual, à medida que avança, este adquire novas capacidades tornando-se mais apto a vencer novos desafios que lhe são propostos. Nada mais é que o sistema de "vida real". Passando a frente, notamos a organização do game em si. O gamer pode escolher dentre 2 facções (que estão sempre em guerra): "Alliance", composta pelos débeis humanos, os robustos anões, os sagazes gnomos, os antigos elfos noturnos (night elves) e os exilados draenei (uma espécie de alien bonitinho); e a "Horde", que detém os ferozes orcs, os soturnos trolls, os valentes taurens (uma evolução dos bovinos), os grotescos mortos-vivos (undeads) e os orgulhosos altos elfos (blood elves). Como é de praxe, alguém já está me sacaneando por escrever tais coisas em um blog sério (jura?) difamando a minha existência através do círculo social e familiar. Vou levar isso até o fim antes que me arrependa. Logo nos nomes, algo pode ser captado: "Alliance" remete aos Aliados, os pseudo-supremo-defensores da lei e da ordem (do próprio bolso, para sermos sinceros) durante as 2 Grandes Guerras; seu estandarte é da cor azul, a mesma que podemos perceber na maioria dos países capitalistas; as instalações características das raças "aliadas" são ordenandas, belas, limpas, e ricas; seus integrantes são educados, falam línguas comuns, sendo em sua maioria "civilizados", em termos leigos. A "Horde", que significa horda, população, grande multidão, já nos faz pensar no sistema socialista, no qual o povo detém o poder sobre o governo (só para constar, sou partidário desta vertente); conecte isso ao fato do estandarte ser vermelho; suas raças serem notadamente porções menores de uma raça maior, que sofreram algum tipo de exílio ou ataque de uma raça inimiga, ou seja, um agrupamento de "fracassados"; suas bases são claramente o inverso dos Aliados, totalmente desorganizadas, rústicas, de aparência tribal; seus componentes são rudes, falam dialetos anciões, em resumo, são bárbaros. Toda essa notação proveio apenas da análise das facções. Prosseguimos à temática das classes: cada raça tem um determinado número de classes que pode participar (podemos aferir classes como profissões) como caçadores, guerreiros, sacerdotes, espiões, paladinos, xamãs, "druidas". Algo bem interessante é o fato de apenas a "Aliança" ter integrantes passíveis de se tornarem paladinos, originalmente cavaleiros da Igreja Católica Apostólica Romana, utilizados nas Cruzadas, e depois dizimados a fim de manter a estabilidade de poder nas mãos dos clérigos. A "Horda" ratifica os xamãs, líderes espirituais pagãos, geralmente de comunidades tribais e seitas. Sinceramente, se o querido leitor não conseguir absorver algo realmente relevante disso, eu proponho uma explicação ao vivo. Está explícito que o organismo político destas facções relaciona-se fortemente com a sociedade dos tempos atuais. Não há espaço físico para explicitar a orgia de referências que atravessa esta obra. É visível que a "Aliança" representa a síntese imperialista, globalizada, torpe de um mundo alienado, enquanto a "Horda" compreende todo e qualquer tipo de "reforma" ou "reação" ao ritmo anterior. Forçando um pouco, elevo esta rixa entre as facções à todas as conexões históricas e embates entre comunidades difusas (seja no passado, presente ou ainda futuro). Basta a meditação de alguns destes pontos e uma teoria de conspiração pode ser desvelada bem diante de seus olhos. Antes de criticar, procurem compreender o quão profundo uma experimentação deste nível pode revelar. Relaciono este post com o "Desde pequenos nós comemos lixo...". Tudo está conectado. Boa sorte.
Horde Rules!