Resistindo a alguns desejos de escrever ainda sobre aquilo que as palavras não podem concretizar, retomo tópicos que eram, à princípio, a idéia inicial deste blog. Aos que se deleitam lendo meus contos, não deixarei de repassá-los, pois, afinal, faz parte de mim. Uma parte bem grande, diga-se de passagem. Meditando ainda um pouco com respeito à questão da realidade, como já descrevi anteriormente neste blog: aquilo que o homem acredita, isso é real à ele. Estou numa época de sacrificar por aquilo que acredito, muito embora eu saiba que sempre foi assim. Desejaria que os que me cercam também enxergassem dessa maneira, porém, as escolhas nunca são iguais. Já fui muito questionado quanto à minha orientação espiritual. Não venho discutir religião, tendo em vista sê-la uma das calamidades do homem. Certo dia, explicitei muitos de meus argumentos quanto à existência de um Ser supremo. Chamo-o Deus, porém há tantas denominações que não o faria com excelência. Alguns deles expostos no post "Teísmo", valem o mínimo da leitura. No fim da argumentação, muito saudável por assim dizer, ouço a seguinte tese: "Não creio na Bíblia pois fora ela escrita por homens...". Contra fatos não há argumentos, deveras. De fato, a Bíblia foi escrita por homens, comuns talvez, sendo a maioria que nela crê, sob inspiração divina. Atingimos um nível além a partir deste ponto. Se o que é escrito pelos homens, como eu ou você, caro leitor, não pode ser acreditado, em que mundo vivemos...? Indago a todos que reflitam nesse pensamento. Absolutamente a totalidade do que julgamos conhecer provém de fonte humana. Como integrante do ramo da Química, acredito na existência de átomos, eletróns, protóns, neutrôns..., muito embora nunca tenha me perguntado se de fato existem. Algum ser perdido no continuum espaço-tempo apenas disse-me. Absorvi aquele pseudo-conhecimento e segui meu caminho. Ao longo do tempo, principalmente na Química, a cada novo conhecimento passado, o indivíduo já adquire a capacidade de esperar, num futuro próximo, a derrubada do mesmo por outro mais recente. Se posso acreditar em algo tão mutável quanto esse tema, por que seria incapaz de aceitar a existência de um Ser que também não vi pessoalmente? Nunca sequer pude compactuar com um átomo, avaliando sua existência através dos "sinais" que comprovam teorias. Compreendo que esta é um dos porquês em se tratando da apostasia que ronda nosso século. Temo ter argumentos que relevem aos leitores crerem na Bíblia, porém tomo-me por indigno de fazê-lo. Munido do trecho de Marcos 11:23: "...mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito...". Daí invalida-se o dito popular: "ver para crer", porquanto aquele que não crê, não pode ver mesmo que este lhe esteja à frente de seus olhos, pois não crendo toma por incabível sua existência. Antes, é preciso crer para ver. Não apenas crer, pois o efeito disto não corresponde à realização daquilo que se crê. É necessário ainda praticar naquilo, fazendo valer no que acredita. Não importa quantos argumentos, teses, seminários eu faça. Aquele que não crê não pode ver. Nisto é notado em Mateus 22:14: "Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos". Ao acrescentar isto à discussão, lancei: "Então seria necessário um encontro com Deus para que você acreditasse?". Maravilhoso é esse momento. Porém como tê-lo não admitindo que Deus possa existir? "Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, [...], come legumes" Romanos 14:2. No fundo, tudo que acreditamos ou tomamos por real é uma compilação ou idealização do que vieram antes de nós assim chamavam real. Nada é comprovável. Sabemos apenas que nos foi dito que assim era. Segundo Assassin's Creed: "Nothing is real, everything is possible". Concordo veementemente. E mesmo assim, não deixo de crer em Deus. Como? alguém pergunta. Jesus disse: "...vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo". Chega a ser divertido entender como naquilo que cremos, obtemos respostas para todas as perguntas. Um exemplo curioso é o caso do herói "Question" da DC Comics (particularmente um dos poucos com os quais me identifico), que piamente acredita que toda e qualquer ação ou evento provém de um conspiração mundial. No fim, sou um partidário dele. Se aquilo que você julga ser real não satisfaz suas indagações, sugiro procurar a fundo. Talvez encontre, talvez não. Se "não" for sua resposta final, quem sabe uma nova perspectiva possa-lhe ser oferecida? Sim, isso foi um convite. Uma proposta. Para mim, que já tive um encontro com Deus, respondo-lhe qualquer pergunta segundo minha perspectiva. Ouso com Jeremias 17:5, "Assim diz o Senhor: Maldito homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor". Seria capaz um homem comum, que vive num sistema capitalista, ter dito tais palavras por sua própria boca? Em lugar algum deste mundo alguém lhe dirá tal frase, pois se este não pode confiar em seu semelhante, naquilo que lhe é palpável, em quem o fará? Eu sei a resposta. Cabe a você encontrá-la. Todos devem saber que não pensar por si mesmo acarreta em alienação. Sugiro que indague. Formule suas próprias idéias. Não seja um brinquedo, uma marionete. Tome o controle da situação. Boa sorte. Todos vamos precisar. Considere, na pior das hipóteses, ter lutado por algo que você acreditava, e não algo injetado. Lembre-se: "...os humanos não nascem mais. São cultivados..." Morpheus, em Matrix.
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