Com o prazer da companhia de Farah, o novo Prince retoma aos idos de 1980, vasculhando o palácio numa infinidade de armadilhas e lugares de difícil acesso ao público comum. As criaturas já tomaram todo o lugar, e Prince teme pela consumação de seus maiores temores. É claro, não é nem um pouco cômodo ver seus súditos e bens "saqueados" por feras que permeiam a paranormalidade. E saber que a culpa foi, em termos práticos, sua. É enquanto medita sobre esse respeito que Prince se depara com o pior momento de sua vida. O embate com seu pai. Agora um pseudo-humano metamórfico atemporal sedento pelas entranhas do querido filho. É, de longe, a batalha mais estressante, emocionalmente, do jogo. O Rei foi um excelente espadachim quando em vida, quase causando o fim de Prince, mas é subjulgado pelo poder da Adaga, e desfalece. A sensação de destruir o próprio pai foi avassaladora. Ele teria de arrumar um jeito de resolver tudo. Ou morreria tentando fazê-lo. Algo que chama a atenção de Prince é o fato existirem fontes de Areia por todo o cenário. E mais assustador é ver que, ao entrar em contato com essas fontes, Prince é capaz de ver o futuro, num estado de transe hipnótico. Essas visões revelam o caminho que ele deve tomar, porém, sempre mostram sua morte como um evento final e certo em seus caminhos. Farah e Prince separam-se para encontrar pistas do paradeiro do Vizir. Seus encontros limitam-se a mecanismos conjuntos de desbloqueio, que são corriqueiros durante o game. Passando desde jardins suspensos, calabouços, casas de banho, subterrâneos e cavernas, eles apertam o cerco para as respostas. Os momentos românticos começam a tornar-se comuns. Nada consumado. Apenas olhares e gestos de ternura parcialmente involuntários. Parcialmente. Prince encontra novas armas para mais facilmente destruir os monstros que atormentam sua paz e sossego. Nota-se também que Prince vai se despindo no decorrer do game. Desde sua touca árabe, até seu peito nu, Prince amadurece e adquire muitas cicatrizes dos combates. Por fim, encontram outra vez a fonte das Areias do Tempo, a Ampulheta (ou Hourglass, no original). O plano seria usá-las para reverter o fluxo temporal ou mesmo as mutações, e de algum modo, contornar a situação vigente. Mas o Vizir tem poderes além da compreensão do casal e consegue afastá-los, usando as Areias como um vortex para arremessá-los para a morte. Mas a Adaga tem seus planos, e suas vidas são salvas mais um vez. Por algum meio estranho, eles são lançados num limbo paralelo à realidade em que estavam presentes. Permitindo alguns momentos de tranquilidade, ambos partem para um patamar mais elevado no relacionamento. Não necessito entrar em detalhes nesta parte. Acho que todos já compreenderam. Como em todo limbo, as pessoas costumam sumir sem dar notícias. Aqui começa a parte mais soporífera do game. Os puzzles (ou quebra-cabeças) tornam-se aleatórios, obrigando o jogador a dispender horas a fio para atravessá-los. A recompensa vale todo o trabalho. Prince tem sua última visão. O nível de sofrimento das mesmas aumenta gradativamente, e nesta, Prince terá uma morte bem dolorosa e potencialmente suja. Ao sair do limbo, ele se depara só, sem a Adaga, e em algum lugar no exterior do palácio. Existe um último puzzle que lhe confere a arma suprema (com exceção da Adaga) contra as bestas. Uma espécie de cimitarra dourada, de lâmina grossa, com punho belamente adornado. Com apenas um golpe, ele é capaz de revertê-las ao estado de Areias. Novo e reformulado, Prince encontra Farah tentando atravessar uma barreira de monstros. O número é grande, mas Prince consegue alcançá-la e defende-la. A visão se concretiza, só que não é Prince que cai em batalha. É Farah. Ela não tem conhecimento prático suficiente para manejar os poderes da Adaga, perdendo o controle e a vida em combate. Como última esperança, Prince recupera a Adaga, mas não há tempo para salvar Farah. Não pelos métodos comuns. Ele ainda consegue retirar um medalhão dado pelo pai dela, usado como um amuleto. É a única parte dela que restou para Prince recordar. Ensandecido com o destino, ele destroi as feras inimigas e invade, mais uma vez, o covil do Vizir. Decidido, ele libera as Areias e volta no tempo, numa escala muito maior que a Adaga poderia conseguir. Prince consegue voltar à noite anterior à invasão do país inimigo e encontra Farah nos aposentos reais.
Continua...
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