Há exatos 6 meses, um garoto que gostava de escrever bobagens e estava certo que iria ser um engenheiro químico deixava seu último post em um blog de nome, no mínimo, curioso. Ele tinha um gosto, talvez, pretensioso com as palavras, compunha períodos longos e tinha um senso de coerência complicado, mas não mais inteligente que qualquer um poderia ter. Em suma, poderia ser considerado uma pessoa incomum, na melhor das hipóteses. Uma das coisas mais complexas que ele tinha como característica marcante era sua dificuldade cabal de fazer escolhas. Não que ele não escolhesse bem, longe disso. Mas, como em "Matrix" (e outros "n" exemplos), fazer uma escolha, necessariamente, elimina um universo inteiro de possibilidades, ao mesmo tempo que revela um outro, simplesmente diferente, não melhor ou pior que o primeiro, a primeira vista. Curiosidade. Talvez medo e desejo, como diria Lulu Santos. Essa (in)capacidade o levou a opções bem distintas. Engenharia Química. E Jornalismo. Absurdo, é o que (quase) todos poderiam dizer. De tanto pensar, nem conseguia escrever. E isso era complicado o suficiente para ele. Procurando respostas, vasculhou desde seu histórico escolar até sua genealogia. E, se existe destino, algo que ele nunca acreditou, esse lhe pregou uma travessura. Chegou a conclusão de que, embora nunca tivesse nem mesmo visto, se parecia muito com seu avô materno, descobrindo características físicas, psicológicas e acadêmicas bastante próximas (nunca iguais). Uma trajetória incomum: um dos muitos filhos de uma família rica do Piauí, lutou na 2° Grande Guerra, tornou-se padre, e tendo cursado, supostamente, Letras, largando a batina para se casar e trabalhando no IBGE e sendo jornalista-revisor de um jornal da época. Fez testes (vocacionais, personalidade, e tantos outros) tentando encontrar a resposta que, ele, há muitos anos já desconfiava. Seu futuro são, ou acha serem, as Ciências Humanas. Mais precisamente Jornalismo. Algo que conectasse seus gostos literários, aspirações políticas e desejos acadêmicos. Algo que exigiria dele algo além de suas próprias expectativas. Inesperado, e ao mesmo tempo, longamente procurado. Não que ele quisesse calar essa vontade: simplesmente não sabia exteriorizá-la, e provavelmente não saiba exatamente como fazê-lo. Nada nesse mundo possa tê-lo preparado para isso, mas é algo que ele mesmo só descobrindo tentando. Aulas de História (um gosto herdado por seu pai), Filosofia, Sociologia, manifestações populares, discussões político-econômico-ideológico-sociais, exposição de ideias, serviço público, assembleias, movimento grevista, tendências extremistas, sem contar a clara atitude "sem-noção" em relação a si mesmo. Um Renascimento, na mais modesta das definições. Reinventando a si mesmo. Ou meramente deixando que aquilo que ele sempre foi, ou tenta ser, transpareça. Não que ele tenha total domínio em qualquer um destes assuntos. Não que ele ache que pode mudar o mundo. É só mais um garoto que tem sonhos e quer vê-los realizados. E quem sabe até onde esse garoto pode chegar. Com certeza, nem ele mesmo. Então vamos deixar as chamas começarem.