quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mistakes

Eu preciso te falar
Te dizer quanto eu te amo
Mas se eu não deixar você dizer também
Que nos pode acontecer?

Por medo fiz aquilo que quis
Mas estas consequências eu nunca quis
Quando se quer estar só
Mas sozinho não se pode suportar
Que se há de fazer?

Quando longe estou
Sua falta sinto
Sua saudade me abate
Teu calor quero comigo

Mas mesmo temendo perdê-lo
Faço aquilo que pode fazê-lo afastar de mim
Quero seu abraço, sua presença
E no mundo só sinto que que nada disso tenho
Não sinto você

Pedir desculpas, perdão
Às vezes nada vale a pena dizer
Pois nada mudara o que já aconteceu
Mas pode-se mudar aquilo que na frente está

Quero estar mais perto de você
Fazer aquilo que te agrada
Satisfazer seus desejos
E entender seus pensamentos
Porque eu quero ser seu

Não quero deixar que os anos passem
E eu perca você de vista
Eu até poderia suportar
Mas é algo que eu não quero ver para crer

Peço ajuda
Quando nenhuma ajuda pode mudar
Além de mim mesmo
Falta coragem

Se querer é poder
Quero poder ser
Aquilo que te faz feliz

Quando as palavras já não valem
E o silêncio cai sobre nós
Quero ouvir seu coração
Baixinho
Porque é a ali onde eu quero morar

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Canhotos e a Discriminação

Assim que começar a ler isso vai achar que o autor é um completo louco. E pior que seria uma decisão muito acertada, mas vamos lá mesmo assim. Se alguém ai do outro lado é canhoto, entende bem como é esse fardo a carregar. Mas por que raios discriminação? Simples. Analisemos alguns exemplos, segundo a temática: se o jagunço é canhoto, ou ele é muito bom, ou é muito ruim de tão bom, ou é ruim sem escalas mesmo. Comecemos por Hitler: cara inteligente, cria um sistema político-econômico sem precedentes, mas um demasiado problema sociológico, matando uma cacetada de gente judia, negra, homossexual, deficiente, entre outras ramificações, embora os restart's não estivessem incluídos no meio, ainda, que finda com suposto suicídio quando cercado por russos vermelhos de raiva e barbudos de desleixo. Um mix das especificações anteriores, eu diria. Albert Einstein, gênio da física, bem fotogênico, mas deu a paçoca da bomba atômica na mão dos americanos psicopatas. Jimi Hendrix, cantor, músico, compositor, dublê do Tony Tornado em Vamp, ainda que um viciado em cosméticos injetáveis de marca maior. Diego Maradona, grande mestre da bola, prodígio em trabalhos manuais, porém uma fixação por "cocada branca", noitadas, e pra piorar muito o conceito, argentino. Mas a pergunta ainda não foi respondida, certo? O fato é pelo simples advento de que eles tem o cérebro invertido aos destros. Durante os séculos do séculos, foram motivo de admiração pelos métodos inovadores, citando Benjamim Franklin, Nixon e Gandhi, ou consternação pelas suas diferenças mais notáveis, e, como sempre, o diferente deve ser erradicado, ou, no mínimo, escravizado. Exemplo disso temos 3 das 4 Tartarugas Ninjas, que são canhotas. Mestre Splinter a parte, que deve ser ambidestro de tão sábio, desconfio até do Mestre Yoda. Na realidade, discriminação mesmo é pouco. O que incomoda mais é a dificuldade que existe em um canhoto se acomodar no mundo 90% destro. Seja no real ou no virtual, sempre há complexidades técnicas, tais como: automóveis, instrumentos, hardware e... games! Todo mundo acha que inverter tudo na vida é muito fácil seria única justificativa plausível para tal. E sabemos que não é assim que a banda toca. Focando nos games, não só é raro encontrar aqueles que acomodam os dois tipos de jogadores, como há o disparate de não haver personagens canhotos. Salvo o único visto até agora (pelo meu ínfimo conhecimento), Link, da franquia The Legend of Zelda, que, além de um tremendo arrasa-quarteirão, um músico de sucesso, é um grande espadachim. De fato, talvez o sonho de quase todo canhoto, ser um herói bonitão. Excluindo os momentos de excitação adolescente, ser canhoto é mal-feito-pica-pau. O que também não ajuda é saber que a canhotagem não necessita de um fator genético dominante, ou seja, a mesma deve se manter em meados dos 10% dos indivíduos. Trocando em miúdos, somos a minoria desfavorecida. Os canhotos já tentarão dominar o mundo. Só conseguimos parte dele, e não por muito tempo. Quem sabe em um outro dia.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cataclysm

A vida imita a arte. E o Rio imita WoW. Os contrários que me perdoem, mas essa é a verdade. Para os aficcionados aí vai: com derrota do Lich King e da Scourge, a volta de Deathwing perfaz-se de maneira assustadora, comprometendo a estabilidade de Azeroth e alterando sua geografia significativamente. Para a prole menos adoentada eletronicamente da população: com a aparente calmaria quanto ao tráfico e as milícias, quando a segurança enfim dá sinais de vida inteligente, um membro-paquiderme de água aniquila a tão aconchegante região serrana do Estado, destruindo casas, mansões, assassinando vidas e sujando tudo no caminho. Pode parecer falta de tato, mas é, sim, um fato, que embora corriqueiro lá e cá no nosso Brasil (e até no mundo) nada há de definitivo, como dizia o saudoso Plínio Sampaio, nosso ex-futuro-presidente, com respeito ao saneamento destes problemas. Digo isto, comprovadamente, pois vemos, no geral, paliativos da grande-pedra-no-sapato do governo: uma solução enérgica. Assim como no comércio, aquilo que dura demais vende muito mas apenas de uma vez, enquanto aquilo que dura pouco, vende muito o tempo todo. Nada mais é do que a chamada melhoria-do-coco, de Ludwig, que consiste no embelazamento, com chapinha, base e esmalte, do grande rombo ético que persiste em existir em nossos meios. Aos incautos: isso, definitivamente, não foi um trocadilho. Ouvi-se: desocupem a área; que na verdade é: ocupem um lugar pior do que o anterior, pois eu nada farei a esse respeito. Digamos que a frase surja: haverão novas moradias e assistência para todos; que quer dizer: mais casas não-planejadas serão parcelados em 100 anos, sendo construídas em, no minimo, 10 anos, e nossa assistência consistirá nas palavras, quando ela cair outra vez da encosta de barro fofo, "veja bem...". Como se não bastasse, para a fúria dos que odeiam WoW, isso também acontece. Analisemos a situação: uma quest está bugada, um item não funciona, alguém rouba seu char, e GM diz que nada pode ser feito, muito embora você pague, ou não, pela danada da permanência no vício. A ultima atualização do WoW, o chamado Cataclysm, é o retrato da também última atualização do querido Rio. Mais destruição (seja geográfica, seja ética), maior dificuldade para atingir o nível máximo (onde as coisas ficam legais de verdade e o seu dinheiro não vai todo para os juros do crédito fácil), mais absurdos acontecendo (como a inserção dos goblins, a versão Hulk/Marcelo dos gnomos), mais trabalho para a ralé non-NPC (vulgo, jogadores reais, e não pré-criações do próprio jogo, ou seja, a população menos políticos) e mais sujeira para limpar depois de uma boa instance (ou festinhas de Ano Novo, entre outras). Sei que a maioria não vai entender razoavelmente por que não joga WoW, mas, para leigos ou não, é por isso que Kratos faz sucesso. Ele não tem medo, não tem pudor, não tem paciência e não tem camisa. Ele tem armas mortalmente pontiagudas, tem mulheres para o seu deleite, tem uma sede absurda de sangue alheio e tem uma trilha sonora de arrasar. Ele é a personificação do que todo ser humano normal poderia querer ser: um humano com poderes titânicos capaz de destruir deuses com movimentos dignos de uma Daiane dos Santos, mixado com a ferocidade de Bam Magera, sem excluir a técnica chuck-nórrica do dito cujo. Mas somos humanos com poderes humanos que não funcionam sozinhos. Paciência, sentem e assistam o BBB 11. Ok, essa frase foi de zoeira.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mais um ponto pra Disney

Revendo “Vida de Inseto”, tive um “felling” bem engraçado. Prepare-se para viajar um pouco (risos). Justamente quando o protagonista-formiga enfrentava verbalmente o antagonista-gafanhoto, depois de um ataque do pássaro artesanal, controlado por formigas, ele solta a frase: vocês é que deveriam nos servir... estamos em maior número do que vocês... Ele subitamente é calado pela investida do gafanhoto, que tenta humilhá-lo. Na história, os gafanhotos vinham todo o verão buscar alimentos que as formigas produziam e recolhiam, deixando parte para as mesmas subsistirem. Muito parecido com nosso cenário político, no qual a maioria só busca os apoios na hora de se eleger, ou na captação de impostos, e simplesmente evapora, quase perfazendo um salto quântico da periferia para sua sala de estar com tela 3D. E ainda são folgados, veja bem (obrigado Daiza) aumentando vertiginosamente seus já elevados salários, para não fazer coisa alguma pela população. O protagonista é uma formiga esperta, que inventa coisas, mas que geralmente são mal-manuseadas e geram problemas. Ele mesmo destrói acidentalmente toda uma colheita e acaba causando uma crise na sociedade que ele está inserido. Não é novidade que pessoas com grandes idéias são uma pedra no sapato dos conservadores, e usam qualquer motivo para isolar o individuo. Dito e feito. Ele é convidado a vagar nos ermos, a margem da sociedade que o criou. Exílio político te lembra alguma coisa? Imagino que sim. Quem opta por um novo caminho, bom ou não, é tachado de marginal, entre outros adjetivos pejorativos que não me convém explicitar. Nessa empreitada, ele termina por conhecer uma trupe de circo, digamos, fracassada, para criar uma frente de batalha contra os gafanhotos. Se a cara formiga tivesse captado a mensagem original como uma expulsão ele nunca teria essa motivação, o que é, admito, muito cômico. Inseto vai, inseto vem e a formiga acaba convencendo todo mundo a lutar, ao invés de se curvar diante dos gafanhotos, que utilizam um sistema também semelhante ao da máfia ou, digamos, uma troca de “favores”. A tal trupe, que podemos comparar com os movimentos artísticos de libertação de tempos atrás, fica responsável de organizar o front, utilizando a ideia da réplica de um pássaro para afugentar os malfeitores. Pássaro, voo, liberdade, verdade. Bastante conectado, eu diria. Somente quando as formigas passam a ter essa visão é que elas lutam sem medo em favor das próprias vidas, ameaçadas pelos gafanhotos. O fim da história, em resumo, é a derrota dos gafanhotos pelas formigas, com ajuda de uma bem colocada chuva tropical, somado a morte do seu líder por um pássaro verdadeiro. O pássaro, a imagem da verdade e da libertação, é o verdadeiro herói do conto. A chuva seria o simbolismo da purificação, afinal, para formigas, qualquer pingo pode ser comparado a uma enchente são-paulina. A trupe, mais uma vez, volta a estrada e inicia uma nova temporada de apresentações. Interessante são, também, os integrantes deste bando: um mago louva-a-deus à la confúcio, uma dupla de estrangeiros dançarinos de balé russo meio tico-e-teco, uma joaninha macho com temperamento explosivo, uma lagarta corpulenta com ânsia para metamorfosear-se em borboleta, dentre outros. Todos representações culturais cotidianas. Vale lembrar do empresário pulguento que só pensa em lucros, nem um pouco parecido com os empresários de hoje, né? Outro evento considerável é metamorfose da lagarta macho em borboleta, que se resume a mudança de cor e adição de diminutas asas, com funções galináceas, mas que conferem um novo look, digamos, atraente, ao personagem. O filme chega a tangenciar a ideia de choque cultural que podemos perceber ainda hoje, sem contar as noções de liberdade, expressão e reação, abordando temas intrigantes de maneira bem contudente. Indo do imperialismo ao homossexualismo, "Vida de Inseto" mostra um tour a respeito do que é sociedade e como a encaramos. Até a próxima referência subliminar.