domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Forja do Espírito

Esse é um post diferente. Quem achar que não entendeu bem, ou deseja saber mais sobre o assunto, entre em contato.

A ação do Espírito Santo pode ser comparada com a obra de um ferreiro. Tomemos o caso da espada, símbolo de força. Primeiro, ele seleciona, dentre muitas rochas de tamanhos, tipos e formas diferentes, aquela que se adequa ao seu serviço, aquilo que ele deseja construir. Você foi escolhido a dedo, no meio de um mundo em que poderiam haver pessoas mais capacitadas que você, mais bonitas e até mesmo de um padrão social mais elevado. Mas há algo em você que Deus quer usar. Depois, o ferreiro limpa superficialmente a pedra, livrando de poeiras, terra, restos de qualquer impureza externa que atrapalhará o trabalho futuro. Assim foi com cada um de nós. Ele nos tomou e retirou todos os costumes do mundo, nosso modo de falar, de se vestir, nosso modo de agir. Isso para que a obra dele fosse completa e desejássemos menos aquilo que o mundo tem a cada dia que passasse. Em seguida, é acendida a fornalha, para que a rocha, que contém o metal, seja liquefeita (derretida), e a escória saia. Escória é a impureza presa ao interior da rocha, ou metal. São partes que não compõem sua a natureza e que, se deixadas ali, enfraquecem a peça a ser feita. O calor do fogo serve para provar a qualidade da rocha. Deus também usa o fogo para provar seus escolhidos. Logo assim que entramos na igreja, todas as dificuldades aparecem. Os antigos desejos mundanos lutam contra o espírito. É nessa fase que muitos não suportam e saem, enquanto aqueles que permanecem na luta, são limpos dos costumes mais presos dentro deles. O modo de pensar é purificado, ela tem maiores forças para resistir as tentações. Tudo isso pois ela aceitou definitivamente que só Deus pode salvá-la. Quando a escória sai, o metal se torna puro, e pronto para ser manuseado. Nesta fase, o líquido é posto em um forma e deixado para esfriar brevemente. Depois do fogo, a pessoa percebe que as lutas já não são mais tão difíceis quanto no início da caminhada. Ela está tomando uma nova forma, um novo contorno, perfeito para que Deus possa trabalhar, para moldar. Ela está nascendo de novo. O metal, agora em brasa, é levado a bigorna e o martelo. Ali, o ferreiro irá preparar a estrutura da peça, achatando, dobrando, reaquecendo o metal diversas vezes, para fortalecê-lo e assegurar seu uso. Aqui entra o batismo. Daqui em diante, a pessoa deve aceitar Deus agindo sobre ela. É o último estágio antes do Espírito Santo. Se ela não quiser continuar é como se o metal se quebrasse, ao invés de fortalecer, e ele é simplesmente posto de lado. É substituído. O esforço do ferreiro neste estágio do trabalho é árduo, e até mesmo violento para aqueles que veem de fora. Mas, sem isso, há muitas chances do metal não resistir mais tarde. É a etapa dos jejuns, das orações, da leitura da Palavra, como nunca antes foi feito. É difícil, mas a cada passo ela está mais pronta para o futuro, para o Espírito Santo. Ao terminar o manuseio bruto, o metal é aquecido mais uma vez, agora com os contornos determinados. Não há arranhões, cicatrizes ou rachaduras. O martelo e a bigorna se encarregaram de eliminar tudo isso. Em brasa, o metal é mergulhado na água fria, não durante muito tempo, mas apenas o suficiente, cerca de 2 segundos, para que a temperatura deixe o metal inteiramente sólido. Agora sim. Depois de ser minuciosamente preparado, eliminando impurezas externas e internas, fortalecendo sua estrutura, provando sua natureza, a pessoa pode receber o Espírito Santo. Ela está inteiramente pronta para essa fase. Se fosse antes, ela não resistiria. O metal, mesmo depois de eliminadas suas impurezas, se fosse diretamente lançado na água, sairia torto e frágil. No primeiro momento estaria perfeito, mas qualquer choque certamente o partiria em pedaços. Por esse mesmo motivo Deus diz que cada um é tentado pela sua própria cobiça, algo que ele pode suportar. Deus sempre tem o tempo certo para você. Perceba que Deus tem diversos métodos para provar um coração, uma pessoa mas cabe exclusivamente a esse coração desejar ser moldado por Ele. Um bom ferreiro não erra na escolha da rocha a ser preparada. Quanto mais Deus! Se você está aqui é porque Deus conhece sua natureza, e cabe somente a você escolher: ser útil aos propósitos de Deus ou permanecer mais um neste mundo?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tecnologia da Informação

Admito que estava apreensivo, mas finalmente aconteceu. Cerca de 60 anos depois da invenção da internet, inicialmente para satisfazer as necessidades comunicativas dos estado-unidenses, em território nacional, durante e depois da 2° Grande Guerra e, ultimamente, para satisfazer necessidades comunicativas de desocupados, em todo território global, que, perdoem-me, compõem grande parte da rede em sites de relacionamentos. Mas não vim até aqui dizer o quanto sou distante da massa de informações que circulam pelos mesmos sistemas, e sim para parabenizar os usuários abençoados que, seja por scrap ou tweet, deram o "start" na onda de manifestações contra os governos ditatoriais na Ásia e África. Uma vitória "abusada" para a democracia. Posso estar sendo prematuro em avaliar a situação desta maneira. Na verdade, lembro-me dos estudos históricos das épocas pré-guerra-mundial, mais precisamente da mesma 2° Grande Guerra, quando o socialismo estava efervecendo na Europa Ocidental. Os mais pessimistas podem esperar uma nova ordem neo-fascista nas costas dessa tal onda democrática. Se acontecer, não vou me assustar. É um risco bem conhecido e tem grandes chances de ocorrer de fato. Porém, ainda não é hora de jogar areia no caminhão da população que anda sendo massacrada em praça pública. Ainda, e, sinceramente, esperava não ter de fazer isso. A verdade é: eles vão tomar o poder. Pelo menos, temporariamente. É inevitável. Nenhum povo chega ao ponto da revolta-com-sangue e volta atrás. Ou não deveria voltar, acho. O engraçado mesmo dessa história é: mais uma vez, os estado-unidenses. Já cansei de dissertar sobre a raça de víboras que eles são, mas eles são bons nisso mesmo. Guerra Fria. Ásia e África. Conflito de influências. Patrocínio a novos governos. Os EUA financiaram muitos desses governos ditatoriais, podendo dizer que são responsáveis pela criação do Talibã, o algoz das Torres Gêmeas. Com a intenção de expandir suas negociações internacionais, os EUA não pouparam esforços para, além de enriquecer os Tigres Asiáticos, entregar o poder nas mãos de líderes mais, digamos, estáveis, que se mantenham décadas no poder sem muitos problemas de estruturação governamental. As cobaias foram justamente os territórios exploradores de petróleo em grande escala. Coincidência ou não, os muçulmanos são um povo bastante disciplinado em questões de poder. A coisa era simples: manter o poder na mão de um, estando esse um disposto a vender petróleo, segurá-lo durante décadas a fio, sufocando manisfestações violenta e rapidamente. No fim da URSS ficou mais fácil ainda. O comércio de armas deu uma guinada, com os russos dispostos  a vender, e uma cacetada de gente querendo se armar, inclusive os divididos africanos em suas guerras civis. E assim foi. Venda armas daqui, bota um ditador no poder ali, mata umas 100 pessoas na escola ali depois da esquina, enrola o imprensa internacional mais uma vez, e a ONU fecha os olhos. Mas, além disso, se o coitado presidente, rei ou sheik, tem um acesso de consciência e tenta colocar tudo nos eixos, ele perde apoio dos EUA, uma "revolução" acontece, ele se exila ou é assassinado, e outro capacho entra na roda. E assim tudo se mantinha na mesmo história. "Eu vejo o futuro repetir o passado", Cazuza. Começando pelo badalado "Wikileaks", as coisas evoluíram rapidamente. Revelar pra todo mundo o modo inescrupuloso e preconceituoso que os estado-unidenses enxergam o resto do planeta, mesmo que esse mundo já soubesse disso, com assinaturas oficiais tudo fica mais interessante. O cenário é bem promissor: crise econômica na Europa, perda de credibilidade estado-unidense, revoltas contra ditadores que já passaram da crise da meia-idade e, timidamente, eu lendo "Fortaleza Digital". Estou ansioso pelos próximos episódios, e torço pela internet que, socio-politicamente, desencadeou quase sozinha, com seus milhões de usuários, uma façanha pouco esperada. Achei que nunca diria isso, mas: Eu bato palmas para os sites de relacionamento. Sei que o lixo digital sempre vai estar aí, mas é a espada-de-dois-gumes (ou faca-de-dois-legumes) que temos que carregar. Quem sabe a nova ordem mundial surja, ou um socialismo 2.0? Independente do resultado, é um privilégio estar vivendo esses momentos. Mas fiquem atentos. Uma região rica em insumos comerciais de alto valor, vizinhos de uma crise econômica de alto porte e instável politicamente é um prato cheio para as falsas ações humanitárias da ONU, o cão-de-guarda dos EUA. Se ocorrer, não será a primeira nem a última. Veremos quem ganha: capitalismo ou democracia? Façam suas apostas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eu... Eu? Ahh, Eu...

Cara, que definição complexa. Um dia eu pensei que acharia algum ser humano igual ou parecido comigo, mas isso seria catastrófico para a segurança da própria humanidade. Eu, sinceramente, tenho medo de mim mesmo. Não só pelas imitações bizarras de personagens cômicos, pela aparência parcialmente gutural, pelo humor absolutamente negro munido de um sarcasmo doentiamente irônico. Pela quantidade de coisas que passam pelas minhas sinapses cerebrais. Coisas que vão desde um modo mais econômico para lavar a louça a estratégia infalível para derrotar aquele "boss" maldito do "rpg" que eu não consigo "zerar", sem esquecer os devaneios sobre presentes para a namorada e a situação político-econômica do cenário mundial vigente. Não é a toa que pus o nome de blog de "um lugar perigoso". Uns vão achar que estou me gabando dada a característica oblonga do meu crânio, ao mesmo tempo a esguia do meu corpo. É absolutamente compreensivo, eu acho. Mas não, não é. Tentando me definir, passo pela tentativa de definir o universo em poucas palavras, e chego ao seguinte: uma Mistureba Generalizada de Todas as Coisas, ou seja, não é pra ter mesmo sentido algum, dado o fato de que uma coisa é, ou pode ser algo, e, ao mesmo tempo, muitas não significam nada, pois muitas não é, muitas são, e ainda continuamos no singular, logo, conectivamente não há conexão nem sentido, culminando na inexistência, que, simultaneamente comprova a existência de algo que ainda não sabemos o que realmente é. Tá, ninguém chegou no fim da frase pessimamente estruturada. Me faz lembrar do saudoso Chico Anysio, quando representava Alberto Roberto. Longe de mim um senso artístico tão rico, mas é engraçado a metalinguagem referente. Resumindo, esse papo de síntese pessoal é a maior furada quando o indivíduo não entende o mundo que o cerca, e se o ambiente define o homem, não havendo compreensão do meio, definição alguma levaria o homem, e, ao mesmo tempo, se penso logo existo, não pensar leva a inocuidade do senso de propósito na trajetória histórica do mesmo homem, ser, ou coisa, que pensa pensar, não pensando em coisa alguma, e, por conseguinte, não existe em nenhuma esfera física, psicológica, ou psicocinética derivada da resultante dos quatro vetores fundamentais, conhecidos até hoje, que catatonicamente persistem no pseudo-pensamento-existencial. Mas pra que tantas linhas? Nenhuma delas faz sentido. Se fizer, parabéns. Una-se à prole da qual faço parte desde o advento de meu sonolento nascimento físico, ainda que minimamente mental, precursor da obra pouco mercadológica atual, inconsistente e efusiva, ainda que haja nesses adjetivos inverdade, fato é que a verdade é algo relativamente incoerente, devido a multidão de perspectivas difusas de cada indivíduo no ínfimo espaço de tempo que compreenda a manutenção do bombeamento sanguíneo para a notação parcial de vida, ou sub-vida, agindo de maneira a eliminar o conceito universal de verdade absoluta, dogmas ou lei, seja lá quais forem. Amém.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Criminoso

Sou culpado de muitos crimes
Dentre eles o de te amar
Mas poderia eu viver
Sem teu coração roubar?

Roubo, furto, sequestro
Pergunto-me se tu não tomaste
A mim mesmo para ti
Hoje, fazemos do outro parte

Como num lampejo
Em teu olhar me levara, me carregara
Para longe de tudo, mais perto de ti
Nessa natureza de beleza rara

Não há punição que me faça arrepender
De um dia, e todos dias
Perseguir seus passos correndo
Mesmo que me acusem, independe

De furtar-te beijos
De fazer gracejos
De me dividir inteiro
Para me completar em ti

Poderia extorquir meus desejos
Para ver seu sorriso em floreios
Em um corpo dançante, relampejante
De graça e sutileza

Atacaria o pudor
Faria-o tolerar-me a insolência
De admirar alma tão inocente
Fazendo até do ateu, crente

Distribuiria entre os pobres
A riqueza dos teus pensamentos
Que inflamam todos os momentos
Quando penso em ti, cantando a ti

Inocente ou culpado?
Quem poderá dizer-me
Ainda que me prendas
Já estou atado, algemado

Tentar-me-ião com solidão
Embora em meu íntimo
Tu não me deixaste
Para que me consolaste

Não há trabalho, fardo ou peso
Que me faças ser menos coeso
E ainda assim louco em palavras
Quando testemunho de ti ao mundo

E os anos passam sem sentença
Mas para mim já há recompensa
Do trabalho bem feito
De gerar um amor perfeito

Sei que tenho meu defeito
Pareço causa e efeito
Causa de te encontrar
Efeito de me apaixonar

Minha defesa não carrego
Contigo me faço incauto
Mas que conste nos autos
Não hesitaria em dizer de um salto

Se tudo que tinha tomaste
E não desejo para mim retornar
Só quero em teu cativeiro ficar
E não presto queixa...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Como Se Fosse A Primeira Vez

Depois tempos
Sem vê-la, sem tê-la
Cada dia pensando
Mais e mais

Ao estar com ela
Ao olhar em seus olhos
Senti-me como se de novo
Fosse a primeira vez

Os olhos
Os rostos
Cada gesto
Cada passo

A mesma inocência
A mesma timidez
O mesmo cumprimento
De tempos atrás

Ao toque de seus cabelos
Sentindo sua mão roçar na minha
Sua pele desprendendo o perfume natural
Voltava eu no tempo

Um odor
De amor
Não há dor

Mas o ardor
Do torpor
Que com furor
Este sabor

Ela exalava
E lhe beijava as faces
E permeava o ar

E renovava o mar
Do amor profundo
De uma imensidão
Pacífica, translúcida

Chegando ao cerne da alma
Ao antro, ao fundo
Do insondável, desconhecido
Ser, que é seu

Búzios, sem Tarô ou Carteado

Primeiro, o clima. Quente, seco. Muito vento, pouco suor. Céu azul, poucas nuvens. Poucos lugares tem um calor extra-potente e não incomodam. Depois, a paisagem. Areia, rochas, mar. Coisas desse tipo que fazem as pessoas pensarem em quão feia é a paisagem que vêem todos os dias de suas pobres vidas. Tudo imperfeitamente dividido a tornar tudo isso perfeito para qualquer um que vê. Areias que não pinicam. Águas cristalinas, e cheias de vida marinha. Rochas que complementam toda a forma, de modo estável e belo. Por último, as pessoas. Nada de pressa, nada de preocupações com qualquer coisa que não seja viver. Sempre há tempo. Seja para pescar, surfar, pegar sol e, pasmem, dormir. Compromissos são marcados sempre depois das 8 da matina, e mesmo indo para a cama tarde da noite, depois de uma peixada fresca na brasa, você tem disposição de sobra. Não tem necessidade de ter preguiça, quando tudo acontece naturalmente, como as ondas do mar ali depois da esquina. Em 3 dias, das mais de 30 praias nas proximidades, visitamos 9, cada uma com características únicas, seja qualidade da areia, temperatura da água, velocidade do vento, público pagante de estacionamento e tamanho de biquíni. Acreditem, sem farofeiros. Ouvi histórias de um pescador piadista e analfabeto, que já foi carregado 12 horas por uma baleia (ou Kraken, se preferirem) na baía de Búzios, e que tem propriedades que ultrapassam a casa dos milhares. Participei de uma busca épica por um peixe. Peixe esse que envolve 11 kg de carne fresca, 150 reais, alguns contatos, telefonemas, busca e apreensão em domicílio. Conhecido como “vermelho” ou sioba, o kg do peixe é vendido a 27 reais, e suas ovas são uma iguaria culinária. Sim, esse exemplar tinha ovas. Sua carne é 100% filé, macio e suculento. Confraternizei em uma peixada na brasa, pré-aquecia com palha de quintal e gravetos, comendo, além do “vermelho”, pão de alho e bananas assadas, e ainda aprendendo que, do peixe, até espinha se come. “Falei”, ou tentei, com argentinos, franceses, europeus, americanos, mas o que mais me impressionou foi a habilidade dos estrangeiros: simplesmente pousarem seus pálidos corpos nas rochas aquecidas pelo ferrenho sol e tostarem, saboreando cada queimadura de primeiro grau, seguido de vermelhidão e ardência constante, para dizerem o quão boas são as praias do nosso Brasil varonil. Ouvi rock n’ roll em um quiosque, apreciei vistas panorâmicas, comprei lembranças, conheci pessoas, aprendi a comer coisas novas e, de quebra, virei fotógrafo/modelo fotográfico. Uma viagem e tanto, eu diria. Só faltou uma galera para fazer bagunça, e minha namorada para complementar meu paraíso. Quem sabe na próxima vez...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sometimes "I Wanna Be Sedated"

Tem horas
Horas que nada parece fazer sentido
Horas que o tempo passa sem sentir
Horas que a vida vai sem perceber

Tem dias
Dias que são desperdiçados
Dias que o céu nunca fica nublado
Dias que o chão se abre sob os pés

Tem semanas
Semanas que o trabalho não rende nada
Semanas que não há tempo para namoro
Semanas que não há melodia no violão

Sinto-me como manteiga
Passada em uma fatia de pão
Esticado, passado, atravessado
Duvido se pertenço a esta vida

Pareço como um alimento
Fora da validade, mas que persiste
Em servir de alimento a outrem
Querendo sentir-se útil pra algo

Pareço um eletrodoméstico
Antigo, obsoleto, esquecido
Que acha uma atualização suficiente
Para servir ao seu propósito de novo

Há momentos que tenho medo do futuro
Do que posso me tornar se deixar tudo acontecer
Tenho medo ser aquilo que tento não ser
Sem saber se poderei ser aquilo que quis no início

Não sei onde é início
Nem mais onde é fim
Talvez eu esteja no meio
Mas até quando?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ser ou não Ser? Be or not to Be?

Sou chato, sou turrão
Sou rabugento, mas não charlatão

Tem coisas que eu quero fazer
Mas nem tudo que quero, posso
Tem coisas que os outros devem fazer
Fazer por si mesmos
Mas é chato ver que não é feito
Mas se não sou eu
Então por que se preocupar?

Preocupação demais
Paciência de menos
Rugas demais
Beleza, já pouca, menor ainda

Tem vezes que dá vontade
De jogar tudo pro alto
Tem vezes que dá vontade
De socar tudo na frente

Só de ver a tartaruga
Andando devagar
Dá vontade de ajudar
Mas quem disse que ela precisa de ajuda?
Se ela é lerda, quem tem que se resolver é ela

Tá aí o problema
Excesso de ajuda, atrapalha
Excessos sempre atrapalham
Tá faltando equilíbrio

O problema é seu?
Se não, você pode ajudar?
Se pode, faça uma vez
Se não der certo, repita com clareza
Se continuar, deixe acontecer
Se acontecer, não diga "eu avisei"
Se disser, leve um tapa
Se não disser, ela aprende por si mesma

Deus deu uma vida
Pra cada um cuidar da sua
Ajudar? Você pode
Obrigar? Você não deve
Aprender? Todos precisam

Você pula, grita, esperneia
Mas seja um professor:
Dê uma prova
E veja o resultado
Cabe a cada um:
Ser aprovado
Ou não

Entre ser ou não ser
Entre fazer ou não fazer
Entre "be or not to be"
Fique com "let it be"