quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tecnologia da Informação

Admito que estava apreensivo, mas finalmente aconteceu. Cerca de 60 anos depois da invenção da internet, inicialmente para satisfazer as necessidades comunicativas dos estado-unidenses, em território nacional, durante e depois da 2° Grande Guerra e, ultimamente, para satisfazer necessidades comunicativas de desocupados, em todo território global, que, perdoem-me, compõem grande parte da rede em sites de relacionamentos. Mas não vim até aqui dizer o quanto sou distante da massa de informações que circulam pelos mesmos sistemas, e sim para parabenizar os usuários abençoados que, seja por scrap ou tweet, deram o "start" na onda de manifestações contra os governos ditatoriais na Ásia e África. Uma vitória "abusada" para a democracia. Posso estar sendo prematuro em avaliar a situação desta maneira. Na verdade, lembro-me dos estudos históricos das épocas pré-guerra-mundial, mais precisamente da mesma 2° Grande Guerra, quando o socialismo estava efervecendo na Europa Ocidental. Os mais pessimistas podem esperar uma nova ordem neo-fascista nas costas dessa tal onda democrática. Se acontecer, não vou me assustar. É um risco bem conhecido e tem grandes chances de ocorrer de fato. Porém, ainda não é hora de jogar areia no caminhão da população que anda sendo massacrada em praça pública. Ainda, e, sinceramente, esperava não ter de fazer isso. A verdade é: eles vão tomar o poder. Pelo menos, temporariamente. É inevitável. Nenhum povo chega ao ponto da revolta-com-sangue e volta atrás. Ou não deveria voltar, acho. O engraçado mesmo dessa história é: mais uma vez, os estado-unidenses. Já cansei de dissertar sobre a raça de víboras que eles são, mas eles são bons nisso mesmo. Guerra Fria. Ásia e África. Conflito de influências. Patrocínio a novos governos. Os EUA financiaram muitos desses governos ditatoriais, podendo dizer que são responsáveis pela criação do Talibã, o algoz das Torres Gêmeas. Com a intenção de expandir suas negociações internacionais, os EUA não pouparam esforços para, além de enriquecer os Tigres Asiáticos, entregar o poder nas mãos de líderes mais, digamos, estáveis, que se mantenham décadas no poder sem muitos problemas de estruturação governamental. As cobaias foram justamente os territórios exploradores de petróleo em grande escala. Coincidência ou não, os muçulmanos são um povo bastante disciplinado em questões de poder. A coisa era simples: manter o poder na mão de um, estando esse um disposto a vender petróleo, segurá-lo durante décadas a fio, sufocando manisfestações violenta e rapidamente. No fim da URSS ficou mais fácil ainda. O comércio de armas deu uma guinada, com os russos dispostos  a vender, e uma cacetada de gente querendo se armar, inclusive os divididos africanos em suas guerras civis. E assim foi. Venda armas daqui, bota um ditador no poder ali, mata umas 100 pessoas na escola ali depois da esquina, enrola o imprensa internacional mais uma vez, e a ONU fecha os olhos. Mas, além disso, se o coitado presidente, rei ou sheik, tem um acesso de consciência e tenta colocar tudo nos eixos, ele perde apoio dos EUA, uma "revolução" acontece, ele se exila ou é assassinado, e outro capacho entra na roda. E assim tudo se mantinha na mesmo história. "Eu vejo o futuro repetir o passado", Cazuza. Começando pelo badalado "Wikileaks", as coisas evoluíram rapidamente. Revelar pra todo mundo o modo inescrupuloso e preconceituoso que os estado-unidenses enxergam o resto do planeta, mesmo que esse mundo já soubesse disso, com assinaturas oficiais tudo fica mais interessante. O cenário é bem promissor: crise econômica na Europa, perda de credibilidade estado-unidense, revoltas contra ditadores que já passaram da crise da meia-idade e, timidamente, eu lendo "Fortaleza Digital". Estou ansioso pelos próximos episódios, e torço pela internet que, socio-politicamente, desencadeou quase sozinha, com seus milhões de usuários, uma façanha pouco esperada. Achei que nunca diria isso, mas: Eu bato palmas para os sites de relacionamento. Sei que o lixo digital sempre vai estar aí, mas é a espada-de-dois-gumes (ou faca-de-dois-legumes) que temos que carregar. Quem sabe a nova ordem mundial surja, ou um socialismo 2.0? Independente do resultado, é um privilégio estar vivendo esses momentos. Mas fiquem atentos. Uma região rica em insumos comerciais de alto valor, vizinhos de uma crise econômica de alto porte e instável politicamente é um prato cheio para as falsas ações humanitárias da ONU, o cão-de-guarda dos EUA. Se ocorrer, não será a primeira nem a última. Veremos quem ganha: capitalismo ou democracia? Façam suas apostas.

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