Primeiro, o clima. Quente, seco. Muito vento, pouco suor. Céu azul, poucas nuvens. Poucos lugares tem um calor extra-potente e não incomodam. Depois, a paisagem. Areia, rochas, mar. Coisas desse tipo que fazem as pessoas pensarem em quão feia é a paisagem que vêem todos os dias de suas pobres vidas. Tudo imperfeitamente dividido a tornar tudo isso perfeito para qualquer um que vê. Areias que não pinicam. Águas cristalinas, e cheias de vida marinha. Rochas que complementam toda a forma, de modo estável e belo. Por último, as pessoas. Nada de pressa, nada de preocupações com qualquer coisa que não seja viver. Sempre há tempo. Seja para pescar, surfar, pegar sol e, pasmem, dormir. Compromissos são marcados sempre depois das 8 da matina, e mesmo indo para a cama tarde da noite, depois de uma peixada fresca na brasa, você tem disposição de sobra. Não tem necessidade de ter preguiça, quando tudo acontece naturalmente, como as ondas do mar ali depois da esquina. Em 3 dias, das mais de 30 praias nas proximidades, visitamos 9, cada uma com características únicas, seja qualidade da areia, temperatura da água, velocidade do vento, público pagante de estacionamento e tamanho de biquíni. Acreditem, sem farofeiros. Ouvi histórias de um pescador piadista e analfabeto, que já foi carregado 12 horas por uma baleia (ou Kraken, se preferirem) na baía de Búzios, e que tem propriedades que ultrapassam a casa dos milhares. Participei de uma busca épica por um peixe. Peixe esse que envolve 11 kg de carne fresca, 150 reais, alguns contatos, telefonemas, busca e apreensão em domicílio. Conhecido como “vermelho” ou sioba, o kg do peixe é vendido a 27 reais, e suas ovas são uma iguaria culinária. Sim, esse exemplar tinha ovas. Sua carne é 100% filé, macio e suculento. Confraternizei em uma peixada na brasa, pré-aquecia com palha de quintal e gravetos, comendo, além do “vermelho”, pão de alho e bananas assadas, e ainda aprendendo que, do peixe, até espinha se come. “Falei”, ou tentei, com argentinos, franceses, europeus, americanos, mas o que mais me impressionou foi a habilidade dos estrangeiros: simplesmente pousarem seus pálidos corpos nas rochas aquecidas pelo ferrenho sol e tostarem, saboreando cada queimadura de primeiro grau, seguido de vermelhidão e ardência constante, para dizerem o quão boas são as praias do nosso Brasil varonil. Ouvi rock n’ roll em um quiosque, apreciei vistas panorâmicas, comprei lembranças, conheci pessoas, aprendi a comer coisas novas e, de quebra, virei fotógrafo/modelo fotográfico. Uma viagem e tanto, eu diria. Só faltou uma galera para fazer bagunça, e minha namorada para complementar meu paraíso. Quem sabe na próxima vez...
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