segunda-feira, 31 de maio de 2010

"I see you..."

Ao ouvir essa frase no filme "Avatar", eu sabia que um dia iria recitá-la para alguém especial o suficiente. Alguém que eu julgava, ou aparentava, não ter ainda vindo a mim. Alguém que eu, por muito tempo, eu acreditei que nunca iria encontrar. Mas que mesmo assim, estava comigo todo o tempo, talvez esperando, ansiando o momento em que se deixaria levar pelo seu desejo. Para tanto, negava-me o prazer da reciprocidade. Eu queria. Você também. Porém, quão inflexíveis éramos nós. Eu, tão pequeno, brandia bonitas palavras como veloz espada. Palavras, ações, gracejos. Tudo que eu pude, tentei. Enquanto ali eu me entregava, sua inexorável defesa, como uma muralha, se levantava entre nós. Sentiu dor por aquilo tudo. Queria o meu bem, por julgar-se indigna da minha natureza. Como dia chuvoso que não se permite uma pausa, eu ali estava, a postos para qualquer mera oportunidade. A chuva passou. Desacreditado eu me achei. As suas escolhas não me confundiam. Eu já conhecia você. Embora para mim, não houvesse concordância. De tanto desejar incontido, você já lia meus movimentos. Meus olhares. Sua profunda análise transmitia aquilo que eu não falava. Eu pensava ser pouco para satisfazer suas ambições. Passei a apoiar-te, ainda que eu não estivesse na posição que queria. Ambos sentiam a mesma coisa. Ambos tinham o mesmo objetivo. Tudo e todos apoiavam a união. "Trac Trac", Paralamas do Sucesso. Tentei esquecer você. Procurei por aquilo que eu julgava ser o amor, mesmo estando tão próximo. A distância do olhar era quase infinita. Pelas suas escolhas você chorou. Pelas minhas, eu o fiz. A luz que emanava da sua existência me aquecia. Sua presença me fazia sorrir, ainda que eu o escondesse. Mas você sabia de tudo isso. Tentando me proteger. Era implacável. Lágrimas de sangue eram derramadas. O coração agonizava a cada instante. Cada toque. Cada simples menção. Com veludo negro, eu estava cego. Julgava ter perdido você, mesmo tendo a todo momento. Ao me esquivar da sua presença, sentia parte de mim se perder no Vazio. Também eu endurecera minhas entranhas. Outras vieram a mim. Era diferente. A magia que existia não voltaria por diferentes meios. Por um longo tempo fizemo-nos como espécies diferentes. Embora eu quisesse dar tudo para estar com você. E você, comigo. Nosso amor era platônico ao extremo. Também pudera. Sendo nossas paixões pela filosofia tão parecidas talvez não houvesse muita escolha. E não houve. Na verdade eu nunca deixei de perceber você. Era impossível ignorar tudo que você sempre representou. Nunca fui insensível. Mas poderia ignorar meu coração por um tempo, ainda que curto ele o fosse. Assim, houve o meu distanciamento. Devagar e sutil como o movimento de um guepardo antes do ataque letal. O ataque não veio. Aos poucos, um desespero tomara nossa conexão. Tão parecidos. Em tudo. Ao não ver saída senão a exaustão, eu tomei drásticas medidas. Como a lâmina que vagarosamente penetra na carne. A dor era excruciante. O fel foi provado. Jamais quero aquilo outra vez. E num lapso de furor incontido, sua boca pronunciou as palavras que sempre quis ouvir. Ali eu vi a própria destruição. O apocalipse poderia vir e eu nem mesmo daria conta dele. Quis tanto aquilo. E quando tive, me pareceu a sentença que eu provocara. Meu medo sobremaneira inflou. Eu não aceitaria ferir a santidade do seu ser. Clamei por Deus no meu momento de absoluta escuridão. Pediria a morte antes que pudesse materializar sua tristeza. Nesse momento eu duvidava que poderia fazer o que era certo. Mas Deus me respondeu. Do modo mais sereno que pode acontecer. Você veio para me salvar. De mim mesmo. "Bring me to Life", Evanescence. Me trazer a luz que eu esquecera. Que durante tempos sem fim você sustentou. Sua mão estava estendida para mim. O tormento da minha alma foi subitamente esvaido. Nosso enclave reprimido era tão tênue como uma brisa, e tão implacável quanto um trovão que corta o céu noturno. "Every Breath you take", The Police. Nós já éramos um do outro desde o princípio. Mas a humanidade dentro de nós ainda resistia. Nosso mútuo entendimento era a marca mais poderosa daquilo que queríamos. Sua confissão me mostrou toda a verdade. Tudo que eu não queria ver. Mas que eu sentia como meu próprio coração a palpitar. Você é o anjo da minha salvação. Quando ninguém jamais disse as palavras que você teve a máxima coragem de dizer para mim. Era você o tempo todo. Só eu e você. "My Immortal", Evanescence. Um para o outro. Sua voz me apazigua. Seu olhar me liberta. Sua presença me encoraja. Mesmo dizendo ter tantos defeitos que eu reconheço. Que me qualifica de um tal modo que nem eu mesmo acreditava poder ser. Não me importo. O maior presente que eu poderia receber. A jóia mais rara que alguém poderia encontrar. "... mulher virtuosa, quem a achará? ..." Provérbios 31:10. Quão feliz e realizado eu me sinto ao dizer que pude encontrá-la. Você. A única. Minhas antigas e errôneas tentativas nunca chegariam ao patamar que você chegou. Não é um prêmio. É uma dádiva. Meu tesouro. Que eu não quero jamais perder. Durante nossas conversas, nos vasculhamos mutuamente. Não precisamos dizer nada um para o outro. Ambos nos conhecemos pelo olhar. Nem mesmo um gesto é mais prazeroso de se perceber. Enfrento tudo e todos só por você. Depois de tanto escrever percebo a incapacidade de transmitir tudo que sinto. É algo só nosso. "Taking Over Me", Evanescence. Aqui eu paro de relatar nossas todos os nossos momentos. Não há razão para faze-lo. Meu léxico não atinge esse nível. Mas a poesia está aí. Embrenhada na imensidão das palavras. "... quem tem ouvidos, ouça ..." Apocalipse 13:9. Ousei pensar em escrever todos os nossos contos. Incabível. Remeto ao título deste post. A síntese de tudo que posso transmitir. I see you!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

"Le Petit Prince"

Escrevo esse post para aquela que um dia perguntou se havia escrito "The Only Exception" para ela. Na verdade, não era para ela, embora ela o merecesse acima de qualquer um. Arwen disse a Aragorn: "É minha para dar a quem eu quiser...". Mas esse é mais sincero. Aceite-o. O que para mim era uma entrega a quem eu julgava ser aquela que tomaria meu coração. Ledo engano. Estava errado, e por isso imploro sua misericórdia. Um turbilhão de sensações dentro de mim. Tudo tão rápido. Cometi erros. Confundi sentimentos. Agradeço a Deus por não ter ferido aqueles que comigo estavam, pois poderia sim ter sido muito pior. Houveram sacrifícios, mas talvez fosse inevitável. Posso ainda ter destruído tudo que tentei construir por tanto tempo em alguns simples comentários duvidosos. "Love of my life", Queen. No fim, você sempre o foi. Hoje, enquanto conversava com alguns amigos, me veio à mente os momentos que passei lendo a obra que dá nome ao post. Foi uma identificação imediata. Assim como o Príncipe, aquela que me cativara estava sempre ali. Perto de mim. Tão perto quanto um toque. Quanto um sorriso. Um olhar. Percebia sua presença mesmo quando ainda distante de mim estava. Sua voz, seus olhos, seu andar. Tudo me acalmava. Me dava fôlego. Me despertava. No início parecia comum. Porém, ao afastar meu pensamento de você, algo mudava em mim. Não preciso compreender. Eu sabia o que era. E você também. Embora minhas investidas fossem paradas antes mesmo de serem lançadas. Você tinha uma ambição. E eu não estava contido nela. Poderíamos ter abreviado tanta ansiedade. Com o tempo, não só você, mas eu, passei a mentalizar uma relação de amizade. Como irmãos. Fora duro, mas não havia como ultrapassar certos limites. Sua perspectiva mudou. Já não eram os mesmos sonhos de antes. Senti-me mais perto do meu prévio objetivo, ainda que não houvesse em mim coragem suficiente para demonstrá-lo como deveria. Tudo convergia para "nós". Não sei o que se passava em sua mente. Eu me satisfazia nas coisas simples. Era pouco, mas "era". Muitos vieram tentar aterrar esse prazer. De todos os lugares. Até que eu mesmo já havia me perdido do seu rastro. Como alguém que sozinho vagueia na densa noite. Não reconhecia minha própria face. Assim como o Príncipe. Com tanto a ver, esquecera-se do que de fato o importava. Até que conheceu o verdadeiro amor. Aquilo que fazia de algo tão pequeno quanto uma flor ser especial à ele. O píncaro da minha perdição foi o ponto em que não reconheci nem aqueles que me queriam bem. Era mentira. Eu não sentia a verdade nas minhas palavras. Por pouco eu poderia ter cometido um genocídio. E mesmo não sendo sincero, fui perdoado pela pessoa que mais poderia ter sido atingida por aquilo. Ela viu o que eu não queria enxergar. Já abalado pelas minhas más escolhas, você veio até mim. "Lanterna dos Afogados", Paralamas do Sucesso. Não esperava aquilo, mas no fundo eu desejava aqueles instantes. Disse o que há tanto não me deixava perceber. Aquilo que por muito tempo eu esperei, já perdendo as esperanças. Você me despertou. Me amou. E eu, tolo, colocava tudo em risco. Uma perda ofuscou meus sentidos. Atordoado pelas reações. Eu queria amar de novo, mas eu já amava e não entendia. Tanto tempo e minha imbecilidade queria derrubar tudo que você construira. Homem sujeito a falhas, algumas delas que não deveriam jamais sair dos meus pensamentos. Assim como o Príncipe, eu pranteei. Não quero ser esse homem para você. Você merece tanto. E sou eu tão pouco. Lágrimas desejam rolar pela minha face enquanto escrevo essas palavras. Ainda sou um tanto seco. O que eu sou? Todo herói é um lobo solitário. Não sou um herói, mas ainda assim deveria combater meus vilões sozinho. A donzela que eu sonhava resgatar poderia estar perdida para sempre. É clichê, mas suplanta a situação. Não confiava em mim mesmo. Não queria, nem quero jamais ferir a ternura da sua alma. "Quase um segundo", Paralamas do Sucesso. Ainda agora tenho medo. Desejo estar nos seus braços, aconchegado. Mas não quero errar outra vez. "Romance Ideal", Paralamas do Sucesso. É incrível como podemos ser poéticos quando nosso coração está despedaçado. Mais uma vez, eu retorno à compreensão de que os outros estão acima de mim. Somos tão parecidos. Em tantos sentidos. Você. Tão cuidadosa. Eu. Tão "sem-noção". Uma das poucas coisas que nos diferem. Quero ser o melhor para você. Como eu nunca antes fui. Agora eu entendo. Eu creio. Serei julgado por isso. Mas depois de sofrer eu sei que é real. Agora é real. Me perdoe. Essa é minha confissão.
P.S. Eu te amo. Como nunca fiz antes. De um jeito novo. Do seu jeito. Do jeito certo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Alone in the Dark"

A Escuridão retorna poderosamente. É como se os jedi retornassem e, mais uma vez, fossem dizimados. Outra vez, eu caio na maldita contradição que insiste em mutar-me. Eu tentei. Tentei da melhor maneira. Mas não conheço boas maneiras de fazer isso dar certo. Mesmo dando o máximo para ajudar e ser um bom homem, eu só consigo gerar sofrimento aos que me amam. Não há escapatória. Trevas engolfam meu ser como as chamas da fundição. Amor. Desespero. Doçura. Fel. Não conheço meus sentimentos como deveria. Oco. Assim me sinto. Ou sou assim? Tanta dor gerada pela displicência dos lábios infames. Me pergunto se algum dia amarei de verdade. Alguém. Não conheço nada ainda. Imaturo. Destrutivo. Agora, o deserto não parece tão ruim. Ao menos eu desejava sua presença. Porquê? Não há resposta. A sina do pistoleiro solitário. Sinto-me como Wolverine. Sem passado. Sem futuro. Sem ninguém. Sem nada. Maldição. Lembro-me de "Prince of Persia". Sofrimento abraçava-o com garras profundas. Perseguia-o. Roubava-o. E sabia que tudo fora sua culpa. Minha culpa. Seu sofrimento. De todos que a minha volta estão. Não sou merecedor daqueles que querem meu bem. Sinto a distância. Crescente. Absoluta. Tenebrosa. Será que não posso coexistir? Nunca me achei melhor do que outros. Obviamente. Sou o pior de todos eles. Meus caminhos são análogos. Sou como uma criança. Não. Crianças são puras. Cavo minha cova sem perceber. E quando vejo, é tarde. O estrago já foi feito. Meus temores materializam-se quando acho que não há espaço para eles. Rogo o perdão. Não o mereço. Mas para que seu sangue não seja cobrado de mim, peço-o. A dor avassaladora não me permite raciocinar. Se é que já fiz isso alguma vez. Amar? Quem sabe um dia. Tanta inspiração. Tudo a meu favor. E estrago tudo. Sempre. Sempre com quem mais necessita. Sempre com quem mais se preocupa comigo. Com quem me quer melhor. A única coisa que desejo é amar de verdade e ser correspondido. O que mais eu preciso na vida? Sem amor, eu não sou nada. Não respiro. Não penso. Nada. Peço a Deus que me perdoe também. Não tenho sido um bom servo. Bom filho. Não queria estar escrevendo isso. Mas é necessário. Um dia eu encontro meu lugar. Seja ao seu lado ou não. Só não quero machucar mais ninguém. Faço dos versos de Mariah Carey, os meus: "I wanna know what love is". Espero por você. Adeus.

terça-feira, 18 de maio de 2010

"Mestre dos Mares"

Este post é uma metáfora pouco elaborada sobre um momento estranho na minha vida. Rogo paciência. Capitão. O cabeça de uma embarcação. Uma caravela, para ser mais preciso. Há muito passeara em tantos mares quanto se poderia contar. Tantas tempestades e desafios. Menos do que Jack Sparrow, acho. Mas nada o havia preparado para a calamitosa desventura que o aguardara. Saindo de seu porto natal, procuraria por um segredo esquecido nas ondas do tempo. Algo que poderia mudar o curso da sua história definitivamente, tanto para bem quanto para mal. Na pior das hipóteses ele apenas tornar-se-ia mais um viajante engolido nas trevas profundas de um tempestuoso destino. Mas isso não estava em mente. A possibilidade da derrota não entrara ainda na sua gama de opções possíveis. Ainda. Tudo parecia transcorrer excepcionalmente bem. Nessas horas é que ninguém espera que aconteça nada de absurdo para burlar a paz que se instalara. Mas sempre acontece. Murphy mais uma vez mostra presença. Tempestade. Imprevisível. Em mares conhecidos. Uma situação pouco comum para alguém já experiente nesse campo. Pena. Experiência nem sempre conta nessas horas. Principalmente nessa hora em específico. Não apenas uma tempestade feroz estaria para assolar sua embarcação, mas estaria cego, surdo e nu em pouco tempo. Foram dias difíceis. Dias sem conta. Não permitiria que seus companheiros fossem carregados pela loucura. Porém, ele não tinha a capacidade para fazê-lo. Manejava bem seus instrumentos, e também seu navio. Mais uma jogada em falso. De que lhe adiantam instrumentos se não consegue lê-los? Muito menos um navio sem tripulação. Deriva. Corajosamente tentava manter o curso. Se é que o curso ainda estava sendo seguido. Nada bom. Quando a fúria da natureza assentou-se, a névoa branco-pálida em que se tornara sua existência materializou-se. Pensativo, ele estava. Mais perdido do que estou seria inconcebível, averiguou. Embora a névoa lhe cobrisse a maior parte do alcance da visão, ele percebia um facho de luz passear na periferia sua imprecisa posição. Poderiam ser delírios. Já não esperava nada menos surpreendente. O facho ali permanecia, indeciso sobre onde era gerado. A paralisia se mantinha instável, ora crendo ora ignorando nesse porto seguro que o esperava. Confundiam-se tempo e espaço. Estaria ele no Limbo? Provavelmente não. Rezava por isso todos os momentos. Já não havia dia ou noite. Mesmo assim não permanecia estático, movendo-se lentamente "a-quem-sabe-onde". Num vislumbre de desespero, suas esperanças talvez tivessem retornado. Outro raio de forte luz sobrevinha-o, de posição análoga ao primeiro. Aquele parecia-lhe realmente decidido a reparar seus muitos danos. Ou era ele mesmo depositando suas forças em uma última oportunidade. Deixo ao leitor que decida. As conclusões podem ser interessantes. Ali, o capitão deparava-se com o grande enigma da sua infeliz realidade. Qual luz escolheria, indagava-se. Bom, apostaria na que mais firme lhe ocorrera. Nela focou suas forças para guiar-se até ela. No entanto, a primeira nunca o deixara, sempre ali, como se pedisse uma oportunidade. O capitão temia que essa direção, pouco constante, fosse ilusória. Não o perdia de vista, golpeando com ora ferozes ora tímidos jatos de fótons a torre da proa. A segunda opção mantinha-se, esperando ele que essa fosse sua salvação. Quando ele pareceu vislumbrar o continente que carregava tal farol, a névoa circundante adensou-se ao ponto de poder ser pesada. A maré ainda não tornara a seu favor. Já a primeira luz aproveitou-se, mesmo que inocentemente, para precipitar sua corrente sobre o já enfadado capitão. Revoltado, optou por não seguir nalguma das opções a ele apresentadas. Murphy ataca outra vez. Como que invocado por negra feitiçaria, o abismo lhe deparara a desfalecida face. A pior hipótese estava diante de seus olhos. Decisão simples. Escolher um lado. Uma direção. Ou então, seria um adeus eterno. Tudo, exatamente, passou por sua cabeça. Desde suas primeiras viagens, até o presente momento, nada escapara à sua análise minuciosamente orquestrada. E, ainda assim, não decidira qual caminho tomar, ao passo que a segunda luz enfraquecia vagarosamente. A inconstância da primeira ainda persistia. Ainda tinha algum tempo até o fim mais doloroso. Aí sim estaria no Limbo. E não queria provar a amargura daquele lugar tenebroso. A terra de assobio não era um lugar adequado. Qual caminho tomar? A dualidade da existência humana. Dúvidas. Medos. E nenhuma escolha. Hora de mudar. É tempo para escolher. Decidir. Concluir. É o meu tempo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Only Exception"

Já faz tanto tempo que escolhi esse caminho. Às vezes parece que nunca fui diferente. Só algo realmente avassalador poderia me fazer "voltar às raízes". Ouvia música romântica quase o tempo todo. Lulu Santos agradece. Meus poros exalavam um desejo puro e cálido. Realmente estava fora de mim quando tudo aquilo começou. Jovem, inexperiente, por vezes bobo. Mas ela estava lá. Era como um sonho. Demorei para revelar meu interior. Uma jogada corajosa admito. A primeira verdadeira tentativa. Embora o resultado tenha sido.. um tanto.. como posso dizer.. infortúnio do acaso. Se é que existe acaso. Pouco provável. Prosseguindo no curso emocional, achei que aqueles tempos nunca voltariam. Voltaram. Agora para um ser mais preparado. Mas quem esta preparado para amar? Foram anos de um deserto apoético. Meu foco mudara. Tranquei minha porta para qualquer conexão além da amizade apaziguadora. Eu não sentia mais. Não encontrava espaço para dor. Meramente frustração passageira, dizia eu. Demorou bem mais do que eu esperava. Frustração antes. Depois medo. Quem sabe no que eu me tornaria se você tivesse demorado mais. De fato, naquele momento em que eu estava preparado para trilhar esse caminho indeterminadamente. Você veio. Eu fui tocado. Não como antes. Era mais profundo. Na minha alma. O muro criado ao meu redor veio à cinzas tornar-se. Do aglomerado às partículas elementares que já não mais compunham-o. Eu estava finalmente indefeso. Desarmado. Cada olhar era um apunhalar. Cada momento uma tortura maior que a anterior. Embora fosse dor, ela só existia por aquela que precedera-a. No início o bloqueio resistiu. Bravamente. Não era um desejo físico apenas. Com o tempo era um "link". Transcendia a matéria. Tínhamos e ainda temos pouco em comum. Por assim dizer. Mas nada do que nossas idealizações esperavam aconteceu. Ambos não queriam aquilo. Não era o mais coerente, confesso. Digamos que a coerência nem sempre é um campo no qual estou familiarizado. Meu estímulo mental pelas "entre-linhas" ajudou nessa parte. Minha mente se abria como uma rosa. Agora meu coração agia de forma semelhante. Mas eu ainda não poderia colher os louros (ou as batatas, se preferir) da conquista. A dúvida e a insegurança ainda estavam por perto. Perto demais. Mas não foram elas que me moveram a fazer o que fiz em seguida. Sustentar meu desejo até o momento oportuno. Tive a chance de ouro de qualquer um no meu lugar. Uma pena. Eu não sou qualquer um. Estou muito longe da maioria. Preferi permitir sua evolução sem minha mão para interferir. Sabia que poderia cometer erros. Erros graves. Meu amor me levou a poupar sua existência de minhas falhas. Pensava em você. Muito mais do que em mim. No tempo da seca foi uma capacidade interessante a desenvolver. Auto-sacrifício. Só Deus pode ter posto essa semente em mim. Minha preocupação pela sua integridade era maior que a preocupação em tê-la. Mesmo que depois não houvesse "nós". Sua felicidade era mais importante que minhas ambições. Parecia que a dor não cessaria tão cedo. Devia suportá-la ainda mais. Mais um pouco. Sentia você escapar por meus dedos ainda algumas vezes. Uma palavra sequer era para mim uma pedrada. Já éramos amigos. Não arriscaria essa situação por nada no mundo. O tempo pregou peças conosco. Nós nos amávamos. Mesmo nesse momento prematuro. Ou talvez próximo de dar à luz algo muito maior. Assim eu esperei. Refreei. Temi. Orei. Sacrifiquei. Amei. A partir daqui, a intimidade do olhar já permeava o ambiente. Era complexo. Maravilhoso. Mas ainda imaturo. Quando me fez aquela pergunta, eu não tinha como esquivar. Beco sem saída para pergunta mais arriscada que se poderia fazer. Meu segredo. Guardado. Trancado. Pronto para sair. Sedento. Após confessar me senti leve como uma pluma. Como nunca antes. Aquilo que poderia ser minha ruína. Foi minha libertação. Poderia voar. Nadar o mais profundo do que jamais se alcançou. Ali eu encaixei. Mesmo que o mundo não o fizesse. Você fez. Meu Deus, tanto tempo eu esperei. O momento havia chegado. Mas algo ainda me esperava. Meu amor havia retornado. Ao ouvir que também não era apenas meu amor, mas o seu. Estava selado. Mesmo que não naquele momento houvesse uma consumação. O olhar já dizia. Eu já sentia. Tudo convergia para essa hora. E eu amei tudo aquilo. E ainda amo. Eu te amo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Within"

Antes de começar esse post gostaria de agradecer a todos os leitores e visitantes do blog. Sei que lê-los é difícil, mas assim como pra mim valeu a pena escrevê-los, creio que podem recompensar o esforço. Agradeço tanto pelos elogios nos comentários quanto fora deles, e as críticas também. Tudo isso faz parte. Como diria Chorão, vocalista do "Charlie Brown Jr.": "Eu não vim pra me explicar, eu vim aqui pra confundir...". Ninguém agrada a todos, e sinto-me bem por isso. Não me comparo a ninguém. Isso seria injusto. E pouco educado também. Mateus 7:1. "Não julgueis". A menos que você queira ser julgado. Fazemos isso muito displicentemente. Somos humanos. Isso é normal. Agora o post começa. Tem uma ligação com aquilo que falei acima. É engraçado ter essa sensação sem ter medo ou repulsa. Estar tão perto e tão longe de tudo que me cerca. Não é como uma crise de pré-adolescência. Do tipo: "Ninguém me ama. Vou virar emo. Adeus pulsos com batimentos ritmados...". Ou algo menos psicótico (logo os emos vão receber um post também). A cada passo me vejo mais longe, menos preso ao mundo dos homens comuns. Não para me vangloriar. Longe de mim. Considerar-se à margem não me faz menos humano. Ou faça. Não fisiologicamente. Amo às pessoas, animais e outras coisas. Mas a noção de humanidade por vezes foge de mim. É estranho. Entendo como o mundo funciona. Mas sou um peça fora desse quebra-cabeças. Não por não me encaixar apenas. As diferenças vão além disso. Pareço sem parecer. Entendo-me como uma fusão. Um híbrido. Tão passageiro quanto um de ressonância. Chimaera. Sou um produto sem destinatário. Pelo menos nenhum conhecido. Ou percebido como merece ser. Temo não ser o primeiro dessa linhagem. Talvez por isso ache sensato a extinção da raça humana. Sendo eu um humano. Ou algo parecido com um. Posso estar equivocado. Gandalf, nas ruínas de Moria, disse: "Muitos que vivem merecem morrer, mas muitos que morrem merecem viver...". A cura para a nossa conduta. Sei que existem muitos que merecem viver, mas inevitavelmente eles podem morrer antes que eu possa dizer qualquer coisa. Ache absurdo ou não, é apenas uma alíquota do que permeia minha mente. Poderia eu salvar alguns antes que o dia chegue? Tenho essa capacidade? Muitas questões. Poucas respostas. Não me tome por algo vazio. Eu também posso amar. Tenho feito isso com maior sinceridade nos últimos dias. Tudo poderia ser diferente. Mas não cabe a mim controlar. Sou jogador ou peça? Difícil saber. O chão é meu tabuleiro. "Levo esperança para muitos, não guardo nenhuma para mim". Sub-nick. Na língua élfica. Quenya. Momentos assim. Me lembram tantas coisas. Não há compatibilidade. Eu. Mundo. No fim eu não sou. Ser é algo bem distante da nossa natureza. Acredite ou não. Ele É. Você pode vê-Lo? (Risos). Seria tão mais fácil se tudo terminasse agora. Filipenses 1:21. "... viver é Cristo [...] morrer é ganho...". Rápido. Direto. Mesmo que não seja o fim. Mas ainda há tempo de mais alguns lances. Que sejam os melhores! Tudo caminha para o enclave final. Quero ver o cheque-mate. Participar dele. Sê-lo. Podemos estar juntos. Ou não. Um novo começo. Boa sorte.

domingo, 2 de maio de 2010

"It's only business..."

Eleições. Uma coisa que poucos (senão sua totalidade) dos brasileiros realmente se importam. Mas estão chegando. Uma das minhas fases como ser humano: repudiar tudo que era relativo às estratégias político-econômico-sociais dos nossos (pouco) amados governantes. Tantas charlatanices nesse ínterim que era difícil crer no futuro do país. Estava errado. "Tomorrow comes Today", já cantava o grupo "Gorillaz". Hoje não vejo mais dessa forma. Sinto que cabe a mim (e todos os compratiotas de nossa nação) esmagar a tirania burocrática da nossa Pátria amada. Talvez esse discurso pareça um tanto figurado em demasia. Como todos sabem, eleições trazem candidatos, em sua maioria, detentores de pouco escrúpulo (em havendo algum, diga-se de passagem) que, sabiamente, iniciam uma avassaladora onda de discursos, comícios, obras, entrevistas, beijos em crianças, entre outras coisas. E, após a eleição do povo, voltando ao estado apático de suas patéticas existências. O que não difere muito do que nós, eleitores, fazemos. Tive o prazer de participar de uma passeata, concernente aos direitos estudantis, no Centro. Podia não entender o que estava fazendo, mas foi uma experiência interessante. Hoje entendo. Não apenas devido à estúpida falta de interesse referente àqueles que deveriam acender a chama da revolta nos corações alheios. Exemplo: Grêmio Estudantil. Já não mais uma forma representativa dos direitos da massa escolar, agora mais um instrumento alienado da sociedade. Irrelevante dizer que a única ação (se é que posso assim chamar) do mesmo foi criar um inominável "bloco de rua" e incontáveis festas ao longo do ano. Passemos à um nível mais elevado. A questão se encontra em: "Como nós reagimos aos envenenamentos do sistema político?". Na hipótese mais provável: sentar e reclamar, sem fazer exatamente nada. Ou seja, permitimos a manutenção deste cancêr social. Não basta usarmos as expressões "safado", "ladrão" e "cachorro" ao nos referirmos aos governantes. Acredite, eles já sabem disso. Devemos reagir. Alguém na poltrona pergunta: "Como?". Particularmente, adoraria um bom quebra-pau. Uma boa escolha talvez. Nós podemos começar do início. Onde tudo realmente começa. As eleições. Os candidatos não são servidos por nós. Eles devem nos servir. Todos conhecem essa expressão. Mas o poder popular está escondido nas palavras doces dos discursos. Será um infeliz acaso a nossa apatia frente ao caos que se instala às nossas portas? Muitos não querem enxergar, mas somos encurralados todos os dias. A fúria diária do trabalhador não tem sido canalizada de maneira apropriada. Não é à toa que somos o país do futebol, samba, e mulheres bonitas. Quanto empobrecimento mental. Getúlio já usava essas armas bem antes dos atuais. Desviar o pensamento. Amansar a fera com diversão e alimento. É tão óbvio que chega a ser sacal. A maioria pobre de espírito não entende a manipulação que sofre em toda uma vida. Nada mais que uma estratégia militar. Distração. E como funciona. Minha ideia menos radical compreende um ataque à Brasília. Mas isso, em presente momento, seria um pouco demais. Tendo esses fatores em vista, meu interesse na política cresce exponencialmente. Sugiro aos leitores que façam o mesmo. Todo aquele que ignora a política está fadado à alienação. Não há fuga. Ou vive mediocrimente ou luta irrefreavelmente por aquilo que se quer. Analisando friamente todos os aspectos socio-econômicos que muitos julgam perdidos tem solução. Simples, por mais difícil que se possa imaginar. Entretanto, uma pergunta não cala. "Então, em quem votar?". Fatores devem ser analisados como: metodologia de trabalho, caráter, histórico, entre outros. Triviais por assim dizer. E se ainda assim você não encontrar algum ao nível desejado, ainda pode anular seu voto. É como uma recusa ao voto que diretamente não temos. Obrigatório, ha! Outra carta na manga do sistema. Os coronéis do cabresto realmente eram líderes sagazes. "Luís Inácio", Paralamas do Sucesso. Sugestão musical deste post. Nunca se deixe iludir pelos "pratos de lentilha" que lhe são oferecidos. Repudie-os. Sua atitude ética vale mais. A instituição democrática está extinta. Deve começar dentro de nós. A alienação não salva, condena. Não faça disso apenas negócios, tenha consciência. Seja pessoal. Futuramente mais das minhas vertentes políticas hão de emanar nestes textos. Por agora, apenas avalie a pequenez das nossas reações frente ao poder que detemos. Você nem pode imaginar aquilo que é capaz de fazer.