Acho que amizade tem mais a ver com vivência do que com compatibilidade. Durante alguns anos, dos quais tive momentos bons e ruins, convivi com pessoas que me fizeram repensar meus pontos de vista. Partilhamos dúvidas, medos e dificuldades sempre demonstrando apoio, mesmo que, para quem estivesse vendo exteriormente, aquilo não pudesse significar nada em especial. Partilhamos sonhos, projetos e vitórias que poderiam ser simples conquistas acadêmicas que nem entrariam em currículos, mas que eram vividas com o máximo de preocupação e temores. Naquele tempo, aprendi que, na medida que me importo com os outros, nem preciso ser retribuído diretamente por eles, pois já me sinto recompensado de vê-los felizes. Posso discordar de muitas atitudes, e até mesmo brigar pelos meus pensamentos, mas se tem algo realmente relevante é que sei que neles eu posso confiar e os tenho em grande estima. Pessoas comuns, de vidas comuns, mesmo que muito diferentes de mim, os considero tão familiares quanto meus próprios. Admito que não sou "o melhor do melhor do mundo" no quesito simpatia, ou mesmo em amizade. Não sou o cara que liga todo o mês para saber como estão ou o que sempre deixa recados virtuais. Mas quando surge uma novidade, uma conquista que eles alcançam (e que eu fico sabendo claro) fico feliz (e muito) por eles. Acredito que não preciso disputar com eles por nada que eu possa querer. Acredito que não preciso disputar com eles algo que eu tenha materialmente a mais ou a menos. Acredito que, como uma família, ficamos felizes e realizados uns pelos outros de ver que a vida anda e todos tem algo que possam se orgulhar. Pelo menos para mim, não hesitaria em dividir nada que tenho com eles para ajudá-los e tenho certeza de que eles fariam o mesmo por mim. Ter amigos (e ser amigo) é uma dádiva que todos podem (e devem) experimentar (e alimentar). Peço desculpas se não fui o amigo que vocês precisavam que eu fosse nos momentos que os amigos mais precisam dos outros. Mas, sinceramente, sempre serão meus amigos e eu (na medida do possível) estarei pronto para manter essa amizade mútua (como ela tem que ser). Obrigado por tudo. ^^
segunda-feira, 19 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
(2*ser)vidor
Servidor público. Palavras que, em geral, atraem pela impressão de um status social diferenciado. Taxado, muitas vezes, de um ser desprovido de trabalho e, também, de respeito no meio da população. As primeiras pessoas que vem a mente quando se pensa em serviço público são os "políticos", aqueles eleitos mediante voto popular, que ocupam (ou deveriam ocupar) lugar na mesa de negociações entre as necessidades do Estado (estado esse não o geográfico, mas o social) e as possíveis soluções. Ao longo de um histórico conturbado e instável, nossos "governantes" adquiriram exatamente essa visão pela população: "vagabundos". É bastante claro que não representa a totalidade, mas, para infelicidade geral, temos de admitir que mais numerosos são os maus exemplos do que os bons (ou menos piores). Admito que, em verdade, não aspirava a uma posição pública durante minha curta e inacabada jornada de vida. Por muito tempo, fiz menção ao repúdio as autoridades constituídas por um Estado cego pelas fantasias eleitorais. Hoje, carrego o mesmo sentimento de desagrado, só que com um diferencial: eu sou um deles. Não no sentido das ilegalidades, mas no sentido da missão verdadeira ao qual é imbuído todo o servidor público: servir ao Estado, servir aos interesses da União, servir a democracia, servir a população. Não cogitei que serviria (porque servidor não trabalha, serve) a área de saúde, mas entendo que (hoje, mais do que nunca) é um setor estratégico a União: a manutenção da vida. Mesmo eu já escrevi um post sobre o "cancêr" que a indústria farmacêutica representa na humanidade, para a perpetuação de indivíduos dependentes daquilo que produzem. Hoje, como profissional da saúde, presto minhas aptidões ao serviço em uma unidade industrial farmacêutica. Mas o que faço não é vender remédios, como um ente privado, mas fornecer remédios de acordo com a necessidade da população, de forma que a mesma não paga diretamente por isso. Todos os valores que perpassam a Fiocruz são de origem pública: impostos pagos a União para manter direitos essenciais, seja saúde, educação, segurança, habitação e bem-estar social. A Fiocruz é, ainda hoje, uma das instituições mais atreladas aos interesses do Estado. Esse dever é foco das cláusulas pétreas da mesma. Desde a pesquisa de novos insumos, passando pelo desenvolvimento de medicamentos, até a logística de distribuição em escala nacional, este orgão respira a responsabilidade pública a saúde. Temo que Oswaldo Cruz, o idealizador do movimento sanitarista brasileiro (iniciado no Rio de Janeiro) não aspirava a valores monetários ou mesmo posições de destaque no cenário social. Suas decisões, muitas vezes tidas como controversas, sempre procurarão educar, mesmo que pela força, e preservar a população de sua própria ignorância. Sua missão era salvaguardar o ente a quem ele desejava, e o fazia, servir. Tudo que faço (e me sinto realmente parte disso) impacta diretamente, tanto para o bem quanto para o mal, nessa missão. Como muitos acreditam, e tem suas razões justificadas para tal, existe, fortemente, a possibilidade do que chamo de "estagnação a zona de conforto". O simples ato egoísta e chauvinista de pensar: "fazendo meu trabalho ou não, tenho meu salário sempre no início do mês" comprova a existência de muitos servidores "paletó". Primeiro: servidor não trabalha, serve ao Estado. Segundo: servidor não recebe salário, é remunerado segundo sua retribuição ao Estado. Terceiro: a estabilidade do regime estatutário compete não para a manutenção irresponsável de "sangue-sugas", mas para a preservação de mão-de-obra que possa reportar suas capacidades aos interesses do Estado, longe da "mão invisível do mercado capitalista de exploração". Não é o sistema original que é incorreto, mas quase divinamente permissivo, ao ponto de não condenar a ausência de um espírito solidário e mais nacional (e menos individual). O ambiente influencia o indivíduo na medida que o próprio indivíduo não se mostra capaz de influenciar o ambiente. Mesmo com as falhas sistêmicas que todo organismo público sofre, a Fiocruz mantém a dignidade (há muito perdida por outros órgãos) de realizar sua missão primordial, reforma sanitarista, sem a intervenção suja do poder privado. Como dito por um companheiro servidor, "... se Osvaldo Cruz estivesse interessado em dinheiro, teria aberto um laboratório privado..." e não Instituto Soroterápico Federal, precursor do Instituto Osvaldo Cruz. E que isso jamais mude.
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