Mais um post ao estilo "diário". Realmente não havia pensado nisso, mas esse fato vale a pena escrever. Milagrosamente, eu acordara cedo. Depois das habituais atividades do lar, arrumei-me para ficar o dia inteiro fora. 1°: dentista às 9h. 2°: estágio de 11h às 17h. 3°: escola de 18h às 22h. Eu deveria estar mal-humorado? Não estava. Após uma longa conversa com minha amada namorada sobre tantos assuntos (que não vou listar aqui, é claro), eu estava feliz "à beça". Chegando à estação próxima ao meu local de trabalho, segui em linha reta pela rua que leva até ele. Parado à um portão (a casa era grande, e pelas janelas, parecia arejada, além dos ramos de hera que cobriam o muro, uma vegetação interna própria, espreguiçadeiras na varanda e uma carro, quase novo, na garagem) estava um senhor, dos seus (talvez) 60-70 anos, com uma muleta. Quando estava a poucos metros dele, este me chamou. Talvez minha camisa garantisse alguma confiança (mesmo depois de uma derrota vergonhosa, sim, eu estava usando uma camisa do Flamengo). Atendi prontamente, e ele me pediu para que o ajudasse a atravessar a rua. Pensei logo nos filmes e cartoons da minha infância. Nunca antes tive uma oportunidade como aquela. Achei engraçado. Me pediu para segurar sua mão esquerda com minha mão direita. Como de praxe, me confundi em qual lado era o direito, e só depois de uns 5 segundos eu me lembrei (sou canhoto, mas não acho que essa seja a causa do problema). Reparei que os músculos e tendões da mão do senhor eram como se atrofiados, parecendo um sinal de "o.k." (achei que ele sofrera um derrame). Sua roupa era manchada, mas não era suja, e ele não cheirava mal. Tinha olhos amarelados e seu cabelo estava úmido e penteado. Disse-me que tinha uma perna mecânica, não podendo se locomever sozinho numa rua movimentada, embora ele esperasse sozinho no portão de sua casa. Contou sobre como perdera sua perna, usando a sigla "CB 500". A princípio não entendi, mas ai "caiu a ficha": ele havia tido um acidente de moto. Enquanto ele falava, raciocinei um pouco e captei o seguinte: ele não guiaria uma moto depois de velho, aquele acidente ocorrera na juventude, e provavelmente ele teria menos idade do que aparentava. Segundo suas próprias palavras, na época "livro de trânsito era revista em quadrinhos e placas de sinalização eram desenho animado". Suas piadas eram boas (melhores do que as minhas, pelo menos) e até faltavam poucos dentes em seu sorriso (ele tinha todos os "centro-avante"). Havia calculado que chegaria no estágio no momento exato do início de meu expediente. Agora eu sabia que chegaria atrasado. Ahh, eu já havia estado atrasado diversas vezes e aqueles cinco minutos não fariam nenhuma falta. Alertei-o quando começamos a atravessar a rua. Carros vinham em nossa direção. Ele não deu bola, dizendo: "a preferência aqui é minha!". Assenti. Afinal, se ele fosse atropelado, eu iria junto. Poderíamos até bater mais um papo internados no hospital, além do que não precisaria ir mais ao estágio ou escola até que estivesse recuperado. Eu, definitivamente, não queria que ele fosse atropelado. Chegando ao ponto, ele acenou e disse algo a um fiscal que não deu a mínima para o que aquele senhor dizia. Olhei, percebendo que aquela cena deprimente estaria se repetindo a todos os anciãos em todo o território, pelo menos, do Rio de Janeiro. Ele queria ficar ao poste, mas graças a Deus, seu ônibus chegou no instante em que nós alcançamos a calçada. Não gostaria de deixá-lo ali, praticamente sozinho. Ajudei-o a subir, e ele explicava ao motorista onde deveria descer. Reparei na indiferença do motorista, mas talvez fosse só minha impressão. O senhor me agradeceu várias vezes, e no fundo, torci para que ele chegasse ao seu destino em segurança. Me dirigi ao estágio enquanto via o ônibus sair do ponto. Cheguei 5 minutos atrasado, e encontrei meu professor conversando com minha superiora. Uma cena incomum. Cumprementamo-nos e ele saiu. Não dei atenção ao horário. Estava satisfeito o suficiente para até levar um bronca. Mas não levei. Trabalhei minhas horas, fui à escola, e de lá para casa. Já eram 23h. Todo o dia, a lembrança daquele senhor me vinha a mente. Quem sabe não o encontraria outro dia? Talvez nunca mais o visse. Recordo-me da passagem: "...E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes..." Mateus 25:31-40. Foi um dia, no mínimo, interessante.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Um dia feliz
Começou agitado, com minha mãe ligando freneticamente para o meu celular a fim de que eu despertasse da sonolência matinal. É isso que conseguimos quando temos uma agradável conversa com a namorada sem perceber que já chegam às 2 horas da manhã. Depois de "passar" um cafézinho, deixando sempre meia xícara aos desavisados (aqui meu pai chega em casa (risos)), e satisfeitas as necessidades higiênicas, parto para a escola, na missão de "ressucitar" um projeto extra-curricular que já levara (aproximadamente) um ano de trabalho. O metrô, como muitos sabem, tem seu horário de "rush" pela manhã por volta das 7h~8h e, justamente às 7h30, eu estava lá. Diferente de (muitos) outros dias, não dormi em pé ou nada parecido, apenas permaneci lendo um livro (coisa que acho que não vou parar de fazer até eu morrer), e até me assustei com a velocidade de leitura (geralmente 10~15 páginas). O vagão não se encontrava tão cheio quanto eu esperava, sendo que pude (respirar e) ler em paz durante todo o trajeto, além de conseguir sair de lá sem um arranhão ou um rasgo nas roupas (isso já aconteceu, acreditem). Conseguimos concretizar os objetivos no laboratório de Quanti (uma disciplina que, se você não conhece, dê graças a Deus), e em seguida fui para o estágio. Lá chegando, fiquei fazendo um dos testes mais chatos dos quais alguém poderia me dizer para fazer, conhecido como "teste do ferro". Eu, que nunca tinha feito, gostei de aprender e de fazer (o único problema é quando precisamos aquecer, pois a placa demora muito para completar o serviço), no entanto, perdi a oportunidade de tirar uma foto minha usando luvas de látex, máscara de gás e óculos de segurança, mas tudo bem, haverão outras oportunidades (risos). "Passei" um café, mais uma vez, e acho que fui aprovado pelos funcionários da empresa. Próxima parada: casa? Ainda não. Novamente, encaminhei-me à escola. O ponto alto da aula seria quando faríamos vinho, pois todo o resto de nosso tempo é marcado pela excentricidade da professora (algo como achar que ela esta alcoolizada 24 horas por dia), que tem acessos de risos, mudança repentina de humor e aptidão para considerar qualquer atividade um tédio (até a própria disciplina). Salpicado com piadas de duplo-sentido, o tempo de teoria foi proveitoso afinal de contas. No laboratório, divertimo-nos amassando 500 g de uvas, que nos renderam cerca de 300 mL de suco. 100 mL foram para o experimento, e o resto nós bebemos, que mesmo sem água ou açúcar estava realmente muito bom. Admito que só o nosso suco parecia mesmo de uvas, quando comparado ao verde-limão ou nuances de "goiaba" também presentes. Tudo isso por apenas 1 real. Perto de chegar em casa, ainda fui à igreja, onde outros desafios me esperavam. Mas não faltou coragem ou disposição para fazê-los. Ao sair, acompanhei minha namorada até em casa, mal conversamos dada a hora e o cansaço estampado em nossas caras. A companhia dela é realmente revigorante. Finalmente em casa, o jantar (um prato para a comida e outro para a salada) foi servido, que não demorou mais que 10 minutos para ser totalmente devorado. Satisfeito fisiologicamente, ainda fui ao computador, no qual permaneci durante 2 horas pelo menos. Já era 1h da manhã quando decidi dormir para acordar 7 horas depois e iniciar outra maratona. Agradeci por já ser quinta-feira. Agradeço por tudo e por todos. Não tenho do que reclamar. Esse é um exemplo de um dia feliz e comum do meu cotidiano.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Espírito Selvagem
No instante em que você a olha, nada parece muito diferente do comum. Uma garota normal dos seus 15-17 anos, cabelo pintado, andar relaxado, uniforme escolar, respiração regular. Mas há algo nela muito diferente das demais. Algo que nem todos percebem. Algo que faria muitos temerem. Algo que faria muitos se apaixonarem. A primeira coisa que se nota são seus olhos. Seu aspecto felino, de uma profundidade incomum, revelam um olhar objetivo, determinado. Ela não desiste daquilo que acredita, mesmo que todos digam que ela não é capaz. Seu perfume, luminoso como rosas, pode confundir a doçura de um gesto com a dureza de uma repreensão. Suas feições, mesmos suaves, revelam a obstinação de alguém que não pode ser amendrontada. Sua voz, ainda que doce pela feminilidade, detém imponência. Você, definitivamente, não quer vê-la contrariada. Seu sorriso, espontâneo, amansa feras dos dias de hoje. Seus movimentos não são frios, calculados. São ferozes, instintivos. Ela não se deixa levar pelas condições ou circunstâncias. Quando tem um alvo, ela o persegue implacavelmente, não aceitando qualquer derrota, mesmo que nesta haja certeza em ocorrer. Em cansaço, ela recobra ânimo contra seus adversários. Há algo nela que ninguém pode sondar. Seu coração, o qual ela apenas revela à intimidade. Nada, absolutamente, conhece suas batalhas mais internas. Suas dúvidas, seus medos, inexistem a qualquer um que dela esteja próximo. O recôndito de sua alma não é lugar para que alguém procure qualquer coisa. Na amizade, ela faria de tudo para vê-lo feliz, satisfeito, não exatamente em estar com ela, mas estar consigo mesmo. O insuportável para ela é a decepção. Não que deseje agradar a todos, mas não permite que a confiança nela depositada venha a falhar, seja pelo que for. Ela possui um espiríto selvagem, de fé, coragem, determinação. Ela é aquilo que muitos homens não aceitariam em suas parceiras. Ela é forte. Uma guerreira valente. Uma fera indomável. Seu nome pode significar "princesa", mas não exatamente como nos contos de fadas. Atrevo-me a dizer que Éowyn, a princesa de Rohan, terra dos cavaleiros, dos contos de Tolkien, assemelha-se em muito à ela. Ela ama o calor da batalha, não suportando cochilar em sua morada monárquica quando o embate se encontra em suas fronteiras. Ela pode, sozinha, fazer aquilo que muitos, unidos, não teriam coragem de fazer. É algo que nem mitologias podem comparar. Ela pode ter seus problemas, suas dificuldades, mas, quando chega o momento de agir, ela não mede esforços. É admirável o quão altruísta ela pode ser. Uma liderança natural. Na maioria das vezes, suas próprias lutas não a sensibilizam tanto quanto a luta daqueles que a cercam. Não se preocupa mais consigo do que com os outros, que, mesmo estranhos que nunca vira, "compra" a briga, desejando, acima de tudo, fazer deles vitoriosos. Nem mesmo as lágrimas ela se permite derramar, só para não preocupar aqueles a amam. De todas as fêmeas que tive a oportunidade de observar, poucas, ou quase nenhuma, equipararam-se à ela. Desde que a conheço, ela não mudou quanto a esse comportamento. É algo enraizado, já nascera com ela, dentro dela. Ela é linda. De uma beleza não apenas física, mas também espiritual. Com tantas batalhas a serem travadas, seu semblante não se apaga, seu rosto não se abate, sua mente não se esquece de suas promessas. É dura como rocha sólida. Permanece intangível, de tão firmes que são suas decisões. Talvez seja por isso que se identifica tanto com o militarismo. Algo que faz temer aos corajosos. Para mim, ela não é uma simples soldado ou guerreira. Vai muito além disso. Quando meu olhar encontrou o dela pela primeira vez, eu sabia de tudo isso. Ainda não vira, mas já sabia. Ela chamou minha atenção. Cativou meu coração. Todo dia quanda a vejo, um sorriso escapa dos meus lábios. Tudo nela me faz refletir, rever meus conceitos de hombridade e ética. Nunca tive medo quanto à sua natureza. Ela me fascina. Houveram tempos em que tentei deixar de enxergar isso, mas é impossível. Ela possui uma aura, como uma centelha de energia. Inexpugnável. Inextinguível. Imortal. O calor de sua pele. O fogo dos seus olhos. A fornalha de seus pensamentos. A sua presença é força. Ela não é perfeita. Mas tudo nela é tão prazeroso. Lembro-me do dia em que ela dizia não ser uma heroína. Num espaço inexato de uma hora, dei motivos suficientes para provar que ela é uma heroína. Não há nada neste mundo mortal e terreno como há nela. Eu posso ter visto pouquíssimas coisas até hoje, nesses (quase) 19 anos de existência. Posso ter vivido pouquíssimas experiências. Posso ter conhecido pouquíssimas pessoas. No entanto, o que vejo hoje é um futuro que vai além dos meus sonhos. Ainda há muito a ser feito, mas com ela ao meu lado, seja na paz, seja na guerra, a vitória é certa. Pois ela é a minha vitória. Eu a amo.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
O Padrinho e as questões políticas dos dias de outrora e de hoje
Mais uma vez as eleicões estão chegando. Hora de ouvir as piores marchinhas de samba já escritas, suportar candidatos insípidos e ler sobre as reformas mais "cabeludas" noticiadas por um sem-número de panfletos, jornalecos e "santinhos" que, em breve, faram inundar rios e sujaram nossas pequenas casas. Para muitos (a maioria, eu creio), apenas uma época que vem e vai, sem o transcorrer de nada muito anormal no cotidiano. O engraçado é que, justamente agora, a palavra mais usada pelos meios de comunicação é "mudança". Mas se nada ocorre de "muito anormal", para onde foram as "mudanças" prometidas com tanto fervor. É algo a indagar, não concorda? O leitor deve se perguntar: "e no que, raios me partam, algum padrinho tem a ver com isso?". "The Godfather", ou "O Padrinho" (tradução direta), ou ainda "O Poderoso Chefão" (tradução tupiniquim) é, para mim (além de uma multidão de fãs ensandecidos) uma das maiores obras tanto cinematográficas quanto literárias já criadas. A fim de saciar meu desejo pela leitura, unido à curiosidade pelo livro escrito por Mario Puzo, li um exemplar de "O Padrinho". A adaptação para o cinema foi realmente impressionante. Francis Ford Coppola é, sim, um grande diretor. Mas vamos ao que interessa: como relacionar a política de hoje com o livro escrito há mais de 50 anos (completos em 2009)? Admito que, no tocante aos métodos políticos brasileiros, a coisa não mudou tanto assim. Para que todos (ou aqueles que conseguirem terminar de ler essa mensagem) possam entender, vou ministrar algumas informações do roteiro da referida obra. O braço principal da história trata de Vito Corleone, mais conhecido como Don Corleone (na época, os chefes das atividades criminosas de grande porte (tramas de jogo, agiotagem, prostituição, etc) eram compostas por famílias inteiras nos negócios (ainda nãohouvera a ascenção dos entorpecentes), e o Don era o patriarca). O que o diferenciava dos demais Dons de Nova Iorque eram suas conexões com juízes, parlamentares e outros componentes presentes nos 3 poderes (legislativo, executivo e judiciário), além do controle sobre sindicatos trabalhistas, sendo ambos intimamente ligados. Interesse foi o método usado por Don Corleone para conseguir tal vantagem sobre seus adversários. Como (nem) tudo começa grande, o poder de Vito Corleone não foi tão abrangente desde o início. Considerado um benfeitor para com os fracos e oprimidos, Vitoparticipava da esfera mais rasa da sociedade, o operariado. Depois de se tornar visivelmente conhecido por suas "boas-ações", ganhou notoriedade com o sindicatos. Era realmente um homem inteligente. Com essa influência, Vito Corleone poderia controlar esferas superiores da sociedade. Não é novidade que os operários representam a maioria da população, e essa relevância numérica é de suma importância como eleitorado. Assim, ele possuía nas mãos o poder de escolha. Não demoraria até que representantes políticos o contactassem para uma reunião. O acordo era simples: Don Corleone apoiaria um candidato, fazendo todos os seus "apadrinhados" observarem essa atitude, e logo fariam o mesmo, devido a relação de "amizade" que fora construída. Em troca, o determinado candidato deveria negociar alguma ajuda pelo apoio de Don Corleone, não apenas à ele em si, mas, obviamente, ao eleitorado que confiara no apoio dele. E assim era. Em alguns anos, Don Corleone já incluía os nomes de juízes, desembargadores, promotores, senadores, deputados, entre tantos outros, à sua lista de importância. Era a habitual "troca de favores". Se o leitor sabe algo sobre "História do Brasil", reconhece bem o que foi descrito agora. Nada mais, nada menos que um similar do "coronelismo" (instrumento presente desde os primórdios da organização política brasileira), que, aliado ao "voto de cabresto", faziam de Don Corleone, um "Bem-Amado". E, de fato, isso ocorre até hoje. Quantos não são os apoios a determinados candidatos organizados por empresas privadas, ou mesmo públicas? Há um apoio ferrenho por meio destas entre a massa da população, que é, em suma, maleável como borracha frente a determinadas "recompensas". O controle aos sindicatos significa o poder sobre os integrantes do mesmo, tanto que o socialismo se valeu e muito desta técnica para conscientizá-los a respeito da máquina capitalista, sendo vitorioso em muitos casos. E não se espantem com as organizações familiares que permeiam esse cenário, como as famílias Garotinho, Sarney, Magalhães, Collor, Maia, Fernandes, sem incluir ainda a, já famosa por seus atos ilícitos, família Marinho. Elas estão presentes em território nacional, e tem valido-se de técnicas como essa para se manterem no poder de maneira atemporal. E, diga-se de passagem, tem obtido êxito em suas empreitadas. Alguns afirmam que brasileiros não possuem uma memória muito boa. Discordo. A metodologia de lavagem cerebral dos brasileiros é, sem sombra de dúvida, muito efetiva. O post "Eleições" trata bem disso. Se alguém não acredita nas minhas palavras, é só usar a família Kennedy como exemplo. Integrantes envolvidos em redes de prostituição, guerras de repressão, assassinatos (famosas "queimas de arquivo"), e no meio dessa enorme poça de sangue e sujeira, muitas celebridades como Marilyn Monroe, Frank Sinatra, e outros. Definitivamente, nem um pouco diferente do que ocorre nos dias de hoje. E, pensando bem, até mesmo o direito ao voto para a totalidade populacional é algo suspeito, pois sendo a maioria desta de um nível economico-cultural menor, sendo facilmente influenciada, é um prato cheio para os coronéis e barões do Planalto Central. É uma situação muito cômoda para políticos, empresários e criminosos (se é que posso diferenciar todos tão bem assim), e péssima para todo o resto. Podemos ver isso pelas informações: altos impostos, aumento da criminalidade, falta de ética governamental, progresso da favelização, educação deficiente, saúde obsoleta, concentração de renda, etc Cabe à uns poucos interessados disseminar essas ideias, mostrando a necessidade de uma reforma de "base", pois mudando o pensamento da maioria, preparamos a mesma para expurgar a minoria. Não faltam exemplos bem-sucedidos disso. O socialismo na Rússia é o maior deles. Mas mesmo sendo capitalistas podemos quebrar o paradigma político de nosso país. Se a escolha é assim tão importante, se analisarmos friamente cada opção, algo passível de aprovação pode ser encontrado (ou não, na pior das hipóteses). E não se assustem com as obras/ações sociais desta época. São meramente "eleitoreiras". Sugiro que pesquisem o histórico dos candidatos, não quantas obras tem seus nomes, mas quantas ações realmente úteis eles possam ter operado. As mudanças talvez não se concretizem nessas eleições exatamente, pois, com certeza, nada começa grande. É como nosso esporte favorito, o futebol. Justaposto para também controlar as massas proletárias, há algo nele que podemos realmente aproveitar. Para que o jogo se inicie, basta o pontapé inicial. É um ato aparentemente insignificante quando comparado aos 90 minutos de jogo, mas sem ele, nem um minuto sequer passaria. Pensem bem. Votem (ou deixem de votar) conscientes. Não pensem apenas no "eu-presente". Pelo menos tentem olhar para o restante do cenário político-social. Afinal, o Brasil é (ou deveria ser) um país de todos. Os próximos posts tenderão a manter essa linha de pensamento a fim de suplantar a continuidade da conscientização social. Agradeço a leitura.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Óculos - Paralamas do Sucesso
Um modo bem-humorado de exclamar o novo apetrecho:
Se as meninas do Leblon
Não olham mais pra mim.
Eu uso óculos
Não olham mais pra mim.
Eu uso óculos
E volta e meia
Eu entro com meu carro pela contramão
Eu to sem óculos
Se eu to alegre
Eu ponho os óculos e vejo tudo bem
Mas se eu to triste eu tiro os óculos
Eu não vejo ninguém
Porque você não olha pra mim?
Me diz o que é que eu tenho de mal
Porque você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tem um cara legal...
Eu decidi dizer que eu nunca fui o tal
Era mais fácil se eu tentasse
fazer charme de intelectual
Se eu te disser
Periga você não acreditar em mim.
Eu não nasci de óculos...
Eu não era assim...
Porque você não olha pra mim?
Me diz o que e que eu tenho de mal.
Porque você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tem um cara legal.
Por que você não olha pra mim?
Por que você diz sempre que não?
Por que você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tambem bate um coração.
Eu entro com meu carro pela contramão
Eu to sem óculos
Se eu to alegre
Eu ponho os óculos e vejo tudo bem
Mas se eu to triste eu tiro os óculos
Eu não vejo ninguém
Porque você não olha pra mim?
Me diz o que é que eu tenho de mal
Porque você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tem um cara legal...
Eu decidi dizer que eu nunca fui o tal
Era mais fácil se eu tentasse
fazer charme de intelectual
Se eu te disser
Periga você não acreditar em mim.
Eu não nasci de óculos...
Eu não era assim...
Porque você não olha pra mim?
Me diz o que e que eu tenho de mal.
Porque você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tem um cara legal.
Por que você não olha pra mim?
Por que você diz sempre que não?
Por que você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tambem bate um coração.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Um certo Jardim
A idéia para este singelo post me ocorreu há poucos dias atrás. Então, se tudo parecer um tanto "cru", todos já sabem o porquê. Boa leitura.
"Era uma vez"
Se assim posso contar
Um rapaz
Que talvez nada tinha pra contar
Vivia em meio a muitos
Tantos quantos árvores numa floresta
Porém poucos, com ele desejava estar
Tantos quanto "flores no deserto"
Não era belo
Ou mesmo forte
Mas havia alguém
Que para isso não ligaria
Depois de por ruas entrar
Sem saber onde estar
Ou mesmo o que encontrar
Decidira mudar
Talvez para um lugar perto do mar
Mas havia alguém que por ele olhara
Mais do que a maioria
Porém, como jovem,
Não percebera
Tinha muitos gostos
Ainda que nenhum ofício
Decidiu esperar
Até que algo lhe viesse a mente
Sua viagem iniciara
Deixando sós
Alguns dos que por ele procuravam
Poderia ser evitado?
Ou estaria tudo premeditado?
Ninguém poderia responder
De fato
Difícil foi começar tudo aquilo
"Escolha própria
Escolhera a solidão"
"Como um princípe
De um pequeno planeta"
Não olhou para trás
Procurando o que já possuia
Não sabia o que esperar
Mesmo que algo fosse certo
"Se perecesse
Pereceria"
Muitos sentiriam sua falta
Poucos importar-se-ião tanto com aquilo
Alguém sábio diria:
Não por serem poucos
Seriam menos importantes
Mas era jovem
"Um garoto
Não era fã de Rolling Stones
Nem de Beatles"
Nada menos que a displicência
Se esperava dele
Durante tempos andou
Procurou, tentou,
Até mesmo esquecer
Seu passado tão próximo
Naquele ensolarado dia
Num deserto estava
"Sempre o deserto", ele dizia
Já fazia um bom tempo
Que nele se encontrava
Dias de sol escaldante
Noites de lua congelante
Nada menos natural do que um deserto
Mas não era física sua dor
Negava
Mas sua alma pranteava
Pelas perdas
Pelas atitudes
Poderia recuperar
Porém talvez não fosse igual
Tinha medo, apreensão
Que como em um tufão
Tudo fosse em vão
Até mesmo um "amor em vão"
Vida de cão?
Talvez não
Indagava muitas coisas
Poucas eram relevantes
Preocupava-se demais
Com aquilo que não poderia mutar
Algo ainda o prendia
Não sufocava
Ou mesmo clamava sua volta
Mas sentia
Que de lá nunca saira
Não por completo
De tanta sequidão
Decidiu em jardineiro se tornar
Não seria rico
Não seria respeitado
Mas seria aquilo que lhe daria prazer
Aprenderia só?
Não havia professor
Mas onde cultivar
Isso ninguém poderia, de fato, ensinar
Que vazio ele sentia
Ainda que não em desespero
Nunca fora assim
Era cauteloso
Mas não deixava de saber
A qualquer momento
Poderia morrer
Deus lhe preenchera o vazio
Mas ainda não era completo
Faltava-lhe algo
Ainda não estava pronto para receber
E isso
Ele deveria conquistar
Por fim
Um dia vira
Um pouco perto demais
Uma flor
Uma rosa
Rubra como a lua do "Apocalipse"
Teria ele
Um "dedo verde"?
Considerava absurdo
Tal obra nascer
Como que do dia para a noite
Ele não vira
Mas ali sempre estivera
E ainda não percebera quem era
Assim que a tocara
Dor lancinante sentira
Agora era física
Os espinhos já conheciam seus movimentos
Praguejou
Mas voltou
Não poderia deixá-la só
Ainda que fosse dura
Seu futuro ofício
Daquele teste dependeria
Como homem
O desafio ele aceitou
Por dias a fio
Ele preparou
Primeiro o solo
Depois o adubo
E ainda a água
Dias em semanas se tornaram
Meses, anos, ele já não sabia
Mas tempo era algo que
Mesmo como "água da rocha"
Ele se faria tirar
"Todo trabalhador
Digno do salário é"
"Que salário!" ele dizia
Nada menos que seu sangue e suor
E ainda, pior se sentia
Quando via
Que a rosa ele feria
Quão duro ofício esse era
Houveram dias
Que sua força cedia
Mas nem muito tempo passava
E ele voltava ao trabalho
Muitas eram as ervas daninhas
Animais da terra e dos céus
A rosa defendia-se bravamente
Toda a prévia dureza
Assegurava sua existência
O rapaz socorria
Mesmo quando não parecia causar efeito algum
Ele preferia estar com ela
Nas lutas
Do que só
Em paz
Tinha dúvidas
"Tinha medos"
Se forçava a crer
Que dali nada ele poderia tirar
Embora no íntimo
Ele soubesse da necessidade
"Se com limão, água e açúcar
Uma limonada pode-se fazer"
Com terra, pranto e uma rosa
Ele poderia um jardim florescer
Algo novo ele percebeu
O quanto ele a amava
"Por quase um segundo"
Era capaz de odiar
Mas depois
A amava ainda mais
Agora sentia
A beleza e a força
Que a rosa lhe proporcionara
Como sempre
Não havia quem as reparasse
Não mais se preocuparia com isso
Não era mais só
Não era mais vazio
Não havia pranto de tristeza
Agora, chorava de alegria
Os ferimentos de outrora
O tempo havia sarado
E este mesmo tempo
O fizera ver quão bela era a rosa
Que aparecera para ele tão descuidada
Por entre os espinhos
Seu aroma era de "nardo puro"
Suas formas eram agora mais suaves
O rubro de suas pétalas assumia um tom róseo
Era engraçado
Como ela o satisfazia
"Ela sabia tudo
Que ele precisava sentir"
De sua viagem se esquecera
De seus tormentos se deixara
O calor, ele agora amava
Tudo que antes lhe era mal
Passou a ver que se importava
Agora o deserto lhe era como um jardim
Talvez o Éden?
Quem se importava
Só queria cuidar daquela imensa obra
E mais ainda
Daquela que lhe dera tudo isso
Enfim ele viu
Tal rosa não aparecera
Não tão de repente
Com ele sempre estivera
Desde antes de sua viagem
Ela olhara por ele
Por todo lugar
A cada paisagem
Era ela que jamais o deixara
E mesmo só
Ela com ele estava
O deserto nublara o pouco dos seus pensamentos
A rosa sempre esteve ao seu lado
Ora distante ora perto
Ela não via
Mas ela crescia
Desabrochava
A cegueira a escondeu por "um tempo,
Dois tempos e metade de um tempo"
Porém ele a viu
De tal modo que ninguém mais haveria visto
"Não era
Nem queria ser seu dono"
Apenas pela sua presença,
Ele feliz estava
Ela não pedia,
Mas ele a auxiliava
A rosa criara seu jardim
Era ele apenas
Um elemento secundário?
Poderia ser
Já não era mais sua vontade que ele fazia
Deus lhe dera a oportunidade
Um sacrifício era necessário
Ele, de bom grado,
Ofereceu
E sabia
Que se fosse mais uma vez pedido
Ele o faria novamente
Apenas para vê-la mostrar suas grandes pétalas
E sentir seu puro perfume
Tocar seus afiados espinhos
A dor não era mais nada
Ele fazia parte dela
Ela era parte dele
Amava-a tanto que a considerava santa
Que ele, em momento algum,
Poderia macular
"Ela só precisava existir
Para completá-lo"
E, esse jovem,
Para sempre cuidaria desse jardim
Sem reclamar ou murmurar
Ele estaria ali, presente
Todos os dias de sua vida
Ele agradecia
A Deus por tê-lo salvado
A ela por tê-lo amado
Já não se preocupava
Com ofícios ou futuros
Tudo estaria preparado
Mediante certo aprendizado
Para ele receber
Quando estivesse apto
Havia muito pelo que fazer
Mas era sereno e sensível
Havia muito o que construir
Mas a rosa estaria ali
Para lembrá-lo
O significado do sacrifício
Deus sacrificou por ele
Ele sacrificou pela rosa
Mas o amor era o sentido de tudo aquilo
Do Pai para o filho
Do jovem pra com a rosa
Ninguém sabe quanto durou seu jardim
Mas dizem que, "enquanto durou, era eterno"
"Ele que não sabia de coisa alguma"
Ali, no deserto, ele encontrou sua Terra Prometida
A sua Prometida
E ele a amou
Como ela também o amou
E se lembrou do início
E amou mais ainda tudo aquilo
Pois aquilo que ele possuia
Era "a mais bela de todas" as obras
"A flor que desabrochou na adversidade"
E quanto a mim
Apenas escrevo
Mas, como o jovem,
Quero cuidar desta rosa
"Que une todas as coisas"
Que minhas lágrimas e meu suor
Reguem este jardim
Para que um dia eu o veja
Florescer sem fim
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Rock Lee - Meu alter-ego
Desde a popularização do anime/mangá "Naruto", muitos amigos tem confidenciado minhas similaridades com o personagem conhecido como "Rock Lee", um rapaz de colan verde, grossas sobrancelhas e, com um comportamento inusitado, uma extrema aptidão pela "pancadaria sem frescuras", ou simplesmente "sem apelação". Depois de algum tempo de habitual negação, aceitei a ideia e, bem mais tarde, compreendi as variadas semelhanças. Tentarei expor aqui algumas delas.
A começar pelo figurino, admito ser partidário de modelos compatíveis ao meu porte "peso-mosca", verde é uma das cores favoritas para vestuário;
Notáveis conformidades como: as grossas sobrancelhas, cor e corte de cabelo;
Porte físico comparável, além de disposição para prática desportiva;
Trejeitos exacerbados, corriqueiramente tornando-se motivo de pilhéria em meios sociais;
Atração por artes marciais, principalmente aquelas que valorizam os membros inferiores;
Tomando um lado mais emocional, analisamos o desejo por novos desafios que, obtendo resultados positivos ou não, geram certo "auto-sacrifício";
Necessidade de auto-afirmação perante a sociedade que o rodeia;
Certa irresponsabilidade quanto àlguns deveres;
Dar sempre o máximo em tudo, mesmo que isso custe um preço insalubre a curto ou longo prazo;
Querência em ajudar, mesmo quando não pode fazê-lo, quando esta não encontra-se ao alcance;
Cordialidade (neste quesito há divergências, mas quando se trata de alguém amado, há evidências concretas);
Não desejar ser o melhor, mas provar que mesmo por meios diferentes, os resultados podem ser satisfatórios;
Crença, por vezes tola, na própria capacidade;
Perseverança, mesmo em dificuldades;
Valorizar as amizades;
Ser um autêntico apaixonado, romântico old-style;
Imaturidade em alguns aspectos cotidianos;
Ignorância, ainda que sem intenção;
Precipitado, em certas ocasiões;
"Chorão", ou só sensível;
Otimismo.
Espero não ter ufanado-me em demasia, e qualquer alteração será incentivada, sendo passível de julgamento. Uma boa noite a todos.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Área de Trabalho
Assunto que torna-se lugar-comum entre os conterrâneos da confraria à qual pertenço: o tão badalado "estágio". Talvez a primeira experiência laboral da maioria, somado ao simples fato da auto-suficiência monetária, remetem o indivíduo a um êxtase de poder e satisfação (mais psicológico que qualquer outro aspecto que possa ser citado). É óbvio que o "poder" velozmente conquistado na forma de papel-moeda esvai-se na mesma rapidez que chega-lhe às mãos, salvo quando há uma maior sensatez no dispensar da irrisória quantia. Curiosamente, lançando mão mais uma vez dos games, percebo que "The Sims" é muito mais interessante do que poderia imaginar. Primeiramente, no ramo da "Química", a aptidão para limpeza é deveras necessária a manutenção do contrato estabelecimento-estudante (também chamado escravo), seguido claramente pelo nível intelectual do segundo. Ainda pelo fato de existirem cursos diários nos quais só há disposição para, após a compleição do pré-determinado serviço, desabar sobre o macio (e aconchegante) volume denominado "colchão", e dali apenas sair para retornar ao labor de (quase) todos os dias. Sendo, sua rotina diária, regulada pelo trabalho, dividindo-se em satisfação de necessidades fisiológicas e a incansável procura por melhorar seu desempenho, consequentemente almejando a efetivação (ou uma saída estratégica) no empreendimento. De fato, se a velocidade com a qual as promoções chegam ao empregado forem iguais ou equivalentes ao game, será que a estabilidade econômica da nação manter-se-ia? Notavelmente, a medida da evolução intelectual do indivíduo denotada em questão de segundos (ou minutos) é inconcebível para humanos não-virtuais (seriam os "ETs" mais inteligentes?) dispendendo meses (ou anos) para ser concluída com excelência. É neste instante em que as obrigações inferem em certo desconforto, quando não há mais oportunidade para satisfazer alguns dos antigos hábitos já enraizados. Um caso é o abandono aos games, ou partidas de futebol amador com amigos de infância, ou mesmo o ato de "dormir", suprimido a fim de encaixarem-se outras atividades de maior necessidade (isso é possível?). Finalmente, percebe-se que a vida está em função do trabalho exercida e, se o trabalho enobrece o homem, quanto tempo ainda levaremos para ser nomeados cavaleiros desta (nada redonda) távola? Perco-me em pensamentos de que talvez nunca tornem-se mais do que súditos de alheio senhor feudal. É inteligível que tal metodologia ocorra. A menos que certas medidas sejam tomadas. Pois nem todos se prestam ao servilismo eterno da máquina econômica. Anos de estudos incansáveis, definitivamente, contam ao sucesso? Ou tudo pode desabar a qualquer mísero assopro das marés do mercado? Esse é um dos motivos pelos quais a educação tem intrigado-me. Literalmente, todo o conteúdo didático concebido a cada período letivo é praticamente dizimado, contemplando o estudante com a revoltante frase: "Esqueçam tudo o que vocês viram até agora. Nada daquilo era verdade." É bem provável que nunca saibamos o que é verdade, muito menos se é temporária ou absoluta. A indulgência é que seria necessário compreender o antiquado para preparar-se para o novo e moderno. Muito embora, os antiquados não aceitem totalmente o "moderno", tendo os mesmos se utilizado de semelhante método. Logo, o que somos? Somos? Ou simplesmente não torna-mo-nos a tão sonhada "Geração Coca-Cola" da qual Renato Russo tanto nos falou? Permanecemos 20 anos na escola (senão mais, com a frequente adição de qualificações e especializações que o mercado exije) sendo cerca de 12, completamente dispensáveis, nos quais alimentamo-nos de passageiras teorias que serão violentamente desmentidas, obrigando um retorno que tangencia o 0 (zero). Muitos são os casos de iletrados conquistarem lideranças, mas a verdade é que esta conduta não está em todos. Talvez sufocada pela sociedade. Talvez reprimida pela falta de oportunidade. Talvez não exista. Logo, nada melhor do que fazer aquilo que se acredita. Do contrário, Hebreus 11:6 relata "sem fé é impossível agradar-Lhe", quanto mais a si mesmo. Don Corleone dizia: "todo homem só tem um destino", mas, sem mais delongas, cada um é responsável pelo seu. Entretanto, nem tudo está perdido. O mais incrível é que, de fato, usa-se muito (quiçá tudo) daquilo que se aprende nas enfadonhas, soporíferas e ininteligíveis atividades escolares. Mesmo admitindo serem as aulas de nosso caro Prof. Silvio, notáveis tentativas de tortura psicológica, "zerar uma bureta" é algo indispensável (valendo do fato que, em um dado momento, 100% dos "estagiandos" recorria à análises de água como fonte de renda).
Boa sorte para todos nós.
Boa sorte para todos nós.
Condolências
Antes de retornar ao ofício da escrita, peço clemência aos assíduos leitores deste pórtico de pensamentos. Minha súbita, porém compreensível "mudez" digital resulta da sequência de eventos determinantes para o futuro deste pobre mortal que vos escreve. Ou algo menos cerimonial que esta última afirmação. Algumas responsabilidades, das quais todas muito importantes para serem ignoradas, ocuparam todo (o já escasso) tempo disponível à vós outros. De modo algum estaria murmurando. Pelo contrário, estou muito grato (Deus Todo-Poderoso em primeiro lugar) por tudo que me tem ocorrido. Sinto-me satisfeito, entrementes, um pouco cansado fisicamente. Advirto que a confluênica de ideias não está estagnada e, tão logo, estarei reacendendo algumas discussões.
(Enfim um post pequeno, ein?)
Grato.
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