segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Espírito Selvagem

No instante em que você a olha, nada parece muito diferente do comum. Uma garota normal dos seus 15-17 anos, cabelo pintado, andar relaxado, uniforme escolar, respiração regular. Mas há algo nela muito diferente das demais. Algo que nem todos percebem. Algo que faria muitos temerem. Algo que faria muitos se apaixonarem. A primeira coisa que se nota são seus olhos. Seu aspecto felino, de uma profundidade incomum, revelam um olhar objetivo, determinado. Ela não desiste daquilo que acredita, mesmo que todos digam que ela não é capaz. Seu perfume, luminoso como rosas, pode confundir a doçura de um gesto com a dureza de uma repreensão. Suas feições, mesmos suaves, revelam a obstinação de alguém que não pode ser amendrontada. Sua voz, ainda que doce pela feminilidade, detém imponência. Você, definitivamente, não quer vê-la contrariada. Seu sorriso, espontâneo, amansa feras dos dias de hoje. Seus movimentos não são frios, calculados. São ferozes, instintivos. Ela não se deixa levar pelas condições ou circunstâncias. Quando tem um alvo, ela o persegue implacavelmente, não aceitando qualquer derrota, mesmo que nesta haja certeza em ocorrer. Em cansaço, ela recobra ânimo contra seus adversários. Há algo nela que ninguém pode sondar. Seu coração, o qual ela apenas revela à intimidade. Nada, absolutamente, conhece suas batalhas mais internas. Suas dúvidas, seus medos, inexistem a qualquer um que dela esteja próximo. O recôndito de sua alma não é lugar para que alguém procure qualquer coisa. Na amizade, ela faria de tudo para vê-lo feliz, satisfeito, não exatamente em estar com ela, mas estar consigo mesmo. O insuportável para ela é a decepção. Não que deseje agradar a todos, mas não permite que a confiança nela depositada venha a falhar, seja pelo que for. Ela possui um espiríto selvagem, de fé, coragem, determinação. Ela é aquilo que muitos homens não aceitariam em suas parceiras. Ela é forte. Uma guerreira valente. Uma fera indomável. Seu nome pode significar "princesa", mas não exatamente como nos contos de fadas. Atrevo-me a dizer que Éowyn, a princesa de Rohan, terra dos cavaleiros, dos contos de Tolkien, assemelha-se em muito à ela. Ela ama o calor da batalha, não suportando cochilar em sua morada monárquica quando o embate se encontra em suas fronteiras. Ela pode, sozinha, fazer aquilo que muitos, unidos, não teriam coragem de fazer. É algo que nem mitologias podem comparar. Ela pode ter seus problemas, suas dificuldades, mas, quando chega o momento de agir, ela não mede esforços. É admirável o quão altruísta ela pode ser. Uma liderança natural. Na maioria das vezes, suas próprias lutas não a sensibilizam tanto quanto a luta daqueles que a cercam. Não se preocupa mais consigo do que com os outros, que, mesmo estranhos que nunca vira, "compra" a briga, desejando, acima de tudo, fazer deles vitoriosos. Nem mesmo as lágrimas ela se permite derramar, só para não preocupar aqueles a amam. De todas as fêmeas que tive a oportunidade de observar, poucas, ou quase nenhuma, equipararam-se à ela. Desde que a conheço, ela não mudou quanto a esse comportamento. É algo enraizado, já nascera com ela, dentro dela. Ela é linda. De uma beleza não apenas física, mas também espiritual. Com tantas batalhas a serem travadas, seu semblante não se apaga, seu rosto não se abate, sua mente não se esquece de suas promessas. É dura como rocha sólida. Permanece intangível, de tão firmes que são suas decisões. Talvez seja por isso que se identifica tanto com o militarismo. Algo que faz temer aos corajosos. Para mim, ela não é uma simples soldado ou guerreira. Vai muito além disso. Quando meu olhar encontrou o dela pela primeira vez, eu sabia de tudo isso. Ainda não vira, mas já sabia. Ela chamou minha atenção. Cativou meu coração. Todo dia quanda a vejo, um sorriso escapa dos meus lábios. Tudo nela me faz refletir, rever meus conceitos de hombridade e ética. Nunca tive medo quanto à sua natureza. Ela me fascina. Houveram tempos em que tentei deixar de enxergar isso, mas é impossível. Ela possui uma aura, como uma centelha de energia. Inexpugnável. Inextinguível. Imortal. O calor de sua pele. O fogo dos seus olhos. A fornalha de seus pensamentos. A sua presença é força. Ela não é perfeita. Mas tudo nela é tão prazeroso. Lembro-me do dia em que ela dizia não ser uma heroína. Num espaço inexato de uma hora, dei motivos suficientes para provar que ela é uma heroína. Não há nada neste mundo mortal e terreno como há nela. Eu posso ter visto pouquíssimas coisas até hoje, nesses (quase) 19 anos de existência. Posso ter vivido pouquíssimas experiências. Posso ter conhecido pouquíssimas pessoas. No entanto, o que vejo hoje é um futuro que vai além dos meus sonhos. Ainda há muito a ser feito, mas com ela ao meu lado, seja na paz, seja na guerra, a vitória é certa. Pois ela é a minha vitória. Eu a amo.

2 comentários:

  1. Obrigada por tudo... isso me faz lembrar da parabola do monge e do escorpião,"é minha natureza" apezar dessa força que vc diz q tenho é maravilhoso saber que não estou sozinha...
    Te amo!

    ResponderExcluir
  2. Nossa! Que texto lindo! *-*
    É incrível como você consegue escolher tão bem as palavras e transmitir sinceridade em cada uma delas.
    Parabéns Valdi! =D

    ResponderExcluir