A idéia para este singelo post me ocorreu há poucos dias atrás. Então, se tudo parecer um tanto "cru", todos já sabem o porquê. Boa leitura.
"Era uma vez"
Se assim posso contar
Um rapaz
Que talvez nada tinha pra contar
Vivia em meio a muitos
Tantos quantos árvores numa floresta
Porém poucos, com ele desejava estar
Tantos quanto "flores no deserto"
Não era belo
Ou mesmo forte
Mas havia alguém
Que para isso não ligaria
Depois de por ruas entrar
Sem saber onde estar
Ou mesmo o que encontrar
Decidira mudar
Talvez para um lugar perto do mar
Mas havia alguém que por ele olhara
Mais do que a maioria
Porém, como jovem,
Não percebera
Tinha muitos gostos
Ainda que nenhum ofício
Decidiu esperar
Até que algo lhe viesse a mente
Sua viagem iniciara
Deixando sós
Alguns dos que por ele procuravam
Poderia ser evitado?
Ou estaria tudo premeditado?
Ninguém poderia responder
De fato
Difícil foi começar tudo aquilo
"Escolha própria
Escolhera a solidão"
"Como um princípe
De um pequeno planeta"
Não olhou para trás
Procurando o que já possuia
Não sabia o que esperar
Mesmo que algo fosse certo
"Se perecesse
Pereceria"
Muitos sentiriam sua falta
Poucos importar-se-ião tanto com aquilo
Alguém sábio diria:
Não por serem poucos
Seriam menos importantes
Mas era jovem
"Um garoto
Não era fã de Rolling Stones
Nem de Beatles"
Nada menos que a displicência
Se esperava dele
Durante tempos andou
Procurou, tentou,
Até mesmo esquecer
Seu passado tão próximo
Naquele ensolarado dia
Num deserto estava
"Sempre o deserto", ele dizia
Já fazia um bom tempo
Que nele se encontrava
Dias de sol escaldante
Noites de lua congelante
Nada menos natural do que um deserto
Mas não era física sua dor
Negava
Mas sua alma pranteava
Pelas perdas
Pelas atitudes
Poderia recuperar
Porém talvez não fosse igual
Tinha medo, apreensão
Que como em um tufão
Tudo fosse em vão
Até mesmo um "amor em vão"
Vida de cão?
Talvez não
Indagava muitas coisas
Poucas eram relevantes
Preocupava-se demais
Com aquilo que não poderia mutar
Algo ainda o prendia
Não sufocava
Ou mesmo clamava sua volta
Mas sentia
Que de lá nunca saira
Não por completo
De tanta sequidão
Decidiu em jardineiro se tornar
Não seria rico
Não seria respeitado
Mas seria aquilo que lhe daria prazer
Aprenderia só?
Não havia professor
Mas onde cultivar
Isso ninguém poderia, de fato, ensinar
Que vazio ele sentia
Ainda que não em desespero
Nunca fora assim
Era cauteloso
Mas não deixava de saber
A qualquer momento
Poderia morrer
Deus lhe preenchera o vazio
Mas ainda não era completo
Faltava-lhe algo
Ainda não estava pronto para receber
E isso
Ele deveria conquistar
Por fim
Um dia vira
Um pouco perto demais
Uma flor
Uma rosa
Rubra como a lua do "Apocalipse"
Teria ele
Um "dedo verde"?
Considerava absurdo
Tal obra nascer
Como que do dia para a noite
Ele não vira
Mas ali sempre estivera
E ainda não percebera quem era
Assim que a tocara
Dor lancinante sentira
Agora era física
Os espinhos já conheciam seus movimentos
Praguejou
Mas voltou
Não poderia deixá-la só
Ainda que fosse dura
Seu futuro ofício
Daquele teste dependeria
Como homem
O desafio ele aceitou
Por dias a fio
Ele preparou
Primeiro o solo
Depois o adubo
E ainda a água
Dias em semanas se tornaram
Meses, anos, ele já não sabia
Mas tempo era algo que
Mesmo como "água da rocha"
Ele se faria tirar
"Todo trabalhador
Digno do salário é"
"Que salário!" ele dizia
Nada menos que seu sangue e suor
E ainda, pior se sentia
Quando via
Que a rosa ele feria
Quão duro ofício esse era
Houveram dias
Que sua força cedia
Mas nem muito tempo passava
E ele voltava ao trabalho
Muitas eram as ervas daninhas
Animais da terra e dos céus
A rosa defendia-se bravamente
Toda a prévia dureza
Assegurava sua existência
O rapaz socorria
Mesmo quando não parecia causar efeito algum
Ele preferia estar com ela
Nas lutas
Do que só
Em paz
Tinha dúvidas
"Tinha medos"
Se forçava a crer
Que dali nada ele poderia tirar
Embora no íntimo
Ele soubesse da necessidade
"Se com limão, água e açúcar
Uma limonada pode-se fazer"
Com terra, pranto e uma rosa
Ele poderia um jardim florescer
Algo novo ele percebeu
O quanto ele a amava
"Por quase um segundo"
Era capaz de odiar
Mas depois
A amava ainda mais
Agora sentia
A beleza e a força
Que a rosa lhe proporcionara
Como sempre
Não havia quem as reparasse
Não mais se preocuparia com isso
Não era mais só
Não era mais vazio
Não havia pranto de tristeza
Agora, chorava de alegria
Os ferimentos de outrora
O tempo havia sarado
E este mesmo tempo
O fizera ver quão bela era a rosa
Que aparecera para ele tão descuidada
Por entre os espinhos
Seu aroma era de "nardo puro"
Suas formas eram agora mais suaves
O rubro de suas pétalas assumia um tom róseo
Era engraçado
Como ela o satisfazia
"Ela sabia tudo
Que ele precisava sentir"
De sua viagem se esquecera
De seus tormentos se deixara
O calor, ele agora amava
Tudo que antes lhe era mal
Passou a ver que se importava
Agora o deserto lhe era como um jardim
Talvez o Éden?
Quem se importava
Só queria cuidar daquela imensa obra
E mais ainda
Daquela que lhe dera tudo isso
Enfim ele viu
Tal rosa não aparecera
Não tão de repente
Com ele sempre estivera
Desde antes de sua viagem
Ela olhara por ele
Por todo lugar
A cada paisagem
Era ela que jamais o deixara
E mesmo só
Ela com ele estava
O deserto nublara o pouco dos seus pensamentos
A rosa sempre esteve ao seu lado
Ora distante ora perto
Ela não via
Mas ela crescia
Desabrochava
A cegueira a escondeu por "um tempo,
Dois tempos e metade de um tempo"
Porém ele a viu
De tal modo que ninguém mais haveria visto
"Não era
Nem queria ser seu dono"
Apenas pela sua presença,
Ele feliz estava
Ela não pedia,
Mas ele a auxiliava
A rosa criara seu jardim
Era ele apenas
Um elemento secundário?
Poderia ser
Já não era mais sua vontade que ele fazia
Deus lhe dera a oportunidade
Um sacrifício era necessário
Ele, de bom grado,
Ofereceu
E sabia
Que se fosse mais uma vez pedido
Ele o faria novamente
Apenas para vê-la mostrar suas grandes pétalas
E sentir seu puro perfume
Tocar seus afiados espinhos
A dor não era mais nada
Ele fazia parte dela
Ela era parte dele
Amava-a tanto que a considerava santa
Que ele, em momento algum,
Poderia macular
"Ela só precisava existir
Para completá-lo"
E, esse jovem,
Para sempre cuidaria desse jardim
Sem reclamar ou murmurar
Ele estaria ali, presente
Todos os dias de sua vida
Ele agradecia
A Deus por tê-lo salvado
A ela por tê-lo amado
Já não se preocupava
Com ofícios ou futuros
Tudo estaria preparado
Mediante certo aprendizado
Para ele receber
Quando estivesse apto
Havia muito pelo que fazer
Mas era sereno e sensível
Havia muito o que construir
Mas a rosa estaria ali
Para lembrá-lo
O significado do sacrifício
Deus sacrificou por ele
Ele sacrificou pela rosa
Mas o amor era o sentido de tudo aquilo
Do Pai para o filho
Do jovem pra com a rosa
Ninguém sabe quanto durou seu jardim
Mas dizem que, "enquanto durou, era eterno"
"Ele que não sabia de coisa alguma"
Ali, no deserto, ele encontrou sua Terra Prometida
A sua Prometida
E ele a amou
Como ela também o amou
E se lembrou do início
E amou mais ainda tudo aquilo
Pois aquilo que ele possuia
Era "a mais bela de todas" as obras
"A flor que desabrochou na adversidade"
E quanto a mim
Apenas escrevo
Mas, como o jovem,
Quero cuidar desta rosa
"Que une todas as coisas"
Que minhas lágrimas e meu suor
Reguem este jardim
Para que um dia eu o veja
Florescer sem fim
As flores são mesmo complicadas. Obrigada pela paciencia, carinho e principalmente pelo amor que dedicou durante todo esse tempo, espero poder retribuir!!!
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