sábado, 25 de junho de 2011

Missão Impossível

Mulheres são seres complexos
Impossível amá-las
Ou impossível viver sem elas?
Difícil essa!


Elas  não curtem muito futebol
Nem são tão chegadas em esportes
Gostam do sossego e da tarefa
E exigem de nós um físico atlético


Elas não curtem games
Fazem agente deixar o console
Fazem agente deixar o pc
E cobram que saibamos eletrônica


Elas querem que escrevamos
Poemas, músicas, cartas, SMS
Gostam que falemos
No telefone, no ouvido e pra pedir informação


Elas querem que adivinhemos a TPM
Fiquemos mudos quando estão com raiva
Fiquemos carinhosos quando estão carentes
E fiquemos dizendo como ela está linda


Elas fazem deixarmos os pais em casa
Não olharmos outras mulheres
Aturar os abusados que olham pra elas
E, acima de tudo, ter calma


Agradá-las é quase um sonho
Por isso, só acontece de vez em quando
Fazem tudo simples parecer complexo
E o complexo... melhor esquecer


O bom de ser uma missão
Impossível, ou quase
É a seguinte:


Você é o Tom Cruise
Vai salvar o mundo
E beijar a donzela no fim


É...
Acho que dá pra fazer esse esforço
E é por isso que amamos elas...

sábado, 18 de junho de 2011

1

1 ano de descobertas mútuas
sobre fazer agradar, fazer feliz
falar sobre si, sobre nós
de frases de espanto


2 semestres de planos e metas
sobre como aproveitar o dinheiro do mês
em faculdades, cursos e horas de sono
de coisas pra conquistar


4 estações de tempos turbulentos
com sol pedindo praia durante a semana
e chuva com vontade de ficar em casa
por ambos sempre dizerem: sei lá


12 meses de tentativas sobre saudações
como dizer oi sem dar um risinho
sobre dar presente que encaixem, e agradem
em falar aquilo que o outro quer ouvir, e errar na escolha


48 fins de semana sem muito que escolher
variando uma caminhada
de cinema em cinema
shopping e lojas


336 dias de criações
escrevendo poemas
cantando ao pé do ouvido
combinações de presentes


8166 horas de espera
pela próxima, mais perto de ver você
pela chance de tirar um sorriso seu
pela oportunidade de passar um tempo com você


48996 minutos de pensamentos
de como cada hora, cada dia
cada final de semana, mês, e estação
de cada ano dizendo que esse sonho é real


E vai continuar...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dia

Não sou dado a comemorações. Não faz meu tipo, pelo menos quando se fala em meus aniversários. Quem não gosta de comer de graça em festas alheias? É claro que, geralmente, consideramos pessoas importantes os aniversariantes, ou festeiros de plantão. Afinal, a festa é deles. Mas o Dia dos Namorados tem algo diferente. Talvez porque eu faça aniversário de namoro 8 dias depois. Embora ache que o principal motivo não é esse. Obviamente, é mais uma aposta mercadológica, típica de outros "dia-de-alguém-importante-que-você-precisa-usar-seu-cartão-de-crédito-para-presentear-doze-vezes-sem-juros-e-só-começa-a-pagar-ano-que-vem-pra-você-esquecer-e-ir-parar-no-spc-e-tal". A parte mais importante de um dia assim é que ele não é só seu, ou só de outro(a). A chave desse dia é comemorar a união de ambos, aquilo que os juntou, aquilo que faz um pensar no outro todos os dias, aquilo que faz querer passar todo o tempo junto, aquilo que faz você querer beijar alguém mesmo que seja uma troca de fluidos muito anti higiênica. Embora eu concorde que não é apenas um dia no ano que devemos fazer, e pensar sobre, isso. Atenção especial para os casados, que logo adquirem uma certa "perda-de-memória" sobre coisas importantes assim. É claro que as opções de presente aumentam consideravelmente, mas continuemos o texto. Se você ama todos os dias, por que não fazer deles "dia dos namorados"?. Ainda que você não possa ver o(a) parceiro(a) todos os dias, ainda que não possa abraçar todo o tempo, ainda que não nem olhar ou conversar, fazer o esforço de pensar, se preocupar, de interagir, ainda que só no campo mental, já pode fazer de um dia comum e sem graça algo digno de comemoração. E o amor, pelo menos para mim, se constitui disso: fazer de alguém comum, um alguém especial. Imaginar que apenas um dia do ano é dia de presentear não faz muito sentido. Julgo mais importante todos os outros dias que você pode presentear, e/ou dar a si mesmo, oportunidades de amar de verdade alguém. Não acredito ser o namorado perfeito para ela. Estou muito longe disso. Gosto de pensar que não sou perfeito, assim sempre tenho em que aperfeiçoar, fazer diferente e melhor. O importante não é o presente que se dá, mas a pessoa que está presente. Não pense em "dia dos namorados" como um único dia, até porque é muita falta de sorte cair justo em um domingo. Deveria ser uma sexta-feira, mas tudo bem. Pelo menos dá pra fazer uma serenata com a música "Um Dia de Domingo", do Tim Maia. Isso é claro se você souber cantar e tocar, ou ter amigos, ou dinheiro, suficientes para isso. Mas aí já é outra história.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Time

Fazer, e esperar
Algo que tarda em chegar
Me pergunto se, de fato
Acontecerá


Cada coisa a seu tempo
Tempo que passa sem pensar
Cada coisa em seu lugar
Lugar que não pareço encontrar


Procuro agir
E depois de ir
Pareço voltar
Procurando um pouco de ar


Cada dia
Uma escolha
Para onde vou me levar
Tantos caminhos para me guiar


Olhar para trás
Estou indo para onde?
Ou voltando
De que lugar?


Se o tempo é como um rio
Onde está a foz para chegar
Ou margem parece segurar
Ou correnteza para se deixar levar


Luto
Em batalhas já vencidas
E, quem sabe, eu mesmo
Seja o vencedor


Torço
Por vitórias queridas
Sem entender
Se vê-las-ei todas


O mundo gira
Por que pareço parado,
Assistindo?
Talvez um erro referencial


Conto horas, dias
Acostumei-me a contar muito
E, a cada contagem,
É difícil reconhecer o resultado


Flechas
Palavras
E oportunidades
Não voltam atrás


Tudo na vida é tão
Passageiro, efêmero
Longínquo, distante
Até que a hora chegue

Highway to Nowhere

Vez ou outra, me pego olhando certos vazios
Lugares inóspitos, pouco atraentes
Aos shopaholics
E mesmo assim, atraentes
Aos que buscam estar longe da civilização
Considero lugares assim, serras e matas
Praias e falésias como um vazio temporário
Que logo será preenchido
Por uma sede incessante de tranquilidade
Paradoxalmente, uma tranquilidade incoerente
Uma migração ao desconhecido transforma


Infelizmente


As civilizações "novo-velhas", repetindo tudo outra vez
A epópeia trágica da humanidade
Por que tal sede de ocupação nos abate?
Por que nunca há satisfação na própria criação?
Parecemos precisar de colônias
Pensamos sempre estar faltosos em algo


Embora seja difícil crer que haja algo que não tenhamos feito


Somos varridos pelos ventos da mudança
Não há parada final, nem retorno
Apenas reinvenção de algo velho
Intenções velhas, consequências velhas
Disparidades entre filosofia e engenharia
Avançamos apostando sempre em fazer melhor
E repetimos velhos erros, com os mesmos motivos


Será falta de humildade?


Admitir um erro em prol da prevenção?
E mesmo admitir, apenas, nada basta
Se perpetuamos a construção destrutiva
E, da destruição, pouco se aprende
Para algo construtivo
Muito ocupamos,
E desocupamos logo em seguida
Pouco planejamos
E dizemos que faltou planejar
Muito falar em faltar
Pouco mesmo em pensar


Quanto, e até quando?


Nascemos, crescemos
Reproduzimos e morremos
Onde ficou a evolução?
Nessa highway sem fim
Nesse tempo sem controle
Se já aprendemos tudo
O que continuamos procurando?