Vez ou outra, me pego olhando certos vazios
Lugares inóspitos, pouco atraentes
Aos shopaholics
E mesmo assim, atraentes
Aos que buscam estar longe da civilização
Considero lugares assim, serras e matas
Praias e falésias como um vazio temporário
Que logo será preenchido
Por uma sede incessante de tranquilidade
Paradoxalmente, uma tranquilidade incoerente
Uma migração ao desconhecido transforma
Infelizmente
As civilizações "novo-velhas", repetindo tudo outra vez
A epópeia trágica da humanidade
Por que tal sede de ocupação nos abate?
Por que nunca há satisfação na própria criação?
Parecemos precisar de colônias
Pensamos sempre estar faltosos em algo
Embora seja difícil crer que haja algo que não tenhamos feito
Somos varridos pelos ventos da mudança
Não há parada final, nem retorno
Apenas reinvenção de algo velho
Intenções velhas, consequências velhas
Disparidades entre filosofia e engenharia
Avançamos apostando sempre em fazer melhor
E repetimos velhos erros, com os mesmos motivos
Será falta de humildade?
Admitir um erro em prol da prevenção?
E mesmo admitir, apenas, nada basta
Se perpetuamos a construção destrutiva
E, da destruição, pouco se aprende
Para algo construtivo
Muito ocupamos,
E desocupamos logo em seguida
Pouco planejamos
E dizemos que faltou planejar
Muito falar em faltar
Pouco mesmo em pensar
Quanto, e até quando?
Nascemos, crescemos
Reproduzimos e morremos
Onde ficou a evolução?
Nessa highway sem fim
Nesse tempo sem controle
Se já aprendemos tudo
O que continuamos procurando?
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