terça-feira, 18 de maio de 2010

"Mestre dos Mares"

Este post é uma metáfora pouco elaborada sobre um momento estranho na minha vida. Rogo paciência. Capitão. O cabeça de uma embarcação. Uma caravela, para ser mais preciso. Há muito passeara em tantos mares quanto se poderia contar. Tantas tempestades e desafios. Menos do que Jack Sparrow, acho. Mas nada o havia preparado para a calamitosa desventura que o aguardara. Saindo de seu porto natal, procuraria por um segredo esquecido nas ondas do tempo. Algo que poderia mudar o curso da sua história definitivamente, tanto para bem quanto para mal. Na pior das hipóteses ele apenas tornar-se-ia mais um viajante engolido nas trevas profundas de um tempestuoso destino. Mas isso não estava em mente. A possibilidade da derrota não entrara ainda na sua gama de opções possíveis. Ainda. Tudo parecia transcorrer excepcionalmente bem. Nessas horas é que ninguém espera que aconteça nada de absurdo para burlar a paz que se instalara. Mas sempre acontece. Murphy mais uma vez mostra presença. Tempestade. Imprevisível. Em mares conhecidos. Uma situação pouco comum para alguém já experiente nesse campo. Pena. Experiência nem sempre conta nessas horas. Principalmente nessa hora em específico. Não apenas uma tempestade feroz estaria para assolar sua embarcação, mas estaria cego, surdo e nu em pouco tempo. Foram dias difíceis. Dias sem conta. Não permitiria que seus companheiros fossem carregados pela loucura. Porém, ele não tinha a capacidade para fazê-lo. Manejava bem seus instrumentos, e também seu navio. Mais uma jogada em falso. De que lhe adiantam instrumentos se não consegue lê-los? Muito menos um navio sem tripulação. Deriva. Corajosamente tentava manter o curso. Se é que o curso ainda estava sendo seguido. Nada bom. Quando a fúria da natureza assentou-se, a névoa branco-pálida em que se tornara sua existência materializou-se. Pensativo, ele estava. Mais perdido do que estou seria inconcebível, averiguou. Embora a névoa lhe cobrisse a maior parte do alcance da visão, ele percebia um facho de luz passear na periferia sua imprecisa posição. Poderiam ser delírios. Já não esperava nada menos surpreendente. O facho ali permanecia, indeciso sobre onde era gerado. A paralisia se mantinha instável, ora crendo ora ignorando nesse porto seguro que o esperava. Confundiam-se tempo e espaço. Estaria ele no Limbo? Provavelmente não. Rezava por isso todos os momentos. Já não havia dia ou noite. Mesmo assim não permanecia estático, movendo-se lentamente "a-quem-sabe-onde". Num vislumbre de desespero, suas esperanças talvez tivessem retornado. Outro raio de forte luz sobrevinha-o, de posição análoga ao primeiro. Aquele parecia-lhe realmente decidido a reparar seus muitos danos. Ou era ele mesmo depositando suas forças em uma última oportunidade. Deixo ao leitor que decida. As conclusões podem ser interessantes. Ali, o capitão deparava-se com o grande enigma da sua infeliz realidade. Qual luz escolheria, indagava-se. Bom, apostaria na que mais firme lhe ocorrera. Nela focou suas forças para guiar-se até ela. No entanto, a primeira nunca o deixara, sempre ali, como se pedisse uma oportunidade. O capitão temia que essa direção, pouco constante, fosse ilusória. Não o perdia de vista, golpeando com ora ferozes ora tímidos jatos de fótons a torre da proa. A segunda opção mantinha-se, esperando ele que essa fosse sua salvação. Quando ele pareceu vislumbrar o continente que carregava tal farol, a névoa circundante adensou-se ao ponto de poder ser pesada. A maré ainda não tornara a seu favor. Já a primeira luz aproveitou-se, mesmo que inocentemente, para precipitar sua corrente sobre o já enfadado capitão. Revoltado, optou por não seguir nalguma das opções a ele apresentadas. Murphy ataca outra vez. Como que invocado por negra feitiçaria, o abismo lhe deparara a desfalecida face. A pior hipótese estava diante de seus olhos. Decisão simples. Escolher um lado. Uma direção. Ou então, seria um adeus eterno. Tudo, exatamente, passou por sua cabeça. Desde suas primeiras viagens, até o presente momento, nada escapara à sua análise minuciosamente orquestrada. E, ainda assim, não decidira qual caminho tomar, ao passo que a segunda luz enfraquecia vagarosamente. A inconstância da primeira ainda persistia. Ainda tinha algum tempo até o fim mais doloroso. Aí sim estaria no Limbo. E não queria provar a amargura daquele lugar tenebroso. A terra de assobio não era um lugar adequado. Qual caminho tomar? A dualidade da existência humana. Dúvidas. Medos. E nenhuma escolha. Hora de mudar. É tempo para escolher. Decidir. Concluir. É o meu tempo.

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