Tem horas
Horas que nada parece fazer sentido
Horas que o tempo passa sem sentir
Horas que a vida vai sem perceber
Tem dias
Dias que são desperdiçados
Dias que o céu nunca fica nublado
Dias que o chão se abre sob os pés
Tem semanas
Semanas que o trabalho não rende nada
Semanas que não há tempo para namoro
Semanas que não há melodia no violão
Sinto-me como manteiga
Passada em uma fatia de pão
Esticado, passado, atravessado
Duvido se pertenço a esta vida
Pareço como um alimento
Fora da validade, mas que persiste
Em servir de alimento a outrem
Querendo sentir-se útil pra algo
Pareço um eletrodoméstico
Antigo, obsoleto, esquecido
Que acha uma atualização suficiente
Para servir ao seu propósito de novo
Há momentos que tenho medo do futuro
Do que posso me tornar se deixar tudo acontecer
Tenho medo ser aquilo que tento não ser
Sem saber se poderei ser aquilo que quis no início
Não sei onde é início
Nem mais onde é fim
Talvez eu esteja no meio
Mas até quando?
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