Sou culpado de muitos crimes
Dentre eles o de te amar
Mas poderia eu viver
Sem teu coração roubar?
Roubo, furto, sequestro
Pergunto-me se tu não tomaste
A mim mesmo para ti
Hoje, fazemos do outro parte
Como num lampejo
Em teu olhar me levara, me carregara
Para longe de tudo, mais perto de ti
Nessa natureza de beleza rara
Não há punição que me faça arrepender
De um dia, e todos dias
Perseguir seus passos correndo
Mesmo que me acusem, independe
De furtar-te beijos
De fazer gracejos
De me dividir inteiro
Para me completar em ti
Poderia extorquir meus desejos
Para ver seu sorriso em floreios
Em um corpo dançante, relampejante
De graça e sutileza
Atacaria o pudor
Faria-o tolerar-me a insolência
De admirar alma tão inocente
Fazendo até do ateu, crente
Distribuiria entre os pobres
A riqueza dos teus pensamentos
Que inflamam todos os momentos
Quando penso em ti, cantando a ti
Inocente ou culpado?
Quem poderá dizer-me
Ainda que me prendas
Já estou atado, algemado
Tentar-me-ião com solidão
Embora em meu íntimo
Tu não me deixaste
Para que me consolaste
Não há trabalho, fardo ou peso
Que me faças ser menos coeso
E ainda assim louco em palavras
Quando testemunho de ti ao mundo
E os anos passam sem sentença
Mas para mim já há recompensa
Do trabalho bem feito
De gerar um amor perfeito
Sei que tenho meu defeito
Pareço causa e efeito
Causa de te encontrar
Efeito de me apaixonar
Minha defesa não carrego
Contigo me faço incauto
Mas que conste nos autos
Não hesitaria em dizer de um salto
Se tudo que tinha tomaste
E não desejo para mim retornar
Só quero em teu cativeiro ficar
E não presto queixa...
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