Seguindo a "vibe" das adaptações para a grande tela, chegou em terras tupiniquins o exemplar de "Príncipe da Pérsia", originalmente criado a fim de compilar o lendário console "Atari", o chamado 8 bits. Notadamente melhor que títulos como "Pitfall", o tal "Príncipe" se contentava em escapar de armadilhas lacerantes e buracos pontiagudos por seu castelo (se é que era dele...). Com intuito mercadológico além do desejo de fazer ressurgir um antigo sucesso, a Ubisoft traz "Prince of Persia - Sands of Time" ou Príncipe da Pérsia - Areias do Tempo, no console PS2, de 128 bits. Para alegria dos aficcionados (me incluo na lista), o novo game toma um rumo absurdamente inesperado em, contraposto do original. É trivial comentar que o visual, a mecânica, o enredo, em suma, tudo mudou para o malfadado príncipe. Ingênuo, tentei apreciar a recente obra homônima na esperança de me arrancar suspiros de surpresa. Uma pena. Já de cara, não agradou. A começar pelo nome. Não do filme. Do príncipe. Qual editor maltrapilho põe o nome de Dastan a um personagem que nunca sequer revela-o durante 3 extensos jogos? Para não cometer o crime conhecido como "spoiler", que consiste em delatar toda a história aos incautos leitores/ouvintes. Passível de punição severa, no qual uma rodinha de amigos torna-se uma violenta rodinha punk. Então cuidado. Prosseguindo, não fa-lo-ei. Tentarei, esperando sucesso, explicitar a verdadeira história por trás desta grande "baianagem". Do título Sands of Time, para PS2:
Eras atrás, o reino da Pérsia invade um país vizinho. O experiente Rei e o astuto Vizir organizam o ataque que daria fim ao inimigo. O referido Príncipe, exímio espadachim, embrenha-se nas linhas aliadas para recuperar algum espólio valioso ao seu querido pai. Mal sabia do que o esperava. Atravessando palácios e ruas em chamas (o ataque primário era aéreo, utilizando grandes projéteis flamejantes, seguido das falanges de combatentes rasos), derrotando poucos defensores, valendo-se de espetaculares habilidades de salto e modalidades olímpicas dignas de um competidor oficial de ginástica, avançou até um templo arruinado. Em uma posição nada vantajosa encontrava-se uma brilhante adaga. Supôs ser um artigo de grande interesse, indo capturá-lo. No exato momento que tocava no instrumento, uma rocha colossal desprende-se da parede na sua direção. Obviamente, seria um fim prematuro demais para um jogo desses culhões. De alguma forma, bem no instante do choque, houve um retrocesso temporal, perceptível apenas ao Prince (irei chamá-lo assim daqui por diante), no qual o mesmo capta a aproximação do objeto e consegue desvencilhar-se de um doloroso fim. Repara que algo absolutamente estranho lhe ocorrera, porém, segue seu rumo de volta ao pai. Durante o retorno, o exército persa (famoso em muitas histórias) atravessa o deserto carregando consigo pertences reais, itens de valor, escravos, entre eles a princesa. Além é claro, das Areias do Tempo, mui almejado pelo Vizir, por motivos ainda desconhecidos. Nas câmaras do palácio, Prince oferece a adaga ao pai, que conversava com o Vizir com respeito a ligação das Areias com uma adaga ainda sem paradeiro. Ao vê-la nas mãos de Prince, o Vizir demonstra um receio incomum à alguém da corte real. Perspicaz, Prince entende o quão aquilo tudo parecia importante para seu pai e toda a Pérsia. Entretanto, ao utilizar a adaga para liberar as Areias do Tempo, a possibilidade mais terrível se concretiza bem diante de seus olhos. Como um fluido, as Areias tomam conta da atmosfera do lugar, o Vizir foge sorrateiramente, deixando os presentes atônitos. Dentro de poucos segundos monstros atemporais invadem o lugar. Os presentes, incluindo o Rei, são infectados pelas macabras Areias, transformando-os em bizarras criaturas meio-humanas. Aqueles que não foram atingidos pelo flagelo são exterminados pelas criaturas e metamorfos. Absorto nesta perspectiva, o Prince dispara pelo palácio, em fuga das criaturas, desejando não crer no que ocorrera a pouco. Numa imensidão arquitetônica, Prince está sozinho. Ou é o que ele espera não ser verdade. Não demora muito até encontrar a tal princesa capturada. Percebe que ela também não é uma princesa comum, pelas suas habilidades fugazes com o arco. Desejando uma conversa racional com um ser humano legítimo, eles compactuam um possível resgate às vítimas, ou mesmo um modo de reverter o processo de mutação que ambos presenciaram. A princesa apresenta-se como Farah, e conta ao Prince que não há meios de banir as criaturas ou salvar seus compatriotas. Somente a adaga pode libertá-los do tormento das Areias, mas não há volta para nenhum deles. Mesmo temendo o pior, Prince decidi-se em vasculhar o castelo em busca do Vizir, e obter respostas sobre o acontecido. Farah assusta-se ao ver a adaga em posse de Prince. É claro, a adaga é A adaga. A Adaga do Tempo. Capaz de controlar o fluxo temporal e banir os elementos do submundo absorvendo sua força vital. Farah alerta que seus poderes se limitam a presença contínua das Areias nas proximidades do portador, o que é claro não é um problema, visto que um mar de mágicas areias impregnou toda a região do palácio, quiçá todo o reino.
Continua...
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