Eu oro, todos os dias, seja manhã, tarde ou noite
Eu oro, querendo o bem, querendo ajudar, querendo mais
Eu oro, embora não saiba me expressar, embora não mereça ser ouvido
Eu oro, por muitos, tantos que não posso contar, e nem tanto por mim
Eu oro, pelos que amo, e pelos que não, e ainda pelos que ainda não
E quando oro, penso em muitas coisas, coisas que vivo, coisas que vejo
Penso em coisas que ainda não vi, e que espero nunca ver
Oro por famílias, parentes, amigos, por todos, e, as vezes, por ninguém
Oro, tentando ser sincero, ainda que nem sempre o seja
Oro, ainda que não seja ouvido, permaneço orando e pedindo
Oro, sendo respondido, por novas coisas que desejo acontecer
Oro, nem sempre por mim mesmo, mesmo precisando
Oro, e quando por mim não cesso de orar por outros, dos quais não me esqueço
Temo por não orar, sendo por vezes parcial, ainda que sem querer
Temo por me esquecer, não só de pessoas, mas do meu eu
Temo por tantas coisas, querendo satisfazer todas, ainda que não seja possível
Oro para curar, para levantar, para salvar, oro, oro e oro
Oro, mesmo que muitos não entendam, e, por vezes, nem eu mesmo
Oro, mas não o suficiente, não o máximo, nem o melhor
Oro, mesmo inconsciente, sacrificando
Oro, ainda que não faça diferença alguma, mas pelo menos a procura
Queria poder orar mais, orar melhor, ser melhor
Queria ser mais, ter mais, pensar mais
Queria tudo, e nada, ao mesmo tempo
Poderia eu querer tudo para todos?
Poderia eu querer nada para mim?
Ou tudo para mim, e nada aos outros?
Ou nada em lugar algum?
Nada sei, mas tento algo saber, ainda que nada seja
Pois no nada, nada sou, deixando de ser, o ser a outros
Nada posso reservar, nada tendo, mesmo oferecendo, ou pedindo
Pois não posso nada dar, dar de mim mesmo, se nada sou
Eu oro, permaneço a orar, continuo a orar
Eu oro, esquecendo sobre ser, dar ou ter
Apenas oro
Apenas peço
Eu oro
Eu oro
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