Quem se lembra dos debates pré-eleições, e ve as atitudes governamentais hoje, pode se perguntar quando as mudanças de discurso começaram a ocorrer. E essa pergunta pode ser respondida com um "tão logo venceu as eleições, Dilma já não era mais a mesma". Parece que a mesma dificuldade que ela tinha em organizar ideias, ela perdura em organizar seu próprio governo. A presidente (e não "presidenta", como alguns preferem denominá-la) não cumpriu (ainda) nenhuma de suas muitas promessas. Primeiro, as que deixavam o eleitor mais feliz: casa e emprego. O PAC, que fazia juras de amor a classe C, nem foi completo e já lançaram o PAC 2(quase uma volta dos que não foram). A expectativa mais corriqueira é que nem um nem outro se resolvam e a população prefira deixar a conclusão da saga para um próximo filme (quem sabe um "Dilma, a filha da Bulgária"), vislumbrando a primeira trilogia brasileira. Já na parte de geração de empregos, o Brasil viu a segunda "marolinha" exterior virar um prenúncio de "pororoca" interna, com uma ligeira desaceleração do crescimento, um ligeiro aumento da inflação, somado a decisões nada ligeiras, algo totalmente previsível por se tratar deste país continental, no qual, não é de hoje, as coisas se resolvem mais tarde do que deveriam. Relativamente as outras nações emergentes, falta uma dose de "Toddynho" para que o Brasil possa evoluir (mantendo uma progressão) e não "digivolver" (melhorando mas depois voltando ao estado original). Sem falar no "Yakut", que ajudaria a digerir toda a bagagem corrupta e evacuar, com mais facilidade, os seres indesejáveis dos organismos políticos. Por falar em corrupção, o tal "governo de coalizão", o tal "eu não mexo contigo, e tu não mexe comigo" (algo parecido com falta de decência ou condescendêrncia) tem dado o que falar. Simplesmente "uma faxina não é a nossa prioridade agora". Incrível seria alguém dizer quando isso vai ser prioridade. Com o dolár valorizado tinha "mensalão na cueca", mas quando o real é que está valorizado, tem "mensalão na calcinha", o que não é nada mais adequado quando temos uma senhora presidente. O mais cômico (e/ou trágico) seria que ambos acusados foram absolvidos, mesmo desrespeitando a higiene pessoal íntima, algo imprescindível na sociedade com valores tão avançados (será mesmo?) quanto os nossos. Sem falar na já falada Emenda 29, que foi votada, mas nada de CPMF, por enquanto. Alguém lembra de que "a saúde será umas prioridades do meu governo"? É estranho saber que algo como regularização de gastos com saúde ainda deva ser um assunto tão badalado. Poderiam votar emendas assim para todas as instâncias públicas, afinal até no lanche dado aos doadores de sangue tem superfaturamento, quanto mais no gordos salários de certos deputados e parlamentares aposentados, que triplicam seu auxílio enquanto a maioria sofre reajustes sempre negativos da Previdência. O Brasil gasta menos em saúde (vide hospitais), educação (vide escolas) e infraestrutura (vide estradas) que qualquer outro emergente, mas acha lógico reajustes salariais para os integrantes do TJF, enquanto salário mínimo engatinha tentando alcançar seu propósito impossível de satisfazer as necessidades básicas. Ainda falando de gastos absurdos, que tal citar um evento de grande porte: A Copa do Mundo. Ecos do passado diziam que "a Copa será financiada pela iniciativa privada" e "o brasileiro não pagará as contas", algo bem diferente dos bilhões de reais investidos em obras de reformas e criação de novos estádios, além de pedreiros e população insatisfeitos. E, para monotonia natural do brasileiro, a Lei Geral da Copa ainda poderá tornar as coisas mais salgadas por aqui. A FIFA não quer saber de meia-entrada, quer feriados em dias de jogos e até a alimentação vendida nos estádios quer controlar. Parlamentares já disseram que há "inconstitucionalidade" nas diretrizes, mas seria muito menos lógico e moral, ver Sarney presidindo o Senado, afinal, "constituição" é um termo ausente/inexistente para a maioria dos nossos colegas. Ouvir uma presidente formada em economia e ex-chefe de Casa Civil dizer que "o país precisa cortar gastos" e "as grandes potências sofrem pois não sabem organizar suas finanças" deixando todo esse rombo orçamentário passar em branco é, no mínimo, incoerência ou, no máximo, inocência.
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