terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Número 27

Não é cabalístico, não é conhecido por poderes místicos nem tem ligação com a demonologia tradicional. Ainda que seja apenas um número, sua infâmia tem crescido a cada década. O 27, como idade, assombra o mundo da música já há muito tempo. Nomes famosos como Brian Jones (Rolling Stones), Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison (The Doors), Kurt Cobain (Nirvana) e, recentemente, Amy Winehouse preenchem a lista das personalidades mais proeminentes. Seja por sua voz, qualidade poética, irreverência ou presença, foram quase imortais entre nós, meros mortais, fãs inveterados ou pais desconfiados. Seus trabalhos em vida demonstram como o ser humano pode ser criativo e chocante ao mesmo tempo. Destruidores de paradigmas, sabiam como e onde atingir seu público, usando e abusando de talentos musicais e personalidades fortes. Fizeram parte da geração de muitas pessoas e, até hoje, conseguem cativar novos convertidos por estilo, ou status. Suas vidas e obras se destacam pelo diferencial, pelo novo, pelo contrário do cotidiano. E o que fazia deles grandes, acabou também destruí-los parcialmente. Digo parcial pois suas vidas se foram, mas o que fizeram durante, ficou. No caso dos citados acima, drogas de diferentes tipos estão incluídas em óbitos. Muitos alegam que justamente esse uso poderia ser a fonte de tanta criatividade e vivacidade presenciada em shows e compilações. O uso do proibido sempre marcou eras de nossa história. Era um meio de indignar-se, de contrapor-se, de expressar força. Nisso, não há dúvidas. Eles são exemplos de como fatores da sociedade criam situações e elegem pessoas, dentre tantas, por serem simplesmente diferentes. Mas o fim nem sempre é tão idealista quanto sua trajetória. Talvez pelo frenesi de suas posições não houvesse muitas chances ou poderes para impedi-los de seguir em frente. Nem tudo que é proibido hoje, foi proibido ontem ou será, amanhã. Mas os seres humanos tem uma vida curta demais para esperar que as coisas aconteçam. Eles querem fazer acontecer. Um provérbio diz: o que importa é saber como morrer. Como alguém morre, por vezes, define como ele será lembrado. Suas vidas brilhantes terminam ofuscadas por suas mortes absurdas. Mas há também: os meios justificam os fins. E os extremos sempre são os que caem primeiro. Basta aos mortais tirar apenas aquilo que seja útil e saudável. Mas os humanos quase nunca conseguem fazer isso. Não querendo ser pessimista, mas é estatisticamente provado que músicos morrem mais aos exatos 27 anos que em outras idades. O que importa é o que fazer das nossas vidas segundo o tempo que nos é dado. Se cada ação tem um reação, cada escolha, uma consequência. Basta escolher. Vida longa a Música.

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