quarta-feira, 17 de agosto de 2011

E a Juventude Britânica volta as Ruas

Quase 40 anos depois da "Revolução Punk", os jovens voltam a lotar as ruas em revoltas violentas, com repressão ínfima das autoridades (in)competentes. Essa nova geração, insatisfeita com a falta de oportunidades, tudo tem a ver com sua antecessora. Sem educação, sem emprego, sem dinheiro, as classes menos "interessantes" do Reino Unido não viam nada em seu futuro. Pelo menos, nada que fosse melhor do que a atual situação. Bem no meio da crise cambial americana, enquanto o petróleo dava saltos absurdos de preço, a Europa vivia uma estagnação econômica e a inflação rondava os bolsos alheios. Parecido com o que já houve no Brasil antes do Plano Real: empresas fecharam, o desemprego subiu e o governo procurando uma solução imediatista que, em geral, dava muito errado. Sem perspectiva, sem oportunidade, sem futuro, as coisas tendem a ficar violentas. Nos idos de 1970, os revoltosos encontraram reforço no "sex, drugs and rock'n'roll". O punk se difundiu rapidamente com suas letras ácidas, embora seu fim tenha sido com a "modinha". De movimento revoltoso virou tendência comercial das grifes. Afinal, era aquilo que todos queriam usar. Justo o movimento que via no consumismo e na lavagem cerebral do capitalismo, o cancêr da sociedade comtemporânea. A situação se repete: os excluídos, insatisfeitos com a marginalização que o modelo econômico lhes impõe, resolvem romper em quebra-quebras, incêndios, espancamentos, todo o tipo de violência contra a propriedade publica ou privada que tanto se cultua. O "american way of life" encontra contraste com a pobreza e estagnação das minorias. Outra resposta bem característica de situações desse nível: preconceito. A xenofobia encontra lugar como as possíveis razões das más condições do país. Nada menos lógico (para eles): temos empregos, mas os estrangeiros estão roubando de nós. O boom dos neo-nazistas e neo-fascitas, com novas vertentes, novos nomes, mas mesmo objetivos: divisão. O que faz lembrar do surto assassino na Suécia por um extremista de direita há poucos meses. Bastante coincidência. Crise da moeda americana, avanço da extrema-direita, jovens ingleses revoltados. Parece que caminhamos para uma repetição, um dejá-vù. Imigração traz disputa interna, somado a crise econômica, gera desemprego. Sem emprego, sem oportunidade, a pobreza aumenta. O modo de vida não pode mais ser sustentado, o cartão de crédito já não tem tanto crédito na praça. Com a inflação, o salário real não é suficiente para o mínimo da subsistência. Aumenta a insatisfação, e esta, se torna em violência. A violência fecha negócios, aumenta o desemprego, gera menos renda, concede menos crédito, piora a qualidade de vida. A violência, alimentada pelo ódio ao pouco, politiza as relações sociais, divide opiniões, e compromete governos. Questões menores como cor se tornam estopim da bomba chamada "crise". E assim as coisas evoluem, de mal a pior. Viva a sociedade do consumo! A ideia é: quem consome quem primeiro.

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