terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

FEB

Flictema econômica brasileira. Um termo que pode se concretizar no cenário do nosso país. Como nos EUA pré-2008, vivemos uma época de possibilidades no que tange o poder de compra. Primeiro, a valorização do Real frente ao Dólar, que torna a balança importação-exportação mais favorável ao País. Depois, a abertura de crédito financiado que propicia a população a capacidade de arrecadar um maior número de bens de consumo, além de imóveis. Esses fatores caracterizam um aquecimento na economia, com um capital de giro mais gordo (ou flácido). Essa mesma estratégia tem sido utilizada pelos emergentes, como China e Índia, com o mesmo propósito (muito embora não seja apenas isso que eles tem feito para alcançar um crescimento de quase 2 dígitos ao ano). Um governo ingênuo, ou relapso, como o nosso, aposta nessa ideia sem imaginar quais consequências isso poderia acarretar a longo e curto prazo. Com o aumento absurdo da procura por bens econômicos, a oferta deve seguir um ritmo coincidente para alimentar incessantemente os consumidores (com o intuito de conter a inflação, um mal corriqueiro em nosso país). E, atualmente, esbarra-se em circunstâncias primordiais: (1)capacidade de atendimento da demanda (2)espaço útil aproveitável (3)logística de transporte. A fim de comprovar essa tese, podemos citar: falta de mão-de-obra qualificada, esgotamento de recursos e verticalização do espaço, "gargalos" de transporte (graças a má estruturação) a beira da paralisação. O quesito força de trabalho interfere na necessidade de maior investimento em educação (algo que em nosso país, não chega a 10% do PIB bruto), que deve ser feito a longo prazo, antecedendo a estratégia do crédito facilitado, e, havendo falha nessa etapa, é inevitável o encarecimento do serviço, além do aumento dos prazos para completá-lo. Só nessa parte podemos comprometer todo o sistema econômico pois as demandas não possuem paralelismo. No quesito transporte, é impossível que sistemas com capacidades idênticas atendam diferenças exorbitantes de demanda. Um caso que une os dois fatores é o transporte coletivo, que sofre reajustes acima da inflação com uma periodicidade nauseante sem, ao menos, desenvolver (pois o ideal seria a reformulação) os meios para o qual ele está implantado. Quando moradia é o parâmetro, sofre-se uma situação semelhante: a supervalorização (desigual) alonga prazos de pagamento, sem contar a (quase) estagnação de alguns recursos naturais com a criação de zonas de habitação em áreas que poderiam ser preservadas, o que poderia garantir um melhor ambiente tanto para a vida humana quanto para fauna e flora locais. No sentido da economia ampla, algo dessa magnitude poderia "quebrar" um país. Dilma, ao iniciar seu mandato, decretou corte de gastos (algo que só ocorreu em esferas mais baixas da sociedade) na intenção de obter um "caixa" mais sólido (consolidado pela valorização da moeda internacionalmente no período Lula) para salvaguardar a abertura de crédito logo em seguida. O "calmaria" dos juros (a uma taxa de  cerca de 11%) pelo Banco Central seria a opção encontrada para evitar a inadimplência. Em suma, Dilma tentou, mas existe o temor que a mesma não vá conseguir segurar as "pontas soltas" desse processo sem causar estragos consideráveis. O incentivo mais semi-coerente de Dilma foi a facilitação do acesso a propriedade intelectual focada nas bases (com a expansão do ensino técnico), mas não em escala coincidente na etapa seguinte (faculdades). Ter técnicos é necessário, mas como garantir uma continuidade de desenvolvimento tecnológico, imprescindível ao crescimento, sem engenheiros para planejar e gerenciar? É o mesmo que ter ferramentas sem saber utilizá-las. Além de ser óbvio que "comprar" tecnologia estrangeira é muito mais cara e muito menos eficaz para o País. Basta uma comparação a outros emergentes: (1) na Índia, professores virtuam entre os funcionários mais bem assalariados do país (algo inacreditável no nosso País), (2) a China já possui capacidade para criar (e não só copiar) tecnologia em eletrônicos, por exemplo (com ressalvas aos salários do setor denominado "chão de fábrica", os soldados rasos da indústria). Nesse ritmo, a valorização imobiliária (reforçada pela pacificação de áreas ausentes do Estado) sem precedentes que se tem visto é apenas uma alíquota do que está por vir economicamente. A taxa de inadimplência que começa a se elevar e os bancos já voltam a ter maior rigor  para liberação de crédito para financiamento, constituindo uma medida emergencial que não tem poder para solver o problema, pois a sociedade não possui um controle estratégico com a pecúnia, quem dirá com valores virtuais. O número de veículos individuais comprados no decorrer do último ano demonstra uma atitude leviana no parâmetro logístico: mais carros que transportam menos ocupam mais espaço com menos efetividade. A vantagem governamental é o aumento da procura de combustíveis e, quando a distribuidora é estatal (lê-se: Petrobras), o já flácido (pelo preço dos combustíveis) superávit primário pode engordar ainda mais. A visível falta de uma análise de consequências bem elaborada demonstra o desleixo do poder governamental em tomar decisões baseadas em fatos concretos e circunstâncias esperadas. Talvez não tenhamos uma "bolha" de 2008 (até porque o mercado brasileiro ainda não tem caráter especulativo) nos próximos anos, mas isso vai depender de como e quando as autoridades incompetentes se tornaram competentes para tomar as rédeas da situação.

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