terça-feira, 20 de abril de 2010

"I Can't Help It"

Michael Jackson, single "Off the Wall", faixa 8. Talvez o autor tenha pensado o mesmo que eu nas exatas 23 horas que se passaram. Embora tenha a ideia de já ter passado por uma situação semelhante, essa foi diferente. Durante muito tempo apenas observei, sem saber o que fazer, esperando um momento que me fosse oportuno. Não ousava desejar. Estar tão perto quanto um toque, e tão longe quanto um olhar alheio. Indefeso. Essa era a palavra. Naquela posição eu poderia apenas ajudar. Nada que rompesse o limiar de um simples cumprimento. Mas o tempo resolveu romper este limiar. Mesmo sem perceber, ou querendo não fazê-lo, me permiti gozar daquelas situações. Era compreensível demais. Algo em mim ainda paralisava ao som da voz. Nos momentos que poderia me valer da posição, estando tão próximo, eu negava. A ideia de alcançar aquele nível, e ao mesmo tempo de manter a distância imposta. Me consumiam. Poderia esperar. Seria muito, ou não. Não importava. Alimentar por pouco tempo me fez mudar. Talvez de um modo que não cogitaria. Ainda não havia tido exatamente essa sensação antes. Pelo menos não me recordava. Não queria que fosse assim. Só me importava com a integridade. Sua saúde. Física e espiritual. E assim foi. Muito rápido. Quando parecia prosseguir algo aconteceu. Temo não saber o que ou como. Mas aconteceu. Algo nublava o céu estrelado que estava por construir. Algo frio como uma noite no deserto pairava entre nós. Acreditava não ser o que realmente era. Tentava. Estar tão distante de tudo durante tanto tempo me fez agir assim quando houve oportunidade. A cada reconciliação algo se perdia. Passava por entre meus dedos. Diante de meus olhos. Tudo que havia contribuído se esvaia de mim. Uma peça de reposição. Passageiro. Não que soubesse que não que sou indispensável. Mas ainda não esperava que fosse assim. Desprevenido. Era como eu não deveria ficar. Mas estava. Jeremias 17:5. "Maldito homem que confia no homem". Pensei estar fazendo o que podia. Mas queria fazer aquilo de longe do meu alcance estava. Não poderia. Não tenho esse poder. A decisão é individual. E ela já havia tomado a dela. Até esse momento eu estava incluído. Não mais. Foi assim. Pelo menos pra mim. Lamentava quando pensava errar. Talvez não errasse tanto quanto pensava. Mas as pequenas coisas fazem muita diferença. Ou deveriam fazer. Sun Tzu disse: "Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo [...] não correrá perigo. Aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, às vezes ganha, às vezes perde. Aquele que não conhece o inimigo nem a si mesmo, está fadado ao fracasso". Ainda não conhecia de todo. Não era um inimigo. Não é. Me encaixaria na segunda situação. Depois do choque, da tempestade, vem a bonança. Transição. Mas essa foi uma batalha. Não perdi a guerra. Na hora, era "My Immortal", Evanescence, que estava tocando na minha mente. Depois "I Can't Help It". Não era minha hora. Deixava ser dominado pelas circunstâncias. Mas "um grande general não é arrastado ao combate, [...], sabe impô-lo ao inimigo". Sun Tzu. Quando se é sacrificial demais, você pensa assim. Ou tenta pensar. Às vezes não há tempo. Ou você faz não haver tempo. Transição. "Uma metamorfose ambulante", segundo Raul Seixas. Mas bem próximo de sair da crisálida. "A invencibilidade repousa na defesa, a vulnerabilidade revela-se no ataque", "Ataque onde seu inimigo não possa defender". "[...] fazer muitos cálculos conduz à vitória, e poucos, à derrota". Sun Tzu. Excusas não mudarão a situação. Agora é minha vez.

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