A ideia de escrever esse post me veio logo em seguida de eu ter tomado a revolucionária decisão de ao ler, ouvir e/ou ver, em suma, apreciar qualquer forma de entreterimento, não se ater ao que se percebe na primeira impressão, mas compreender aquilo que se esconde em uma fala engraçada ou um texto enigmático. Pode parecer ridículo, mas houve uma reviravolta na minha concepção da simples leitura de uma história. Descobri que captar referências em algo, torna o mesmo em uma extensão do seu raciocínio intelectual, da partícula inteligível da existência. A fim de ilustrar usarei uma situação cômica. Pelo menos para mim. Encontrava-me ao lado de minhas mãe e irmã (12 anos, senão me falha a memória) na sala (de cinema) que exibia o filme "Madagascar 2". Francamente. Enquanto a maioria dos diminutos seres e seus alienados responsáveis de idade mental obviamente equivalente ao dos primeiros, riam das já esperadas aparições dos personagens nos cantos da tela, piadas-pastelão muito discorridas e sons particularmente pouco plausíveis; poucos não foram os momentos que perdi-me em "sacadas" de extremo sarcasmo e ironia. A obra em si é uma pérola para a filosofia do "para bom entendedor meia palavra basta". Particularmente observei muito escárnio em relação aos malfadados novaiorquinos, que obviamente abrasou minha atenção. Citações de imperalismo, globalização e medicina pós-moderna, também tiveram seu devido espaço a ser ocupado. Me exitei do cinema boquiaberto com tudo que tive capacidade de absorver. Nesta linha de pensamento começei a perceber um sem-número de referências, citações, conexões em tudo que meu intelecto tomava parte. Alguém com certeza escarneceria de mim nesse instante enquanto lê, partindo do pressuposto que eu já deveria ter percebido isso. Concordo plenamente. É revoltante coparticipar de tais ideias num momento tão tardio da minha efêmera existência. Mas a questão seria melhor colocada quando outro disesse: "Será que o número de indivíduos que obtém esse conhecimento é suficiente para suprir o déficit populacional no mesmo sentido?". É claro que não. Uma explicação aceitável para esse fato pode ser aferida ao observarmos um infante a asistir uma obra também relativa ao público infante na companhia de um, assim denominado, adulto. Tal infante é condicinado pelo estúpido adulto a observar apenas cores e movimentos, deixando o intelecto entrar e sair de cena tão rápido quanto à vista pode perceber. Mas outro irá indagar: "mas uma simples criança não pode absorver esse tipo de pensamento... é só uma criança... não entende nada". Pobre daquele que profere tais palavras. Se a criança não entende é porque a sua inútil presença assim determina. Esses pequenos seres são em muitos mais capisciosos que auto-afirmados adultos. Sua mente é livre da contaminação intelectual que permeia à nós. Aqui entra outra questão: "Então os filmes infantis não são de fato para crianças...". Pelo contrário. Essa é ideia dos autores. Sabendo da ineficácia de exprimir tais pensamentos a indivíduos senis, encapam-os sob a forma de histórias ditas infantis, com o intuito de salvar o maior número de seres da alienação globalizada. Uma sugestão prática é observar obras literárias e cinematográficas dirigidas a esse público. As conotações não correspondem pura e simplesmente às noções de amizade, amor e outros sentimentos, mas à política, sociedade, tecnologia, filosofia e comportamento. Durante um longo período de tempo o único tipo de conexão observada foi a sexual. Muito falava-se sobre mensagens subliminares. Edificações submarinas com pináculos de aspecto peniano entre outros tantos fenômenos. Permito-me dizer que muitos foram aqueles que detinham o poder sobre essas obras e utilizaram desses recursos para "sacanear" uma sociedade apática. Chamam-me de louco. Não duvido. Admito. Quais dos antigos intelectuais não eram loucos? Jesus foi chamado de louco. Não necessitamos citar nenhum outro. Existem muitos. Incontáveis. Sinto-me lisonjeado quando equiparado em patamar com eles. Não há como listar todas as obras que percebi terem referências. Filmes, livros, músicas, comentários, propagandas, jogos eletrônicos. Tudo. Nada nos dias de hoje não é carregado de significado, tanto bons quanto maus. Se é que posso delimitar esse limiar entre bons e maus. A frase que dá nome ao post, por exemplo, foi pensada de uma maneira por mim, e agora vejo outro significado agregado à ela. Repare no que existe no lixo cotidiano. Na verdade não existe lixo. Tudo pode ser reaproveitado. Natural ou não naturalmente. A realidade é que comemos, absorvemos, aproveitamos aquilo que é útil, porém a sociedade, o sistema torna-o em lixo, inútil, impedindo sua absorção. Nós comemos algo transformado em lixo. Outro verso diz: "...vamos cuspir de volta em cima de vocês...". Uma época da música que não deveria ser esquecida. Existem remanescentes, mas poderíamos ter expandido muito mais. Mudado um país. Os filhos das trevas são mais ágeis que os filhos da luz, diz a Bíblia (não consegui encontrar a localização). Talvez este seja o post mais incompleto já escrito. Poderia citar muitos instrumentos de protesto. Mas proponho um experimento: da próxima vez que ver, ler, ouvir e/ou jogar alguma coisa, procure naquilo que muitos julgam invisível. O Pequeno Príncipe já assim dizia: "O mais importante é invisível". Também Sun Tzu. 2 Coríntios 4:18: "...as que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas...". Você terá muitas surpresas.
Cara... Eu pensei em escrever muita coisa aqui como comentário.
ResponderExcluirMas suas palavras deixam qualquer um tonto.
Sua capacidade de falar bonito/culto/formal confunde com a capacidade de enrolar.
Não é crítica, mas é o que transparece.
Agora sim eu serei "escroto" com um comentário não muito relevante a este post:
Pra mim, você só não queria ser escarneado por ter assistido um filme infantil.
=P
(porque às vezes é necessário ser idiota, ignorante e retardado para ser feliz. igual a uma criança. não acelere este processo de envelhecimento.)
Conversamos sobre isso uma vez, e foi uma das conversas mais interessantes que eu já tive.
ResponderExcluirNão só pelo meu encantamento bobo por mensagens subliminares, mas porque é muito interessante não apenas perceber esse tipo de referência onde quer que elas existam, mas também, discutir sobre elas.
Me lembro que conversamos sobre "Procurando Nemo" e encontramos inúmeras referências e críticas sociais. E foi muito legal!
É uma pena mesmo que muitas pessoas sejam alienadas o suficiente para não perceber esse tipo de coisa. E, mais ainda, pra pensarem que os filmes, infentis ou não, não têm nada a dizer.
Pois eles têm, e muito.
Mas poucos têm a capacidade de enxergar esse tipo de informação.
Sorte a nossa que somos dotados dela. :)
A referência a Pequeno Príncipe e à Bíblia no final concluiram perfeitamente suas ideias e fecharam o post com chave de ouro.
Você está escrevendo cada vez melhor, garoto! :D