terça-feira, 3 de agosto de 2010

Área de Trabalho

Assunto que torna-se lugar-comum entre os conterrâneos da confraria à qual pertenço: o tão badalado "estágio". Talvez a primeira experiência laboral da maioria, somado ao simples fato da auto-suficiência monetária, remetem o indivíduo a um êxtase de poder e satisfação (mais psicológico que qualquer outro aspecto que possa ser citado). É óbvio que o "poder" velozmente conquistado na forma de papel-moeda esvai-se na mesma rapidez que chega-lhe às mãos, salvo quando há uma maior sensatez no dispensar da irrisória quantia. Curiosamente, lançando mão mais uma vez dos games, percebo que "The Sims" é muito mais interessante do que poderia imaginar. Primeiramente, no ramo da "Química", a aptidão para limpeza é deveras necessária a manutenção do contrato estabelecimento-estudante (também chamado escravo), seguido claramente pelo nível intelectual do segundo. Ainda pelo fato de existirem cursos diários nos quais só há disposição para, após a compleição do pré-determinado serviço, desabar sobre o macio (e aconchegante) volume denominado "colchão", e dali apenas sair para retornar ao labor de (quase) todos os dias. Sendo, sua rotina diária, regulada pelo trabalho, dividindo-se em satisfação de necessidades fisiológicas e a incansável procura por melhorar seu desempenho, consequentemente almejando a efetivação (ou uma saída estratégica) no empreendimento. De fato, se a velocidade com a qual as promoções chegam ao empregado forem iguais ou equivalentes ao game, será que a estabilidade econômica da nação manter-se-ia? Notavelmente, a medida da evolução intelectual do indivíduo denotada em questão de segundos (ou minutos) é inconcebível para humanos não-virtuais (seriam os "ETs" mais inteligentes?) dispendendo meses (ou anos) para ser concluída com excelência. É neste instante em que as obrigações inferem em certo desconforto, quando não há mais oportunidade para satisfazer alguns dos antigos hábitos já enraizados. Um caso é o abandono aos games, ou partidas de futebol amador com amigos de infância, ou mesmo o ato de "dormir", suprimido a fim de encaixarem-se outras atividades de maior necessidade (isso é possível?). Finalmente, percebe-se que a vida está em função do trabalho exercida e, se o trabalho enobrece o homem, quanto tempo ainda levaremos para ser nomeados cavaleiros desta (nada redonda) távola? Perco-me em pensamentos de que talvez nunca tornem-se mais do que súditos de alheio senhor feudal. É inteligível que tal metodologia ocorra. A menos que certas medidas sejam tomadas. Pois nem todos se prestam ao servilismo eterno da máquina econômica. Anos de estudos incansáveis, definitivamente, contam ao sucesso? Ou tudo pode desabar a qualquer mísero assopro das marés do mercado? Esse é um dos motivos pelos quais a educação tem intrigado-me. Literalmente, todo o conteúdo didático concebido a cada período letivo é praticamente dizimado, contemplando o estudante com a revoltante frase: "Esqueçam tudo o que vocês viram até agora. Nada daquilo era verdade." É bem provável que nunca saibamos o que é verdade, muito menos se é temporária ou absoluta. A indulgência é que seria necessário compreender o antiquado para preparar-se para o novo e moderno. Muito embora, os antiquados não aceitem totalmente o "moderno", tendo os mesmos se utilizado de semelhante método. Logo, o que somos? Somos? Ou simplesmente não torna-mo-nos a tão sonhada "Geração Coca-Cola" da qual Renato Russo tanto nos falou? Permanecemos 20 anos na escola (senão mais, com a frequente adição de qualificações e especializações que o mercado exije) sendo cerca de 12, completamente dispensáveis, nos quais alimentamo-nos de passageiras teorias que serão violentamente desmentidas, obrigando um retorno que tangencia o 0 (zero). Muitos são os casos de iletrados conquistarem lideranças, mas a verdade é que esta conduta não está em todos. Talvez sufocada pela sociedade. Talvez reprimida pela falta de oportunidade. Talvez não exista. Logo, nada melhor do que fazer aquilo que se acredita. Do contrário, Hebreus 11:6 relata "sem fé é impossível agradar-Lhe", quanto mais a si mesmo. Don Corleone dizia: "todo homem só tem um destino", mas, sem mais delongas, cada um é responsável pelo seu. Entretanto, nem tudo está perdido. O mais incrível é que, de fato, usa-se muito (quiçá tudo) daquilo que se aprende nas enfadonhas, soporíferas e ininteligíveis atividades escolares. Mesmo admitindo serem as aulas de nosso caro Prof. Silvio, notáveis tentativas de tortura psicológica, "zerar uma bureta" é algo indispensável (valendo do fato que, em um dado momento, 100% dos "estagiandos" recorria à análises de água como fonte de renda).
Boa sorte para todos nós.

Um comentário:

  1. Pois é, meu rapaz, seja bem-vindo ao mundo do trabalho. É nesse momento que a gente descobre se tudo o que a gente estudou visando uma carreira em determinada área foi ou não em vão. Mas tenha em mente (e acredito que você tenha) que todos começam por baixo, e quanto mais baixo, maior a quantidade de trabalho braçal que desempenhamos. A diferença está entre os que se condicionam a isso e os que enxergam além, os que percebem novas possibilidades nas tarefas repetitivas. E como bons Cefetequianos, temos a "obrigação" de ir além. ;)

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