segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Padrinho e as questões políticas dos dias de outrora e de hoje

Mais uma vez as eleicões estão chegando. Hora de ouvir as piores marchinhas de samba já escritas, suportar candidatos insípidos e ler sobre as reformas mais "cabeludas" noticiadas por um sem-número de panfletos, jornalecos e "santinhos" que, em breve, faram inundar rios e sujaram nossas pequenas casas. Para muitos (a maioria, eu creio), apenas uma época que vem e vai, sem o transcorrer de nada muito anormal no cotidiano. O engraçado é que, justamente agora, a palavra mais usada pelos meios de comunicação é "mudança". Mas se nada ocorre de "muito anormal", para onde foram as "mudanças" prometidas com tanto fervor. É algo a indagar, não concorda? O leitor deve se perguntar: "e no que, raios me partam, algum padrinho tem a ver com isso?". "The Godfather", ou "O Padrinho" (tradução direta), ou ainda "O Poderoso Chefão" (tradução tupiniquim) é, para mim (além de uma multidão de fãs ensandecidos) uma das maiores obras tanto cinematográficas quanto literárias já criadas. A fim de saciar meu desejo pela leitura, unido à curiosidade pelo livro escrito por Mario Puzo, li um exemplar de "O Padrinho". A adaptação para o cinema foi realmente impressionante. Francis Ford Coppola é, sim, um grande diretor. Mas vamos ao que interessa: como relacionar a política de hoje com o livro escrito há mais de 50 anos (completos em 2009)? Admito que, no tocante aos métodos políticos brasileiros, a coisa não mudou tanto assim. Para que todos (ou aqueles que conseguirem terminar de ler essa mensagem) possam entender, vou ministrar algumas informações do roteiro da referida obra. O braço principal da história trata de Vito Corleone, mais conhecido como Don Corleone (na época, os chefes das atividades criminosas de grande porte (tramas de jogo, agiotagem, prostituição, etc) eram compostas por famílias inteiras nos negócios (ainda nãohouvera a ascenção dos entorpecentes), e o Don era o patriarca). O que o diferenciava dos demais Dons de Nova Iorque eram suas conexões com juízes, parlamentares e outros componentes presentes nos 3 poderes (legislativo, executivo e judiciário), além do controle sobre sindicatos trabalhistas, sendo ambos intimamente ligados. Interesse foi o método usado por Don Corleone para conseguir tal vantagem sobre seus adversários. Como (nem) tudo começa grande, o poder de Vito Corleone não foi tão abrangente desde o início. Considerado um benfeitor para com os fracos e oprimidos, Vitoparticipava da esfera mais rasa da sociedade, o operariado. Depois de se tornar visivelmente conhecido por suas "boas-ações", ganhou notoriedade com o sindicatos. Era realmente um homem inteligente. Com essa influência, Vito Corleone poderia controlar esferas superiores da sociedade. Não é novidade que os operários representam a maioria da população, e essa relevância numérica é de suma importância como eleitorado. Assim, ele possuía nas mãos o poder de escolha. Não demoraria até que representantes políticos o contactassem para uma reunião. O acordo era simples: Don Corleone apoiaria um candidato, fazendo todos os seus "apadrinhados" observarem essa atitude, e logo fariam o mesmo, devido a relação de "amizade" que fora construída. Em troca, o determinado candidato deveria negociar alguma ajuda pelo apoio de Don Corleone, não apenas à ele em si, mas, obviamente, ao eleitorado que confiara no apoio dele. E assim era. Em alguns anos, Don Corleone já incluía os nomes de juízes, desembargadores, promotores, senadores, deputados, entre tantos outros, à sua lista de importância. Era a habitual "troca de favores". Se o leitor sabe algo sobre "História do Brasil", reconhece bem o que foi descrito agora. Nada mais, nada menos que um similar do "coronelismo" (instrumento presente desde os primórdios da organização política brasileira), que, aliado ao "voto de cabresto", faziam de Don Corleone, um "Bem-Amado". E, de fato, isso ocorre até hoje. Quantos não são os apoios a determinados candidatos organizados por empresas privadas, ou mesmo públicas? Há um apoio ferrenho por meio destas entre a massa da população, que é, em suma, maleável como borracha frente a determinadas "recompensas". O controle aos sindicatos significa o poder sobre os integrantes do mesmo, tanto que o socialismo se valeu e muito desta técnica para conscientizá-los a respeito da máquina capitalista, sendo vitorioso em muitos casos. E não se espantem com as organizações familiares que permeiam esse cenário, como as famílias Garotinho, Sarney, Magalhães, Collor, Maia, Fernandes, sem incluir ainda a, já famosa por seus atos ilícitos, família Marinho. Elas estão presentes em território nacional, e tem valido-se de técnicas como essa para se manterem no poder de maneira atemporal. E, diga-se de passagem, tem obtido êxito em suas empreitadas. Alguns afirmam que brasileiros não possuem uma memória muito boa. Discordo. A metodologia de lavagem cerebral dos brasileiros é, sem sombra de dúvida, muito efetiva. O post "Eleições" trata bem disso. Se alguém não acredita nas minhas palavras, é só usar a família Kennedy como exemplo. Integrantes envolvidos em redes de prostituição, guerras de repressão, assassinatos (famosas "queimas de arquivo"), e no meio dessa enorme poça de sangue e sujeira, muitas celebridades como Marilyn Monroe, Frank Sinatra, e outros. Definitivamente, nem um pouco diferente do que ocorre nos dias de hoje. E, pensando bem, até mesmo o direito ao voto para a totalidade populacional é algo suspeito, pois sendo a maioria desta de um nível economico-cultural menor, sendo facilmente influenciada, é um prato cheio para os coronéis e barões do Planalto Central. É uma situação muito cômoda para políticos, empresários e criminosos (se é que posso diferenciar todos tão bem assim), e péssima para todo o resto. Podemos ver isso pelas informações: altos impostos, aumento da criminalidade, falta de ética governamental, progresso da favelização, educação deficiente, saúde obsoleta, concentração de renda, etc Cabe à uns poucos interessados disseminar essas ideias, mostrando a necessidade de uma reforma de "base", pois mudando o pensamento da maioria, preparamos a mesma para expurgar a minoria. Não faltam exemplos bem-sucedidos disso. O socialismo na Rússia é o maior deles. Mas mesmo sendo capitalistas podemos quebrar o paradigma político de nosso país. Se a escolha é assim tão importante, se analisarmos friamente cada opção, algo passível de aprovação pode ser encontrado (ou não, na pior das hipóteses). E não se assustem com as obras/ações sociais desta época. São meramente "eleitoreiras". Sugiro que pesquisem o histórico dos candidatos, não quantas obras tem seus nomes, mas quantas ações realmente úteis eles possam ter operado. As mudanças talvez não se concretizem nessas eleições exatamente, pois, com certeza, nada começa grande. É como nosso esporte favorito, o futebol. Justaposto para também controlar as massas proletárias, há algo nele que podemos realmente aproveitar. Para que o jogo se inicie, basta o pontapé inicial. É um ato aparentemente insignificante quando comparado aos 90 minutos de jogo, mas sem ele, nem um minuto sequer passaria. Pensem bem. Votem (ou deixem de votar) conscientes. Não pensem apenas no "eu-presente". Pelo menos tentem olhar para o restante do cenário político-social. Afinal, o Brasil é (ou deveria ser) um país de todos. Os próximos posts tenderão a manter essa linha de pensamento a fim de suplantar a continuidade da conscientização social. Agradeço a leitura.

Um comentário:

  1. Pois é... é triste ver esse tipo de coisa acontecendo ano após ano em épocas de eleição. E o pior é que muitas pessoas acham que estão certas ao votarem em um candidato só porque este favoreceu um filho a entrar na universidade, conseguiu um emprego para o pai de família e etc, afinal, políticos não tem que ajudar o povo? E eles acham que esse tipo de coisa é realmente ajudar. Cada vez mais sou contra o voto obrigatório e irrestrito. Como diz a própria propaganda do governo, "para dirigir você precisa de uma carteira de motorista", e para conseguir essa carteira você fez um curso. Então por que não instituir um curso que ensine a população sobre as atribuições políticas de cada cargo, a importância da política na estruturação de um país e tudo mais? O problema é que isso não interessa a nossos nobres representantes.

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