terça-feira, 7 de setembro de 2010

Revolta

Raiva. Fúria. Indignação. Tormento. Repentino desejo de estar portando algum aparato pontiagudo, cortante ou de sistema balístico automático de alta frequência. Há dias em que todos os sentidos se misturam em um imenso furação, um turbilhão de alto poder explosivo com tendências estilhaçantes. Quando você tem a absoluta certeza de que deveria estar em um campo de batalha, seja mitológico, medieval ou comtemporâneo/moderno, onde poderia desmembrar inimigos à vontade, sem se preocupar muito com o destino dos corpos ou mesmo o nível de carnificina adotado. Surge por diversos motivos. Desde simples atitudes de terceiros, culminando em dias totalmente controversos, de esporádicos devaneios da realidade e aregimentados de um torpor amoral. Dias em que os gamers entendem o quão Kratos é um individuo de sorte por ter a oportunida de destronar deuses, titãs e afins, de maneira absolutamante rubra. Dias em que os amantes de música clássica/sacra sabem que poderiam reger qualquer sinfonia com tanta ênfase que o público estaria assombrado ao fim do espetáculo. Dias em que faria o mundo cair os seus pés, sob ameaças ferrenhas e tirânicas. Ao portador desta anomalia, se lhe fosse dado poder suficiente em material físico, teria repercurssões semelhantes à bomba atômica. Momentos que, justamente, seus planos sofrem um reviravolta, suas convicções caem por terra, sua paz é perturbada, e então, seu sangue fervilha, seu rosto endurece, seus punhos de fecham em torno de um pescoço galináceo invisível. Sua disposição encontra-se voltada para desvencilhar-se de tudo que o cerca, a fim de, sob força, gerar retribuição ao dano inicial, ou ainda, reinvidicar aquilo que lhe apraz por direito. Mais poderoso todo este furor se torna quando esfria-se. Condensa-se. Espalha-se. Da explosão, ele regride para a recarga. Algo próximo do "start" da reação-em-cadeia de uma bomba atômica. Como um predador à espera da presa desavisada. Quando a fúria por sangue torna-se racional, comedida, estrategicamente brilhante. "Nunca deixe seus inimigos saberem o que você está pensando" Don Vito Corleone. Uma fagulha, e todo um complexo empresarial ruiria, reduzindo-se a pó e escombros. Um ataque fulminante, como um infarto, um projétil diretamente apontado e deflagrado na direção do músculo responsável pelo bombeamento de sangue pelo circuito sanguinéo corpóreo. Neste momento, você é o objeto da consumação da fúria feroz. Tudo ao seu redor torna-se uma extensão de seus membros, de sua mente. Você tem poder. E basta uma perturbação para implodir-se em um cataclisma galático. Não me proponho a alimentar os desejos psicóticos de outrem por intermédio deste breve conjunto de frases incoerentes. É apenas a síntese do que minhas entranhas maquinam alguns esparsos momentos de uma vida tensa e, por vezes, soporífera. Ultimamente, minha vida tem sido permeada, frequentemente, com momentos assim. E digo que me desgusto com eles. Mesmo alcançando níveis pré-históricos de comportamento, rugidos guturais de exclamação e movimentos bruscos dignos de um proboscídeo manco. Em dias assim, alcançamos o "magnum opus", a máxima de todas as criações. Seja para o bem, seja para o mal. "Trabalha-se melhor sob condições adversas". Verdade absoluta. Acredito que as revoltas do meu interior tendem a um propósito de grandes proporções. Talvez não salve o mundo. Talvez não me torne um mutante com capacidades sobre-humanas. Talvez nada, em suma, mude. Porém, mais-dia-menos-dia, algo muda em cada um daqueles que o coração alimenta a revolta. Não há necessidade de travar-se um embate titânico a fim de destruir um corpo celeste. Basta uma fagulha, um movimento, um olhar. E quando isso chegar, quando finalmente acontecer, todas as suas atitudes que você tomar tenderam a causar uma grande diferença. Seja para o bem, seja para o mal. Só o tempo, e você mesmo, saberão a resposta. Edificar. Derribar. Ambos. Ou nenhum destes. A escolha é sua.

Um comentário:

  1. Quanta raiva no peito, rapaz! As vezes é bom dar um tempo na correria e no que está te fazendo mal pra se distrair e levar a vida um pouco mais leve. Dar um tempo pra si mesmo, rir de alguma bobeira, essas coisas...

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